Publicado em 28 de novembro de 2024 às 11:43
O governo federal detalhou, em entrevista coletiva nesta quinta-feira (28/11), um conjunto de medidas anunciado pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que prevê uma economia de até R$ 327 bilhões em gastos públicos até 2030.>
Entre as propostas estão mudanças no salário mínimo, no abono salarial, aposentadoria de militares e nos recursos da educação. Além disso, foi anunciada, em paralelo, uma reforma na tabela do imposto de renda.>
As ações, que já vinham sendo discutidas pelo governo há meses, ainda dependem de aprovação do Congresso. O objetivo, segundo Haddad, é cumprir o arcabouço fiscal.>
Confira as principais medidas anunciadas:>
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O governo anunciou que vai limitar a valorização real do salário mínimo à mesma regra do arcabouço. Isso significa que o salário mínimo vai continuar tendo ganho acima da inflação, mas o crescimento real será limitado a 2,5% por ano.>
A regra atual reajusta o piso nacional com a inflação do ano anterior e a variação do PIB de dois anos. >
O governo fixa uma renda de até R$ 2.640 para ter direito ao abono salarial e institui uma cláusula para que o valor seja corrigido anualmente pela inflação até chegar em 1,5 salário mínimo. >
A projeção, segundo o governo, é que isso aconteça em 2035. Atualmente, tem direito ao abono pessoas que ganham até dois salários mínimos (R$ 2.824).>
Alguns benefícios serão extintos, como a transferência de pensão e a morte ficta, que permite que parentes de militares desligados continuem a receber pensão, como se o militar estivesse falecido.>
Também será fixada, em 3,5% da remuneração, a contribuição do militar para o Fundo de Saúde. Além disso, será estabelecida uma idade mínima de aposentadoria para militares. A idade não foi divulgada pelo governo.>
O impacto das medidas que afetam os militares, segundo o governo, é de cerca de R$ 2 bilhões por ano.>
A partir de 2026, o Pé de Meia, programa que prevê pagamentos mensais e uma poupança a estudantes de baixa renda do Ensino Médio, será incorporado ao orçamento da Educação. Atualmente, ele é pago por meio do Fundo de Garantia de Operações (FGO), que está fora das regras do arcabouço fiscal.>
Outra medida reserva 20% dos recursos da União ao Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb) para garantir a expansão da escola de tempo integral.>
Em paralelo ao corte de gastos, o governo anunciou mudanças na tabela do Imposto de Renda a partir de 2026. >
Uma delas é a isenção do imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil por mês. Atualmente, o limite de isenção é de R$ 2.824 (dois salários mínimos). >
Com isso, aqueles que ganham até R$ 7.500 mensais pagarão uma alíquota menor.>
Para compensar a queda na arrecadação com a medida, que deve ter um impacto de R$ 35 bilhões, contribuintes que têm uma renda superior a R$ 50 mil por mês vão passar a pagar um pouco mais. Será estipulada uma alíquota mínima de 10%.>
Além disso, a isenção do imposto de renda por razões de saúde será limitada àqueles que ganham até R$ 20 mil por mês. >
Não haverá mudanças nas deduções de gastos com saúde no imposto de renda, que continuam sendo permitidas em todas as faixas de renda.>
Essas mudanças, segundo Haddad, garantem que a perda estimada na arrecadação de R$ 35 bilhões seja compensada. >
O ministro da Fazenda ressaltou que o objetivo da reforma do imposto de renda é manter uma neutralidade fiscal: >
“Não visa nem aumentar e nem diminuir arrecadação, mas busca justiça tributária”, declarou.>
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