Publicado em 30 de março de 2026 às 15:33
O governador de Goiás, Ronaldo Caiado, vai anunciar nesta segunda-feira (30/03) sua pré-candidatura à presidência. Há um ano, no início de abril, Caiado já havia feito o mesmo anúncio, em Salvador, durante um grande evento do União Brasil, dando a largada às eleições de 2026, faltando um ano e meio para o pleito.>
Seu segundo anúncio, agora sem palco, plateia, batuques ou berrantes, ocorre após filiação ao PSD, oficializada no último dia 14. Pelo partido de Gilberto Kassab, Caiado encerrará, com o anúncio, a disputa pela candidatura da sigla.>
Na semana passada, o governador do Paraná, Ratinho Jr., informou a desistência de concorrer ao Planalto pelo PSD, abrindo caminho para Caiado e Eduardo Leite, governador do Rio Grande do Sul, que também disputava a vaga.>
Logo após a desistência do governador do Paraná, Leite publicou um vídeo em seu perfil no Instagram afirmando que seguia firme com sua pré-candidatura à presidência pelo PSD.>
>
Pesquisa Quaest divulgada no último dia 11 mostrava que, dentre os três governadores, Ratinho Jr. era o candidato mais competitivo, com 7% das intenções de voto, atrás de Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT). >
No cenário testado com Caiado, o governador de Goiás aparecia também em terceiro lugar, mas com percentual mais baixo de intenções de voto: 4%. Já Leite ficava em quarto lugar, com 3% dos votos, atrás do governador de Minas Gerais, Romeo Zema (Novo).>
>
Num eventual segundo turno disputado com Lula, o petista tem 44% das intenções de voto, e Caiado, 32%. Já em um cenário de disputa com Leite, Lula tem 42%, enquanto o governador do Rio Grande do Sul aparece com 26%.>
Antes mesmo do anúncio oficial de Caiado, Leite criticou a posição do PSD. Em um vídeo publicado em suas redes sociais na manhã desta segunda, ele afirmou que a candidatura de Caiado "tende a manter esse ambiente de polarização radicalizada que tanto limita o nosso país". >
Por outro lado, Ratinho Jr. elogiou a escolha, dizendo que Caiado é um "homem aprovado como gestor, com trabalho reconhecido nacionalmente, sobretudo, em áreas vitais como educação e a segurança".>
Esta é a segunda vez que Caiado se candidata à presidência da República. Na primeira, em 1989, ficou em 10º lugar, com 0,72% dos votos. Na época, Lula também estava na disputa. >
Em um debate na Band antes do primeiro turno, com a mediação da jornalista Marília Gabriela, Lula faz uma piada com Caiado, devido às poucas intenções de voto. >
Na vez de Lula fazer uma pergunta, ele escolhe Paulo Maluf para responder. Caiado então interrompe e pede que Lula pergunte a ele. O petista retruca: "quando você crescer, eu faço". E, olhando para Marília Gabriela, afirma: "quando ele chegar a 1,5% eu faço".>
Naquela campanha, Caiado, com forte sotaque goiano, se defendia na TV, dizendo ser "confundido", nas grandes cidades, como "o candidato do interior".>
Agora, o experiente político, que se formou em medicina e fez fortuna vendendo e comprando cabeças de gado, tem se apresentado como um representante de uma ala "mais moderada do agronegócio".>
Quando se lançou pré-candidato, no ano passado, pelo União Brasil, a sigla fazia parte do governo Lula, e ensaiava também uma federação com o Progressistas (PP), o que deixaria ainda mais embaralhado o cenário de uma candidatura majoritária.>
Esse ensaio caminhou e, na semana passada, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aprovou o registro da federação. A aliança se tornou o grupo com a maior bancada na Câmara dos Deputados, o maior número de prefeitos e as maiores fatias de recursos públicos para campanhas, segundo o G1. >
Ainda não está cravado, no entanto, se a federação União-PP apoiará formalmente a candidatura de Flávio Bolsonaro.>
Por isso, o passo de Caiado para fora do União Brasil era determinante, caso ele quisesse seguir com o plano de se candidatar, novamente, à presidência. >
Assim como o "agro moderado", Caiado pretende se colocar como um candidato da "direita moderada". Ao mesmo tempo em que se autointitula como alguém com a maior "antecedência de confronto com o Lula e o PT", também diz que não é "encabrestado de ninguém" e tem a sua "independência intelectual", referindo-se a Jair Bolsonaro (PL).>
Sua relação com o ex-presidente, hoje preso em regime domiciliar, tem um histórico de idas e vindas ao longo dos últimos anos. Embora tenha apoiado a eleição do ex-presidente em 2018 e depois em 2022, eles romperam em 2024, quando Bolsonaro não apoiou os candidatos do governador nas cidades goianas. >
E, ainda não tenha ido às manifestações pela anistia organizadas por bolsonaristas, Caiado já afirmou ser a favor de uma anistia "ampla, geral e irrestrita" a todos os envolvidos nos atos pela tentativa de golpe de Estado em 8 de janeiro de 2023, sendo esse seu primeiro ato como presidente caso seja eleito. >
Ao mesmo tempo em que se diz mais moderado, Caiado vem implementando uma política linha-dura na Segurança Pública em Goiás, pauta na qual a direita radical finca os dois pés, a exemplo de El Salvador. Seu Estado tem visto crescer o índice de letalidade policial nos últimos anos, segundo o Observatório Brasileiro de Segurança Pública.>
Ao ser questionado sobre isso em entrevista à BBC News Brasil em abril do ano passado, afirmou que atribuía à "segurança plena". "Não foi a polícia que foi lá confrontar com ele. Eles é que foram confrontar com a polícia", afirmou, sobre as pessoas que morreram por policiais.>
Na mesma linha, Caiado é contrário ao uso de câmaras corporais por policiais militares, posição que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), já compartilhou, mas voltou atrás, dizendo que teve "visão equivocada" sobre o tema.>
Afirmou ser um "ato populista" aumentar o imposto para os mais ricos e pretende, se eleito, criar novamente o Ministério da Segurança Pública, proposta análoga à de Flávio Bolsonaro. >
Além de Caiado, Lula e Flávio Bolsonaro, outros pré-candidatos já anunciaram seu lugar na disputa, incluindo Romeu Zema, o ex-ministro Aldo Rebelo (DC), o líder do MBL Renan Santos (Missão) e Samara Martins (UP).>
Esse quadro, contudo, pode mudar. Até 15 de agosto, prazo final para o registro das candidaturas no TSE, novos nomes podem surgir e outros desistir da disputa.>
O primeiro turno das eleições gerais deste ano está marcado para 4 de outubro. Caso nenhum candidato obtenha mais da metade dos votos válidos, haverá segundo turno, previsto para 25 de outubro.>
Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rápido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem.
Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta