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A resposta brutal da Rússia à operação da Ucrânia que devastou bases aéreas russas

Na madrugada de sexta-feira (6/6), pelo menos três pessoas foram mortas e 49 ficaram feridas na Ucrânia, durante os ataques aéreos russos em resposta à operação surpresa ucraniana de domingo (1/6).

Publicado em 06 de Junho de 2025 às 16:39

BBC News Brasil

Publicado em 

06 jun 2025 às 16:39
Imagem BBC Brasil
Os ataques aéreos da Rússia tiveram como alvo a capital ucraniana, Kiev, a cidade de Lutsk e a região de Ternopil, no noroeste do país Crédito: Reuters
Na madrugada de sexta-feira (6/6), a Rússia lançou ataques em grande escala, com drones e mísseis, contra a capital da Ucrânia, Kiev, e outras partes do país, segundo autoridades russas e ucranianas.
Pelo menos três pessoas morreram e 49 ficaram feridas nos ataques, segundo informou o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky.
Além de Kiev, os alvos dos ataques aéreos foram a cidade de Lutsk e a região de Ternopil, no noroeste do país.
"Até o momento, foram confirmadas três mortes", declarou Zelensky. "Todos eram funcionários do Serviço Estatal de Emergências da Ucrânia."
O presidente ucraniano acrescentou que foram utilizados mais de 400 drones no ataque e que o número de feridos "poderá aumentar".
Em um comunicado anterior, o prefeito de Kiev, Vitali Klitschko, havia anunciado a morte de quatro pessoas na capital do país.
O Ministério da Defesa da Rússia afirmou que suas forças armadas lançaram, na noite de quinta-feira (5/6), um ataque massivo com armas aéreas, marítimas e terrestres de alta precisão e longo alcance, além de drones de ataque.
O Ministério informou que os ataques foram realizados em resposta a "atos terroristas do regime de Kiev" e que seu alvo foram instalações militares.
A ofensiva russa contra a Ucrânia ocorre dias depois de Kiev ter lançado seu maior ataque com drones de longo alcance contra pelo menos 40 aviões de guerra russos em quatro bases militares, na chamada "Operação Teia de Aranha", no último domingo (1/6).
Na quarta-feira (4/6), o presidente da Rússia, Vladimir Putin, alertou o presidente americano, Donald Trump, que responderia aos ataques da Ucrânia contra suas bases.
Imagem BBC Brasil
Moradores de Kiev inspecionam os danos após os ataques russos de sexta-feira (6/6) Crédito: Reuters
O ataque de sexta-feira fez com que fossem acionados os alertas antiaéreos na capital e nas cidades de Jarkov, Sumy e Lugansk.
O sistema ferroviário de Kiev foi interrompido, após o bombardeio de linhas de metrô danificadas. E há informações de que dezenas de milhares de civis passaram horas de tensão em refúgios subterrâneos da capital.
Do centro da cidade, era possível ouvir longas rajadas de metralhadoras, enquanto as defesas aéreas tentavam derrubar dezenas de drones dirigidos a Kiev.
Também se ouvia, de vez em quando, o inconfundível zumbido dos drones sobrevoando as pessoas. Clarões brilhantes eram refletidos pelos edifícios próximos, seguidos por estrondosas explosões, cinco ou dez segundos depois.
Em entrevista à TV ucraniana, o porta-voz da Força Aérea do país, Yuri Ihnat, declarou que a Rússia lançou 407 drones, 38 mísseis de cruzeiro e seis mísseis balísticos contra a Ucrânia durante a noite. Ele destacou que até 30 mísseis e 200 drones foram interceptados.
"Este é o segundo maior ataque aéreo contra a Ucrânia, desde que a Rússia empregou 472 mísseis e drones na noite de domingo", segundo o editor de Rússia da BBC Monitoring, Vitaliy Shevchenko.
Imagem BBC Brasil
Os ataques com drones russos atingiram diversas construções na capital ucraniana, Kiev Crédito: Reuters
Nas proximidades da capital ucraniana, o chefe militar de Ternopil, Vyacheslav Negoda, afirmou que o ataque aéreo de sexta-feira (6/6) foi "o mais massivo contra nossa região até hoje".
Já o prefeito de Ternopil, Igor Polishchuk, declarou que cinco pessoas foram feridas no ataque e que foram produzidos danos em moradias, escolas e uma instalação do governo.
Ele também destacou que, em Lutsk, outras cinco pessoas foram feridas, em um ataque com 15 drones e seis mísseis.
Em uma publicação no X, antigo Twitter, Zelensky escreveu que "a Rússia deve prestar contas por isso".
Ele pediu aos Estados Unidos, à Europa e a "todo o mundo" que pressionem a Rússia. E afirmou que deixar de fazê-lo é "dar à guerra mais tempo para cobrar vidas; isso é cumplicidade e responsabilidade".
Zelensky declarou que, na Operação Teia de Aranha de domingo passado, o serviço de segurança ucraniano utilizou 117 drones, que atingiram "34% dos porta-mísseis de cruzeiro estratégicos russos".
Paralelamente, o Ministério da Defesa russo informou que suas defesas aéreas derrubaram 174 drones ucranianos durante a noite, em regiões da Rússia e da Crimeia ocupada.
O Ministério também indicou que foram interceptados mísseis de cruzeiro antinavios Neptune sobre o mar Negro.

Negociações sem avanços

No início deste mês, ocorreram conversações de paz diretas entre a Rússia e a Ucrânia em Istambul, na Turquia. Mas elas terminaram sem avanços significativos.
Os negociadores ucranianos afirmaram que a Rússia rejeitou um "cessar-fogo incondicional", que era uma exigência chave de Kiev e dos seus aliados ocidentais, incluindo os Estados Unidos.
A equipe russa declarou ter proposto uma trégua de dois ou três dias "em certas regiões" da vasta linha de frente, mas não ofereceu mais detalhes.
Na quarta-feira (4/6), Trump afirmou que Putin prometeu responder com firmeza ao recente ataque ucraniano a bases aéreas russas, durante uma chamada telefônica que durou mais de uma hora.
Moscou já havia declarado que as opções militares estavam sobre a mesa para responder ao ataque ucraniano.

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