Publicado em 16 de janeiro de 2025 às 06:44
"Esperamos por isso há muito tempo", diz Sanabel, de 17 anos. >
"Finalmente, vou colocar minha cabeça no travesseiro sem me preocupar.">
Ela é uma entre milhões de palestinos em Gaza que celebram o acordo de cessar-fogo que os Estados Unidos e os mediadores do Catar dizem ter sido acertado entre Israel e Hamas na quarta-feira (15/1), após 15 meses de guerra.>
Parte da primeira fase do acordo, que entra em vigor em 19 de janeiro, verá as forças israelenses se retirarem das áreas povoadas de Gaza, o que permitirá o retorno dos palestinos deslocados às suas casas. >
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Centenas de caminhões de ajuda também serão autorizados a entrar no território todos os dias.>
Os moradores de Gaza celebraram com alegria e alívio, mas também mostraram tristeza e preocupação enquanto lamentam a morte de entes queridos e começam a reconstruir o território após mais de um ano de devastação.>
Em entrevista ao Serviço Mundial da BBC após as notícias do cessar-fogo, Sanabel, que está na Cidade de Gaza, disse: "Finalmente! Conseguimos o que queríamos! Todos nós estamos felizes agora!">
Ela disse que sua família planejava voltar para casa ainda "no meio da noite" no carro recém-consertado de seu pai.>
Tanto o Catar quanto os EUA confirmaram o acordo de cessar-fogo e a libertação de reféns após as negociações progredirem nas últimas semanas, o que gerou comemorações tanto em Gaza quanto das famílias dos reféns israelenses.>
Um representante do Hamas disse anteriormente que havia aprovado o rascunho do acordo elaborado pelos mediadores. >
O gabinete do primeiro-ministro israelense declarou que havia "várias cláusulas não resolvidas", mas esperava que os detalhes pudessem ser finalizados ainda na quarta-feira (15/1) à noite.>
O acordo entrará em vigor no domingo (19/1), desde que seja aprovado pelo gabinete israelense.>
"Eu me sinto ótima, nunca estive tão feliz", afirmou Dima Shurrab, de 19 anos, à BBC em uma mensagem de WhatsApp. >
"Não consigo acreditar no que está acontecendo ao meu redor agora. Estou sonhando?", questionou ela.>
"Aqui em Gaza, estamos felizes, mas temos medo. O medo desaparecerá quando o acordo entrar em vigor.">
Há apenas dois meses, Shurrab encerrou uma entrevista com a frase: "Reze para que continuemos vivos.">
A família de Shurrab vive atualmente em uma casa parcialmente destruída após precisar fugir diversas vezes. >
Eles sobreviveram com pão, nozes, ervilhas, feijões e alguns vegetais muito caros. >
Ela andou até dois quilômetros para pegar água e acendeu fogueiras porque não tinha gás de cozinha.>
Shurrab ganhou uma bolsa para estudar Medicina na Argélia, mas a guerra começou dois dias depois que ela enviou o passaporte para obter um visto. >
Ela não tinha condições de pagar cerca de US$ 5 mil (R$ 30 mil) a um intermediário para sair por Rafah — a única opção até maio, quando a travessia foi fechada completamente.>
"Senti que meu futuro e meus sonhos foram bloqueados", disse ela.>
Agora, porém, um cessar-fogo renova as ambições de estudar para se tornar uma médica no futuro.>
A primeira fase do acordo, com duração de seis semanas, também verá 33 dos quase 100 reféns mantidos pelo Hamas trocados por detentos palestinos que estão em prisões israelenses.>
As negociações para a segunda fase começariam no 16º dia do cessar-fogo. >
Essa nova etapa deve ser marcada pela libertação dos demais reféns, uma retirada total das tropas israelenses de Gaza e uma "paz sustentável".>
O terceiro e último estágio envolverá a reconstrução de Gaza, o que poderia levar anos, e o retorno dos corpos de quaisquer reféns restantes.>
Farida, uma professora deslocada do norte de Gaza, disse que não vê a mãe, o pai e os irmãos há mais de um ano.>
Em entrevista direto de Deir al-Balah, que fica no centro de Gaza, ela disse à BBC: "Atualmente, vivenciamos um estado de antecipação, medo e ansiedade.">
"Também passamos por sentimentos de impaciência... Tentamos respirar a liberdade que nos foi negada.">
"Não importa o quanto eu fale, não serei capaz de descrever os sentimentos mistos que me dominam e a felicidade que sinto agora por retornar ao norte.">
Reem, uma mãe que também foi deslocada do norte, onde perdeu a casa, afirmou: "Graças a Deus, finalmente vivemos este momento que nunca esperávamos.">
"Meu sentimento agora oscila entre alegria e tristeza.">
Já Hashim Adel Abu Eiala disse à BBC que vivenciava "o melhor sentimento do mundo".>
"Esperamos há mais de um ano e três meses em meio ao sofrimento, morte, destruição, matança e fome.">
"Temos sido pacientes e demonstramos firmeza como nenhum outro povo no mundo ou na região árabe.">
Ele vive em uma tenda há 15 meses e vai "ajoelhar-se, para agradecer a Deus" quando retornar para casa. >
"Desejamos que essa alegria termine bem", acrescentou Abu Eiala.>
O exército israelense lançou uma campanha contra o Hamas em resposta ao ataque sem precedentes do grupo no sul de Israel em 7 de outubro de 2023, no qual cerca de 1.200 pessoas foram mortas e outras 251 acabaram reféns.>
Mais de 46.700 pessoas foram mortas em Gaza desde então, de acordo com o Ministério da Saúde do território administrado pelo Hamas.>
A maior parte da população de Gaza, estimada em 2,3 milhões de pessoas, também foi deslocada.>
Há destruição generalizada no local, com uma escassez severa de alimentos, combustível, remédios e abrigo.>
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