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Alvaro Abreu

Minhas emoções frustradas com o futebol

Faz tempo que parei de ler o jornal de trás pra frente e nem sei explicar as razões de ter abandonado as páginas sobre esportes em favor de notícias políticas e econômicas

Publicado em 17 de Maio de 2018 às 14:49

Públicado em 

17 mai 2018 às 14:49
Alvaro Abreu

Colunista

Alvaro Abreu

Neymar, camisa 10 da Seleção Brasileira Crédito: EFE/Fernando Bizerra Jr.
Vi na TV que o Tite anunciou a lista dos jogadores convocados para disputar a Copa do Mundo lá na Rússia. No avião, na falta do que fazer, li todas as matérias e opiniões de especialistas sobre as escolhas do treinador, suas filosofias de arrumação do time e suas estratégias para controlar o jogo, coisa que não faço há muitos e muitos anos. Faz tempo que parei de ler o jornal de trás pra frente e nem sei explicar as razões de ter abandonado as páginas sobre esportes em favor das que trazem notícias sobre política e economia.
Nunca fui vidrado em futebol, mas percebo que meu interesse por jogos, clubes, jogadores e CBD agora está bem perto do zero. Imagino que algo parecido esteja acontecendo com muitos brasileiros e não acredito que seja apenas em função do tragicômico 7x1 contra aqueles alemães profissionais.
Na infância, torcia a favor do Cachoeiro e, mais do que isso, contra o Estrela, nosso inimigo dentro de campo. Isso tudo por influência de papai, um torcedor convicto. Mais tarde, a exemplo do que todo capixaba fazia, adotei um time carioca, o Fluminense, pra chamar de meu. Na nossa rua, o tricolor tinha uma torcida expressiva e vibrante, liderada por Dona Ormandina Benezath. Aqui na ilha, o Rio Branco nunca me entusiasmou e acabei adotando o Vitória, sem que tenha ido a campo para vê-lo jogar uma partida sequer.
Me lembro como se fosse hoje de ter acompanhado pelo rádio o jogo em que nosso escrete conquistou a Copa do Mundo, em 1958, mas guardo poucas cenas da conquista em 1962, no Chile. Assisti na televisão colorida da casa dos vizinhos de frente os jogos do Brasil na Copa de 70 e ajudei a popularizar os palavrões nas comemorações lá no centro da cidade.
Se das conquistas nos EUA e no Japão restam lembranças embaralhadas, guardo viva a decepção com a desclassificação, imposta por Portugal, em 1966. Os ônibus que levavam os atletas capixabas para os Jogos Universitários, em Curitiba, pararam num posto de gasolina para que pudéssemos acompanhar o final da partida. Melhor se tivessem seguido viagem.
*O autor é engenheiro de produção, cronista e colhereiro
 

Alvaro Abreu

É engenheiro de produção, cronista e colhereiro. Neste espaço, sempre às sextas-feiras, crônicas sobre a cidade e a vida em família têm destaque, assim como um olhar sobre os acontecimentos do país

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