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Opinião

Meirelles e o otimismo utópico

Evair de Melo e Marcus Vicente, ambos do PP, são os dois capixabas mais perto da importante Comissão Mista do Orçamento. Ambos conseguiram vagas de suplente

Publicado em 22 de Maio de 2018 às 22:34

Públicado em 

22 mai 2018 às 22:34
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas Vitor Vogas
Crédito: Amarildo
Por Vinícius Valfré (Interino)
O lançamento das bases para uma recuperação econômica sólida no Brasil deve, de fato, ser creditado a Henrique Meirelles, o pré-candidato oficial do MDB à Presidência. Em um cenário de incertezas, derrubar a inflação de 10% para 3%, os juros de 14,25% para 6,5% e superar dois anos de quedas de 3,5% no PIB permitem que o ex-ministro reivindique algumas honras. Mas daí a dizer que Meirelles está cacifado para lançar uma candidatura competitiva ao Planalto, como fez a cúpula partidária ontem, é querer um pouco demais. É, no mínimo, sonhar com o despertar de um imenso e repentino otimismo no seio do eleitorado brasileiro.
Há uma série de medidas econômicas consideradas saneadoras que dão pontas de orgulho a Meirelles e a Michel Temer: PEC do teto de gastos, reforma trabalhista, a preocupação fiscal e a introdução da reforma da Previdência na agenda nacional.
Contudo, parece haver um hiato entre tudo isso e a vida do brasileiro médio. O país vem perdendo 1 milhão de vagas formais de trabalho por ano, de 2014 para cá, são 27,7 milhões de brasileiros desempregados, subutilizados ou que desistiram de procurar emprego. Para piorar, essa é uma camada social que não encontra regozijo nos serviços públicos ofertados.
Além do mais, a retomada não é tão reluzente. Após dois anos de queda, o PIB cresceu um único por cento em 2017 e a previsão para 2018 acaba de ser revista de 2,97% para 2,5%.
Assim, é pouco provável que o Brasil de carne e osso associe Meirelles a saltos na qualidade de vida. Para a economista Arilda Teixeira, Meirelles e sua equipe “comparável apenas a do Plano Real”, foram capazes de só iniciar os ajustes.
“Esse grupo de brasileiros não percebeu os benefícios do que foi feito, não chegaram a eles. O que essas pessoas sentem é o problema da renda baixa e da baixa qualidade de vida, consequência da péssima política de saúde pública, de educação, de saneamento básico”, disse.
Sempre que precisa mostrar realizações, Temer recorre à economia, o que justificaria o lançamento de Meirelles ao Planalto. Também há, no entanto, uma leitura política no cálculo.
O MDB é uma federação de caciques. Com Meirelles, o presidente lança sua peça pelo país em busca de consenso enquanto dedica suas energias aos incêndios que com frequência impressionante surgem ao redor do Planalto.
Outro ponto é que, ao erguer o braço do aliado, Temer também aproveita para permitir que Meirelles mergulhe em um sonho que carrega desde quando presidia o Banco Central nos governos de Lula. O ex-banqueiro sempre cultivou a vontade de ser presidente da República.
Mas nas últimas pesquisas, o ex-ministro apareceu com 1% das intenções. Não terá do que reclamar se, em dois meses, não decolar e Temer mudar os planos.
Então, mais à frente poderá virar o vice de alguma chapa de centro? Talvez seja mais interessante perguntar primeiro quem está disposto a se associar ao MDB, depois de sangrias estancadas, áudios suspeitos e malas misteriosas. Afinal, Meirelles é o governo Temer em tudo o que fez de bom e, principalmente, em tudo o que fracassou.
Conversas criativas
Faltam três meses para o início das campanhas eleitorais, e estão a todo vapor as tratativas de pré-candidatos com marqueteiros.
Parceria feminina
Rose de Freitas teve conversas com a experiente Jane Mary de Abreu. Segundo interlocutores da senadora, a parceria tem grandes chances de se confirmar para a campanha.
Parceria diferente
O PSB de Renato Casagrande tem mantido conversas com marqueteiros de outros Estados que, embora experientes, nunca atuaram no Espírito Santo.
Parceria repetida?
Jorge Oliveira, o criador de “Abrace o Paulo”, confirma a existência de “telefonemas e conversas” com Hartung sobre assumir o marketing da campanha à reeleição dele. Nada acertado porque, como frisou o próprio marqueteiro, Hartung ainda não se declarou pré-candidato.
Perto do fim
Está desde ontem com o ministro Roberto Barroso o inquérito de Ricardo Ferraço, originado na Lava Jato. O ministro havia determinado que a PF concluísse até maio as investigações. Barroso poderá arquivar o caso ou não.
Do lado dos PMs
Será no Clube dos Oficiais da PM o lançamento da pré-candidatura de Marcos do Val (PPS) ao Senado, em 8 de junho. Aliado dos militares, Do Val diz que tomará a decisão sobre quem apoiar a presidente com Renato Casagrande. Então, a princípio, não será o Bolsonaro.

Vitor Vogas

Vitor Vogas Vitor Vogas

Vitor Vogas é jornalista com atuação na imprensa capixaba há quase 20 anos. Cobriu várias eleições. De 2008 a 2021, trabalhou na Rede Gazeta, como repórter e colunista de Política. Também foi comentarista da CBN. Em 2026, após passagens por veículos da Rede Capixaba e do Grupo Sim, voltou a assinar esta coluna. Aqui, diariamente, você encontra informações de bastidores e análises em profundidade sobre o cenário político do Espírito Santo.

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