Evair de Melo e Marcus Vicente, ambos do PP, são os dois capixabas mais perto da importante Comissão Mista do Orçamento. Ambos conseguiram vagas de suplente
O lançamento das bases para uma recuperação econômica sólida no Brasil deve, de fato, ser creditado a Henrique Meirelles, o pré-candidato oficial do MDB à Presidência. Em um cenário de incertezas, derrubar a inflação de 10% para 3%, os juros de 14,25% para 6,5% e superar dois anos de quedas de 3,5% no PIB permitem que o ex-ministro reivindique algumas honras. Mas daí a dizer que Meirelles está cacifado para lançar uma candidatura competitiva ao Planalto, como fez a cúpula partidária ontem, é querer um pouco demais. É, no mínimo, sonhar com o despertar de um imenso e repentino otimismo no seio do eleitorado brasileiro.
Há uma série de medidas econômicas consideradas saneadoras que dão pontas de orgulho a Meirelles e a Michel Temer: PEC do teto de gastos, reforma trabalhista, a preocupação fiscal e a introdução da reforma da Previdência na agenda nacional.
Contudo, parece haver um hiato entre tudo isso e a vida do brasileiro médio. O país vem perdendo 1 milhão de vagas formais de trabalho por ano, de 2014 para cá, são 27,7 milhões de brasileiros desempregados, subutilizados ou que desistiram de procurar emprego. Para piorar, essa é uma camada social que não encontra regozijo nos serviços públicos ofertados.
Além do mais, a retomada não é tão reluzente. Após dois anos de queda, o PIB cresceu um único por cento em 2017 e a previsão para 2018 acaba de ser revista de 2,97% para 2,5%.
Assim, é pouco provável que o Brasil de carne e osso associe Meirelles a saltos na qualidade de vida. Para a economista Arilda Teixeira, Meirelles e sua equipe “comparável apenas a do Plano Real”, foram capazes de só iniciar os ajustes.
“Esse grupo de brasileiros não percebeu os benefícios do que foi feito, não chegaram a eles. O que essas pessoas sentem é o problema da renda baixa e da baixa qualidade de vida, consequência da péssima política de saúde pública, de educação, de saneamento básico”, disse.
Sempre que precisa mostrar realizações, Temer recorre à economia, o que justificaria o lançamento de Meirelles ao Planalto. Também há, no entanto, uma leitura política no cálculo.
O MDB é uma federação de caciques. Com Meirelles, o presidente lança sua peça pelo país em busca de consenso enquanto dedica suas energias aos incêndios que com frequência impressionante surgem ao redor do Planalto.
Outro ponto é que, ao erguer o braço do aliado, Temer também aproveita para permitir que Meirelles mergulhe em um sonho que carrega desde quando presidia o Banco Central nos governos de Lula. O ex-banqueiro sempre cultivou a vontade de ser presidente da República.
Mas nas últimas pesquisas, o ex-ministro apareceu com 1% das intenções. Não terá do que reclamar se, em dois meses, não decolar e Temer mudar os planos.
Então, mais à frente poderá virar o vice de alguma chapa de centro? Talvez seja mais interessante perguntar primeiro quem está disposto a se associar ao MDB, depois de sangrias estancadas, áudios suspeitos e malas misteriosas. Afinal, Meirelles é o governo Temer em tudo o que fez de bom e, principalmente, em tudo o que fracassou.
Conversas criativas
Faltam três meses para o início das campanhas eleitorais, e estão a todo vapor as tratativas de pré-candidatos com marqueteiros.
Parceria feminina
Rose de Freitas teve conversas com a experiente Jane Mary de Abreu. Segundo interlocutores da senadora, a parceria tem grandes chances de se confirmar para a campanha.
Parceria diferente
O PSB de Renato Casagrande tem mantido conversas com marqueteiros de outros Estados que, embora experientes, nunca atuaram no Espírito Santo.
Parceria repetida?
Jorge Oliveira, o criador de “Abrace o Paulo”, confirma a existência de “telefonemas e conversas” com Hartung sobre assumir o marketing da campanha à reeleição dele. Nada acertado porque, como frisou o próprio marqueteiro, Hartung ainda não se declarou pré-candidato.
Perto do fim
Está desde ontem com o ministro Roberto Barroso o inquérito de Ricardo Ferraço, originado na Lava Jato. O ministro havia determinado que a PF concluísse até maio as investigações. Barroso poderá arquivar o caso ou não.
Do lado dos PMs
Será no Clube dos Oficiais da PM o lançamento da pré-candidatura de Marcos do Val (PPS) ao Senado, em 8 de junho. Aliado dos militares, Do Val diz que tomará a decisão sobre quem apoiar a presidente com Renato Casagrande. Então, a princípio, não será o Bolsonaro.
Vitor Vogas é jornalista com atuação na imprensa capixaba há quase 20 anos. Cobriu várias eleições. De 2008 a 2021, trabalhou na Rede Gazeta, como repórter e colunista de Política. Também foi comentarista da CBN. Em 2026, após passagens por veículos da Rede Capixaba e do Grupo Sim, voltou a assinar esta coluna. Aqui, diariamente, você encontra informações de bastidores e análises em profundidade sobre o cenário político do Espírito Santo.