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Boxe

Capixaba Esquiva Falcão vende medalha olímpica de prata conquistada em Londres 2012

Boxeador explica os motivos da negociação

Publicado em 19 de Abril de 2026 às 01:53

Sidney Magno Novo

Publicado em 

19 abr 2026 às 01:53

O boxeador capixaba Esquiva Falcão vendeu a medalha de prata conquistada nos Jogos Olímpicos de Londres 2012, resultado histórico obtido após campanha marcante na categoria peso médio e que colocou o Brasil em evidência no cenário olímpico da modalidade. A negociação, confirmada pelo próprio atleta, envolve a maior conquista de sua carreira.


Esquiva fez questão de esclarecer que não se trata apenas de dificuldades financeiras, mas de uma escolha ligada ao futuro da família e a projetos pessoais, como a estruturação de sua academia.


"Eu não vendi a medalha por dívida financeira. Dívida todo mundo tem, né? Um pai de família com três crianças tem dívida. Mas esse não foi o motivo da venda da medalha. Hoje eu tenho uma reserva, não é muito, mas eu tenho. Um dos motivos que eu vendi a medalha foi porque eu quero abrir a minha própria academia. Hoje eu tenho uma, mas o lugar que eu quero estar é alugado. Além disso, quero dar uma vida melhor para os meus filhos. Esse é um dos grandes motivos e quero deixar bem claro também: ninguém vende a medalha porque quer, sempre existe um motivo."


Negociação, comprador e valor

O pugilista de 36 anos revelou que a negociação teve início após ser procurado por um colecionador, por meio de uma rede social. A partir daí, segundo ele, começou um período de reflexão antes de tomar a decisão final.


"Quando eu vi a oportunidade dessa pessoa entrar em contato comigo pelo Instagram, falando que queria comprar a minha medalha, eu pensei muito. Vi todo o filme passar pela minha cabeça, tudo o que eu conquistei. Meu pensamento me levou lá em 2012, em Londres, quando eu conquistei a medalha olímpica. Eu olhei para ela e falei: estou com ela já há quase 14 anos. O Brasil não valoriza, a medalha fica guardada 10, 20, 30, 40, 50, 60 anos, e a minha história nunca vai ser apagada. Eu vou morrer e minha história não vai ser apagada."


Esquiva explicou ainda que não pode divulgar nem o nome do comprador nem o valor da negociação, em cumprimento a uma cláusula de confidencialidade prevista em contrato. Ainda assim, destacou que o montante será fundamental para seus planos pessoais e profissionais.


"Negociamos o valor, não vou falar porque nós combinamos. Também não vou falar o nome da pessoa porque não tenho autorização. Mas foi um valor que vai me ajudar muito na construção da minha academia, na base da minha família, dos meus filhos."


O boxeador também revelou que a medalha ainda não foi entregue e que o comprador, um colecionador, deve ir até sua casa no dia 30 de abril para concluir a retirada.


"Eu ainda não entreguei a medalha. A pessoa vai buscar, ela vem buscar no dia 30."


Mesmo após o acordo firmado, Esquiva admitiu o peso emocional da decisão e revelou que ainda cogitou desistir da venda.


"Eu não estou feliz, porque é muito triste um atleta olímpico vender a medalha. Eu ainda não entreguei a medalha e já pensei várias vezes em voltar atrás, mas eu dei a minha palavra. Sou um homem de palavra, mesmo arrependido."

Falta de apoio e desabafo

Esquiva Falcão e sua medalha olímpica
Reprodução/TV Gazeta

Triste pelo fato de ter vendido a sua medalha, Esquiva direcionou críticas à ausência de políticas públicas e de representantes que, segundo ele, defendam os interesses dos atletas no país, especialmente após o ciclo olímpico.


"Hoje, no Brasil, nós não temos ninguém que eu veja lutando pelo esporte, que esteja lá em Brasília, algum governante que lute pelo esporte, pelos medalhistas olímpicos. Eu tentei chamar a atenção de grandes mídias, de podcast, falar sobre isso, mas ninguém dá ouvido. No Brasil, nós gostamos de campeões, mas quando passa, acabou."


O pugilista também contextualizou a situação enfrentada por medalhistas de sua geração, destacando a falta de incentivos financeiros à época de sua conquista olímpica e as dificuldades na transição para o profissional.


"Em 2012, foi o último ano em que o medalhista olímpico ganhava medalha e não recebia nada. Depois de 2016 em diante, começaram a ganhar bônus. Eu ganhei a medalha, abri muitas portas, assinei contrato com empresa profissional, saí do boxe olímpico e fui para o boxe profissional. E nisso o governo, naquele tempo, deixou de apoiar o atleta. Eu não recebia mais Bolsa Atleta, não recebia nada. Ficou mais difícil. Eu vivia das minhas lutas e de patrocinadores, mas os patrocinadores foram parando."


O capixaba também relembrou momentos críticos, como durante a pandemia, quando precisou buscar alternativas fora do esporte para se manter, ao mesmo tempo em que ressaltou a importância do apoio privado para a continuidade da carreira.


"Na pandemia, eu até tentei vender a medalha, mas ficou muito difícil. Eu comecei a vender pizza, levava a medalha olímpica comigo. Foi quando a Havan e a KTO começaram a me patrocinar. Eles me ajudaram muito. O atleta hoje precisa de patrocinador para se manter ativo, para treinar e lutar. No Brasil, o boxe é muito desvalorizado. O esporte é muito desvalorizado. Aqui, a maior valorização é do futebol masculino."


Por fim, mesmo diante das críticas, Esquiva reforçou que sua trajetória permanece intacta e destacou o valor simbólico da conquista, separando a venda do objeto de sua história no esporte.


"Eu sempre falo: eu vendi a medalha, mas não vendi a minha história. Eu continuo sendo um medalhista olímpico. A medalha é um símbolo, mas a minha história vale muito mais."


A decisão reacende o debate sobre o suporte oferecido a atletas olímpicos no Brasil e evidencia os desafios enfrentados mesmo por nomes consagrados no cenário internacional.

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