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Vitor Vogas

Ivan Carlini: poder e durabilidade na Câmara de Vila Velha

"Evanescente" é o que é efêmero, o que dura pouco. "Ivanescente" é o seu antônimo

Publicado em 07 de Maio de 2018 às 22:55

Públicado em 

07 mai 2018 às 22:55
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas Vitor Vogas
Crédito: Amarildo
Perto das 18h30 desta segunda (07), a sessão plenária da Câmara de Vila Velha se encaminha para os momentos finais, sob a condução do presidente, Ivan Carlini (DEM). Eis que, de surpresa, o prefeito Max Filho (PSDB) aparece, acompanhado por seu vice, Jorge Carreta (Avante). Enquanto Max se lança a um corpo a corpo e cumprimenta conhecidos nas galerias relativamente cheias, alguns vereadores, como Tia Nilma (PRP), aproveitam a chance para desfiar críticas à administração de Max diante do chefe do Executivo. Nisso, o próprio Ivan intervém:
– Peço desculpas ao prefeito, mas esses mesmos vereadores que criticam o senhor também apoiam aqui os projetos da prefeitura.
Max tira por cima:
– Não, não... É democrático!
Pouco antes de Ivan dar a sessão por encerrada, o 1º secretário da Mesa, Osvaldo Maturano (PRB), exalta as virtudes conciliatórias do presidente: “Se sair uma charge sua no jornal de amanhã, tem que ser vestido de bombeiro, com um extintor na mão”. Não foi.
Logo após a sessão, Max, Carreta e um séquito de vereadores sobem ao gabinete de Ivan, onde, um a um, incluindo o prefeito, são recebidos com abraços calorosos do eterno presidente. No gabinete, o clima é festivo. Enquanto a coluna entrevista vereadores individualmente, a mesa é sortida com um menu de quitutes populares ao estilo Ivan Carlini: broa, banana-da-terra e aipim cozidos.
E assim, nesse clima, desenha-se o cenário para a recondução de Ivan à presidência da Câmara, por mais um biênio (o 6º seguido), totalizando doze anos no poder. A eleição da Mesa Diretora que comandará a Casa no biênio 2019-2020 está marcada para o dia 4 de junho. E, até por falta de outro candidato que tope desafiar sua hegemonia, a tendência é que o resultado seja o mesmo das últimas vezes: Ivan de novo, nos braços do povo, encabeçando chapa única.
Pelo menos é o que tudo indica. Tudo, menos o próprio Ivan. Fiel ao seu estilo também nisso, o presidente só deve tirar a cabeça da toca na hora certa, isto é, na semana da eleição. À coluna, afirmou que trabalha para lançar e apoiar o atual líder do prefeito na Casa, Rogério Cardoso (DEM). “Não sou candidato”, insiste ele, como sempre, contra todas as evidências. Também como sempre, porém, mantém essa porta aberta: se ninguém mais quiser, se for um chamamento dos colegas etc., não pode se recusar. Bem, não seja por isso: “Ainda que ele não quisesse, o pessoal faz ele querer. Não existe movimento contrário, não tem nada que impeça o Ivan. Só se ele não quiser”, resume um ivanista.
O próprio Cardoso afirma que eles buscarão construir o consenso entre todos os edis. Não descarta ser lançado por Ivan, mas admite: “O Ivan é natural. É natural o nome dele figurar, pela gestão que ele vem fazendo”. “Natural” também é o termo usado por Arnaldinho Borgo (PMDB), principal oposicionista do prefeito na Câmara. “É pouco provável que seja diferente o quadro. Até porque ninguém se colocou como candidato à presidência ainda. Então, natural seria a recondução do Ivan.”
Esta próxima eleição da Mesa tem importância política redobrada por causa do lançamento da pré-candidatura de Jorge Carreta a deputado federal com apoio de Max Filho – ontem, na Câmara, ele até já pedia votos. Caso Carreta seja eleito, o cargo de vice fica vago e, no próximo biênio, o presidente da Câmara será o primeiro na linha de substituição do prefeito em caso de renúncia, afastamento, morte, férias ou licença (por exemplo, se Max viajar ao exterior). É claro que isso dependeria de uma grande combinação de fatores. Mas em tese, se Ivan se reeleger presidente, ele pode até vir a assinar como prefeito de Vila Velha, mesmo que por apenas poucos dias. “Não tenho essa vaidade”, afasta ele. Vaidade, pode até não ter. Já poder...
Aliás, poder e durabilidade. “Evanescente” é o que é efêmero, o que dura pouco. “Ivanescente” é o seu antônimo.
O escudeiro de Ivan
Depois de Ivan Carlini, Rogério Cardoso é o vereador mais experiente na Câmara de Vila Velha: está em seu quarto mandato. Considerado moderado e de fácil trato, tem bom trânsito entre os colegas e, embora seja o líder do prefeito, é considerado politicamente mais próximo de Ivan do que de Max Filho. Por esses fatores, não seria totalmente espantoso se Ivan decidisse abrir mão de novo biênio na presidência em favor do aliado.
Exceto por um “detalhe”
Não seria, não fosse por um motivo: nenhum dos vereadores ouvidos pela coluna acredita de verdade que Ivan queira abrir mão do cargo, tampouco nessa hipótese de ele lançar Cardoso. É só cortina de fumaça.
Voto contra de honra
Pelo andar da carruagem, o único que não votará em Ivan, pela ausência de alternância no poder, é Ricardo Chiabai (PPS), um dos três que não votaram nele em janeiro de 2017. Os outros dois foram Bruno Lorenzutti (Pode) e Heliosandro Mattos (PR). Este se converteu em aliado de Ivan e foi, inclusive, o “porteiro” de sua iminente reeleição: criou a brecha regimental que reabriu a possibilidade de reeleição dos membros da Mesa Diretora.
Ivan: questão bairrista
A coluna apurou que Ivan chegou a abordar Chiabai duas vezes, argumentando que ele seria o único a não referendar sua reeleição. Ivan admite que eles conversaram. “Chiabai tem feito vários elogios à minha administração e tenho grande admiração por ele. Ele alega que não vota em mim porque tem um grupo da Praia da Costa que não quer que ele vote em mim. Ele já disse isso umas dez vezes para mim. Subentende-se que talvez por eu ser de um bairro pobre (Cobilândia).”

Vitor Vogas

Vitor Vogas Vitor Vogas

Vitor Vogas é jornalista com atuação na imprensa capixaba há quase 20 anos. Cobriu várias eleições. De 2008 a 2021, trabalhou na Rede Gazeta, como repórter e colunista de Política. Também foi comentarista da CBN. Em 2026, após passagens por veículos da Rede Capixaba e do Grupo Sim, voltou a assinar esta coluna. Aqui, diariamente, você encontra informações de bastidores e análises em profundidade sobre o cenário político do Espírito Santo.

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