Dois “pós”, um relativo a Lula, outro a Temer, ameaçam a nossa qualidade de vida. Afinal, a influência da política na economia bate no bolso de cada cidadão.
O possível bloqueio da candidatura de Lula amplia incertezas no embate eleitoral. Já o desejo de Temer de disputar a presidência, desta vez pelo voto, cheira a encenação de um político experiente, do tipo que “conserta relógio de pulso usando luvas de boxe”, como dizia Ulysses Guimarães. Seria estratégia de marketing para evitar a sarneyzação do fim do mandato, ou seja, o esmorecer dramático do governo com a falência múltipla de suas forças políticas.
Se Temer evitar ser tratado como “ex” ainda ocupando o cargo, poderá haver ganhos para a economia. Os prejuízos seriam menores, notadamente no campo fiscal. Teoricamente, diminuiriam pressões fisiológicas por benesses tributárias e mais despesas.
As contas públicas são o ponto central das análises das heranças do petismo e de Temer para a economia. O ano de 2018 é o quinto seguido em que os dispêndios da União superam a arrecadação. E o buraco deve continuar aberto até 2021. Nesse período teremos política fiscal restritiva, sem resolver muito as coisas, mesmo que o novo governo realize já em 2019 uma reforma razoável na Previdência.
FHC também tem culpa nesse rolo. Números do Tesouro mostram que de 1997 a 2014, os gastos primários da União (que excluem desembolso com os juros da dívida) cresceram, em média, 6,3% ao ano acima da inflação. É claro, a dívida federal subiu como um foguete. Triplicou, de R$ 1,1 trilhão em 2004 para R$ 3,1 trilhões em 2016. A previsão é de que chegue a R$ 3,9 trilhões no final deste ano – apesar da redução contínua dos juros desde outubro de 2016. Isso assusta até o investidor mais otimista.
A preocupação com o cenário fiscal legado ao próximo governo é grande. Se nada for feito para conter as despesas obrigatórias, o teto de gastos, que limita o crescimento das despesas à variação da inflação, deve estourar já em 2019, como apontou a Instituição Fiscal Independente (IFI). Afetará a relação dívida pública/PIB, ampliando desconfianças nos mercados. Será mais um entrave à expansão da economia.
E então, que presidente e Congresso elegeremos?
* O autor é jornalista