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Estadão

Quem é Malévola Alves, influenciadora brasileira detida no Egito aos 22 anos

Estadão Conteúdo

Publicado em 21 de Outubro de 2026 às 10:59

A influenciadora digital Malévola Alves, de 22 anos, ganhou repercussão internacional nesta terça-feira, 20, após ser presa em Alexandria, no Egito, durante uma viagem com uma amiga, sob acusação de gravar e divulgar vídeos com supostas insinuações sexuais, segundo o Ministério do Interior egípcio.

Procurado pelo Estadão, o Ministério das Relações Exteriores informou que a Embaixada do Brasil no Cairo está à disposição para prestar assistência consular às brasileiras, quando solicitada. O Itamaraty ressaltou, porém, que não divulga informações pessoais de cidadãos que recorrem aos serviços consulares nem detalhes específicos da assistência prestada.

Conhecida pelo humor ácido, pelas publicações sobre estilo de vida e por declarações que costumam repercutir nas redes sociais, a brasileira relatou momentos de desespero depois de ser levada a uma delegacia.

O caso foi confirmado pelo Ministério do Interior egípcio, que atribuiu a detenção à divulgação de vídeos considerados obscenos pelas autoridades locais.

Nos vídeos que circularam nas redes sociais, Malévola Alves e a amiga Bruna aparecem dançando funk dentro de um táxi. Em uma das cenas, Bruna acaricia um dos homens, enquanto a influenciadora força uma aproximação entre os dois para provocar um beijo. Em outro registro, Malévola dança com as pernas erguidas no banco traseiro de um carro, enquanto Bruna encosta a cabeça do motorista em seus seios. Na sequência, a influenciadora grava homens dando tapas em suas nádegas pela janela do veículo.

Antes da confirmação oficial, Malévola já havia recorrido às redes sociais para pedir ajuda. Segundo o relato da influenciadora, policiais interromperam o passeio, recolheram os passaportes das duas brasileiras e fizeram perguntas sobre a identidade de gênero delas.

"Estamos na delegacia, estamos desesperadas. Eu não sei o que vai acontecer ou o que vão fazer com a gente. Pegaram todos os nossos passaportes e pararam nossa van no meio do passeio", escreveu.

A notícia provocou preocupação entre seguidores e levantou questionamentos sobre as circunstâncias da abordagem. Enquanto Malévola relatou ter sido questionada por ser uma mulher trans, o governo egípcio apresentou outra justificativa para a detenção: o conteúdo dos vídeos publicados na internet. A investigação foi encaminhada à Promotoria Pública do país.

Quem é Malévola Alves?

Malévola Alves é o nome artístico de Mariana Alves Gadelha Pereira, influenciadora trans brasileira natural de São Bernardo do Campo, na região metropolitana de São Paulo. Aos 22 anos, ela construiu sua presença digital com vídeos sobre a própria rotina, além de publicações marcadas por comentários provocativos.

A brasileira reúne cerca de 900 mil seguidores no TikTok e chegou a acumular aproximadamente 1,9 milhão no Instagram. Na plataforma de fotos e vídeos, após a desativação de sua conta principal, ela passou a utilizar um perfil secundário, que também conquistou milhares de seguidores.

O nome artístico faz referência à personagem Malévola, conhecida como uma das vilãs da Disney. Segundo a influenciadora, a identificação com a personagem está relacionada à capacidade de se reconstruir depois de enfrentar situações difíceis.

Repercussão de Malévola nas redes

A projeção de Malévola não ficou restrita às publicações nas redes sociais. Em 2024, ela participou do Rancho do Maia, reality show criado pelo influenciador Carlinhos Maia, conhecido por reunir criadores de conteúdo em uma programação acompanhada pela internet.

A participação ampliou sua exposição para além dos seguidores que já acompanhavam seus vídeos. Desde então, a influenciadora continuou compartilhando registros pessoais, produções de moda e experiências durante viagens, mantendo uma presença frequente nas plataformas digitais.

Parte de sua popularidade também está ligada à repercussão de situações vividas fora da internet. Alguns episódios envolvendo a influenciadora dividiram opiniões e deram origem a discussões sobre comportamento, discriminação e limites da exposição pública.

Polêmicas envolvendo a influenciadora

Em março de 2026, Malévola afirmou ter sido vítima de transfobia durante uma sessão de um musical em São Paulo. O relato repercutiu nas redes sociais e gerou discussões entre internautas sobre o tratamento dispensado a pessoas trans em espaços públicos.

Em outra ocasião, ela relatou ter reagido depois que um garçom se dirigiu a uma amiga trans utilizando o pronome de tratamento "senhor". O episódio também circulou amplamente na internet, com manifestações de apoio e críticas à forma como a situação foi conduzida.

Já em 2024, um vídeo em que a influenciadora recusava uma interação com uma criança durante uma ação de distribuição de chocolates na Páscoa provocou críticas. O episódio teve repercussão negativa e passou a integrar o histórico de controvérsias associadas à sua imagem pública.

A detenção no Egito ganhou dimensão por envolver autoridades estrangeiras, uma investigação criminal e preocupações manifestadas pela brasileira sobre sua segurança.

Por que Malévola foi presa no Egito?

Em comunicado divulgado nesta terça-feira, 20, o Ministério do Interior egípcio informou que duas turistas estrangeiras haviam sido identificadas e detidas após a circulação de vídeos nas redes sociais.

De acordo com a versão oficial, as imagens mostrariam gestos com conotação sexual e abordagens a pessoas que passavam pelas ruas. As autoridades classificaram o conteúdo como obsceno e afirmaram que as duas mulheres admitiram ter gravado e publicado os vídeos com o objetivo de aumentar o número de visualizações.

O ministério também informou que foram adotadas medidas legais e que o caso foi encaminhado à Promotoria Pública.

Essa é a justificativa apresentada pelas autoridades egípcias. Até a última atualização pública consultada, não havia confirmação de condenação das brasileiras pelos atos atribuídos a elas.

Como pessoas LGBT são tratadas no Egito?

O caso também chama atenção para as restrições enfrentadas por pessoas LGBT no Egito, país de maioria muçulmana onde normas sociais conservadoras convivem com denúncias de discriminação e perseguição.

Embora a legislação egípcia não criminalize expressamente todas as relações consensuais entre pessoas do mesmo sexo, dispositivos relacionados à moralidade pública e à chamada devassidão têm sido utilizados pelas autoridades em investigações e processos que atingem pessoas LGBT. Organizações internacionais de direitos humanos também denunciam detenções arbitrárias e abusos contra essa população.

No caso das brasileiras, é importante distinguir as preocupações levantadas pelo relato de Malévola da justificativa formal apresentada pelo governo egípcio. A influenciadora afirmou ter sido questionada sobre sua identidade de gênero, enquanto as autoridades atribuíram a detenção à gravação e à publicação de vídeos considerados obscenos.

Influenciadora relatou perguntas sobre identidade de gênero

Além de manifestar preocupação com a detenção, Malévola afirmou que os policiais perguntaram se ela e a amiga, identificada como Bruna, eram mulheres trans.

"Se eu sumir, vocês já sabem. Não sei o que fazer ou pedir para vocês. Eles perguntaram se eu e a Bruna éramos trans e não sabemos de mais nada. Estou desesperada. Alguém de Alexandria?", escreveu em outra publicação.

O relato gerou preocupação entre seguidores e levantou dúvidas sobre a possibilidade de discriminação durante a abordagem. A equipe da influenciadora também demonstrou apreensão com o tratamento recebido pelas duas brasileiras.

Até o momento, no entanto, as autoridades egípcias não apontaram a identidade de gênero das viajantes como motivo oficial da prisão. O comunicado do Ministério do Interior relacionou a detenção aos vídeos divulgados na internet e às condutas atribuídas às duas mulheres.

Defesa busca assistência diplomática

Após a repercussão do caso, o advogado Jonatha Carvalho Matos informou que a equipe jurídica de Malévola iniciou contatos com a Embaixada do Brasil no Cairo e com autoridades egípcias.

Em nota, a defesa afirmou que acompanha a situação de forma prioritária e que busca garantir a integridade física, a segurança e os direitos legais da influenciadora durante os procedimentos no país.

Os representantes jurídicos também pediram cautela na divulgação de informações não confirmadas e informaram que eventuais atualizações seriam comunicadas pelos canais oficiais da defesa.

Até a última atualização pública consultada, não havia confirmação da libertação de Malévola e da amiga.

A investigação segue sob responsabilidade da Promotoria Pública egípcia, enquanto a defesa busca assistência diplomática para acompanhar a situação das duas brasileiras.

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