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Tricolor em crise

Conselho aprova impeachment e afasta Julio Casares da presidência do São Paulo

O pedido de destituição, protocolado em 23 de dezembro, tem como base a suspeita de uso irregular de camarotes do Morumbis durante shows

Publicado em 17 de Janeiro de 2026 às 08:58

Agência FolhaPress

Publicado em 

17 jan 2026 às 08:58
O Conselho Deliberativo do São Paulo aprovou nesta sexta-feira (16) o afastamento de Julio Casares da presidência do clube. Na votação do impeachment, 188 conselheiros votaram contra sua permanência no cargo. Foram 45 votos pela rejeição do pedido e dois em branco.
Júlio Casares, presidente do São Paulo
O pedido de destituição de Casares, protocolado em 23 de dezembro, tem como base a suspeita de uso irregular de camarotes do Morumbis durante shows Crédito: Divulgação/SPFC
A queda de Casares, que ainda precisa passar por assembleia dos sócios, é consequência do derretimento de seu capital político, provocado por uma série de escândalos que abalaram a gestão. O vice-presidente Harry Massis Junior, 80, assume o cargo interinamente.
O pedido de destituição, protocolado em 23 de dezembro, tem como base a suspeita de uso irregular de camarotes do Morumbis durante shows.
Em dezembro, o site ge.com divulgou áudios que indicariam um suposto esquema de venda clandestina de ingressos de um camarote reservado à presidência em dias de eventos musicais no estádio.
Após a divulgação do material, Mara Casares, então diretora feminina, cultural e de eventos e ex-esposa do presidente, e Douglas Schwartzmann, diretor-adjunto do futebol de base, se afastaram de seus cargos.
Durante a sessão do Conselho, faixas chamando Mara de "ratazana" e Douglas de "ladrão" foram estendidas nas ruas em frente ao Morumbis. Torcedores organizados também levaram um carro de som para conduzir os protestos, que teve ainda xingamentos contra Casares e pressão para que a reunião fosse realizada. "Se não votar, o pau vai quebrar", eles gritavam.
Nas últimas semanas, enquanto o caso do camarote ganhava repercussão, a Polícia Civil já mantinha um inquérito aberto, com frentes de investigação distintas: uma sobre supostas irregularidades no departamento de futebol e outra relacionada às contas bancárias do São Paulo Futebol Clube e de Julio Casares.
A Polícia Civil apura, por exemplo, o recebimento de R$ 1,5 milhão em depósitos em dinheiro nas contas pessoais do dirigente. Outra linha de investigação tenta esclarecer a realização de 35 saques nas contas do clube entre 2021 e 2025, que somam R$ 11 milhões.
Os advogados Daniel Bialski e Bruno Borragine, que representam Casares, afirmaram que as movimentações financeiras apontadas em relatório do Coaf "têm origem lícita e legítima, compatível com a evolução da capacidade financeira" do dirigente.
Segundo a defesa, antes de assumir a presidência do São Paulo, Casares ocupou cargos de alta direção na iniciativa privada, com remuneração elevada. A origem dos recursos, afirmam os advogados, será esclarecida ao longo das investigações, com a apresentação de documentos e declarações fiscais.
Com o afastamento imediato do mandatário, o vice-presidente Harry Massis Junior, 80, assume o cargo de forma interina. Empresário, ele integrou a gestão de Casares no primeiro triênio, entre 2021 e 2023, e também a chapa reeleita para o segundo mandato, entre 2024 e 2026.
Massis faz parte do grupo político Vanguarda, que recentemente deixou a coalizão de apoio a Casares, e votou a favor do impeachment.
"Hoje não é um dia simples para o nosso clube. É um dia de responsabilidade. Assumo a presidência com muito respeito à história dessa instituição e principalmente a torcida, que é o maior patrimônio que nós temos. Todos sabem que vivemos um momento difícil. Existem investigações em andamento e elas precisam ser tratadas com seriedade, calma, respeito às instituições e ao direito de defesa de cada pessoa envolvida", afirmou Massis.
"Estou triste. Não era isso que eu queria. O São Paulo não merece o que aconteceu. Nunca gostaria de ter assumido assim", acrescentou.
Agora, o presidente do Conselho Deliberativo, Olten Ayres, deverá convocar uma Assembleia Geral em até 30 dias para que os sócios do clube também votem o afastamento.
A reunião desta sexta-feira ocorreu de forma híbrida. Na última segunda-feira (12), a 3ª Vara Cível do Butantã concedeu liminar autorizando a realização do encontro de maneira presencial e online. A decisão também estabeleceu que seriam necessários 170 votos para a destituição.
A juíza responsável não identificou conflito entre os artigos 58 e 112 do Estatuto Social do São Paulo, como havia sido questionado pelo presidente do Conselho. Segundo a magistrada, era exigido quórum mínimo de 75% (191 conselheiros) para a realização da reunião, mas apenas dois terços dos votos favoráveis para o afastamento do presidente.
Atualmente, o Conselho Deliberativo do São Paulo é composto por 255 membros, sendo 254 aptos a votar. A votação ocorreu por meio de voto secreto.

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