Nos pênaltis, o Porto Vitória conquistou o pentacampeonato do Campeonato Capixaba Sub-11. Mas, para que a decisão chegasse às penalidades, um jovem descendente do povo tupiniquim, chamado Bryan Pereira, precisou entrar em campo e mudar a história da partida. Não coincidentemente, em tupiniquim, seu nome é Irãguasu, que significa “grande futuro”. Mas, na decisão do Estadual, Bryan mostrou que, enquanto esse futuro não chega, ele já é um grande presente.
Disputada em dois tempos de 25 minutos, a final teve o Doze abrindo o placar aos 20 minutos da primeira etapa. No segundo tempo, Bryan entrou em campo e mudou o rumo da decisão. O jovem tupiniquim sofreu a falta, foi para a cobrança e colocou a bola na área. O goleiro adversário não conseguiu segurar e, no rebote, o zagueiro Artur Rosa deixou tudo igual para o Porto Vitória. Nos pênaltis, Bryan também converteu sua cobrança e ajudou a equipe a conquistar mais um título estadual.
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"Nem tenho palavras como dizer, naquela hora eu falei agora é a hora. Deus me deu a oportunidade, eu fiquei muito alegre, primeira vez que sou campeão estadual de futebol", disse Bryan
Natural da Aldeia Pau Brasil, em Aracruz, Bryan viralizou nas redes sociais em 2025 após aparecer jogando futsal e futebol com o corpo pintado com os grafismos de seu povo, algo inédito no futebol do Espírito Santo até então. A repercussão chamou a atenção do Porto Vitória, que o viu em ação e fez o convite para que o jovem participasse de uma peneira no clube.
Me viram jogando e foram atrás de mim, me chamaram pra fazer a peneira e passei, depois de cinco semanas treinando fui aprovado e fiquei muito feliz
Bryan Pereira Jogador de futebol
Acostumado a chamar atenção e gerar curiosidade pelos grafismos pintados pelo corpo, Bryan faz questão de levar sua cultura para dentro do campo. Para ele, as pinturas não são apenas um detalhe visual. Elas carregam sua história, sua espiritualidade e a presença de seus ancestrais.
"Representa vários sentimentos, mas, para mim, representa espiritualidade, ancestralidade e proteção. Eu me sinto feliz quando jogo. Não importa se é uma pintura mais detalhada ou não, o que importa é estar representando", contou Bryan.
Mas, antes de vestir a camisa do Porto Vitória e chamar a atenção pelo futebol e pela representatividade, Bryan já acompanhava de perto outro jogador: o próprio pai, Maik. Desde pequeno, ele ia aos jogos da comunidade para assistir ao pai atuar e, quando não podia acompanhá-lo, ficava em casa, inconformado, batendo bola e sonhando com o momento em que também poderia entrar em campo.
Em uma final em que Bryan foi decisivo para o pentacampeonato, o significado de “grande futuro” ganhou ainda mais força. Talvez o futuro de Irãguasu esteja, de fato, adiante. Mas, a cada partida, o jovem já começa a construir um legado que vai muito além do menino que entra em campo com seus grafismos no corpo. Um legado que carrega a história de seu povo, a força de suas raízes e que, quem sabe, ainda seja muito maior do que ele próprio é capaz de imaginar.