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Carlos Alberto Di Franco

Falta especialização na cobertura religiosa

A correta informação sobre Igreja passa pelo reconhecimento de seu papel na sociedade e pelo seu direito de transitar no espaço público

Publicado em 18 de Maio de 2018 às 10:47

Públicado em 

18 mai 2018 às 10:47
Carlos Alberto Di Franco

Colunista

Carlos Alberto Di Franco Carlos Alberto Di Franco
reza, oração, santidade, paz, religião Crédito: VisualHunt.com
O Brasil é um país cristão, de expressiva maioria católica. A informação de religião, portanto, merece atenção especial. É um segmento importante. A quantidade da informação religiosa, em geral, é bastante razoável. Alguns riscos, no entanto, ameaçam a qualidade da cobertura jornalística. Sobressai, entre eles, a falta de especialização, razoável desconhecimento técnico e, reconheçamos, certa dose de preconceito. Acresce a isso, o amadorismo, o despreparo e a falta de transparência da comunicação eclesiástica. Falta profissionalização da comunicação institucional da Igreja.
A mídia dá foco absoluto ao que a Igreja faz ou fará. Gente de todas as denominações cristãs (e até mesmo sem qualquer profissão religiosa) dá opiniões sobre os caminhos que a Igreja Católica deve adotar. Se a Igreja estivesse de fato fora do tempo e do páreo, anacrônica e ultrapassada, poucos se dariam a esse trabalho.
A quantidade da informação religiosa, em geral, é bastante razoável. Alguns riscos, no entanto, ameaçam a qualidade da cobertura jornalística
É notável o vigor da Igreja e a sintonia do papa Francisco com a juventude. Pede-lhes, frequentemente, que sejam “revolucionários”, isto é, que “se rebelem contra a cultura do provisório”, assumindo responsabilidades sem se deixarem levar “pelas modas e conveniências do momento”. Destaca, e muito, o tom positivo que permeia os discursos do papa.
Os papas, o atual e antecessores, na defesa do núcleo fundamental da fé católica podem trombar com o politicamente correto. É natural. Sem essa defesa, muitas vezes na contramão dos modismos de ocasião, a Igreja perderia sua identidade. Se os papas procurassem o “sucesso” - que parece ser a medida suprema da realização para os que tudo medem pelos ibopes -, bastaria que, esquecendo-se da verdade que custodiam, se tivessem bandeado pouco a pouco, como fazem certos “teólogos”, para os “novos valores” (em linguagem cristã, contravalores) que tentam dominar o mundo.
É patente que, na hora atual, vivemos uma encruzilhada histórica em que são incontáveis os que parecem andar pela vida sem norte nem rumo, entre as areias movediças do niilismo. Pretende-se que, perante este deslizamento do mundo para baixo, com a glorificação de todo nonsense moral, a Igreja exerça a sua missão acompanhando a descida, cedendo a tudo e se limitando a um vago programa socioecológico, a belos discursos de paz e amor e a um ecumenismo em que todos os equívocos se podem abraçar e congraçar, porque ninguém acredita mais em coisa alguma, a não ser em viver bem? Mas a coerência doutrinal da Igreja, por vezes conflitante com certas posturas comportamentais, tem sido um fator de defesa e elevação ética das sociedades.
A correta informação sobre Igreja passa pelo reconhecimento de seu papel na sociedade e pelo seu direito de transitar no espaço público. Não devemos virar as costas para o Brasil real, uma nação de raízes culturais cristãs. Informar com isenção é um desafio. E é aí que mora o fascínio da nossa profissão.
*O autor é jornalista
 

Carlos Alberto Di Franco

Carlos Alberto Di Franco Carlos Alberto Di Franco

É jornalista e bacharel em Direito. Especialista em Jornalismo Brasileiro e Comparado. Doutor em Comunicação pela Universidade de Navarra. Neste espaço, jornalismo e sociedade têm destaque

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