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Política

Falta de autocrítica e a necessidade da construção da oposição

Se o PSB nacional tivesse ouvido o clamor, estaria credenciado para assumir liderança da oposição

Publicado em 05 de Novembro de 2018 às 17:22

Públicado em 

05 nov 2018 às 17:22

Colunista

Crédito: Pixabay
Cleber Guerra*
A aliança histórica entre PSB e PT foi iniciada na formação da Frente Brasil Popular, tendo o senador Bisol (PSB) como vice de Lula (PT), na eleição de 1989. Ao longo desses anos, o partido socialista sempre se submeteu a uma relação de absoluta hegemonia petista. Somente em 2014, a discordância frente aos rumos tomados pelo governo Dilma, sobretudo pela institucionalização da corrupção e resistência a qualquer tipo de autocrítica, levou o PSB a romper essa aliança.
Para contrapor a obsessão do protagonismo petista, o PSB lançou a candidatura do Eduardo Campos a presidente, com o propósito de aglutinar PSB, PDT, PPS, Rede e PV, formando uma frente democrática e progressista. Nem mesmo a morte trágica do Eduardo impediu que o PSB se mantivesse na disputa, contra o PT, além de ter tentado a fusão com o PPS, em 2015.
Na eleição de 2018, entretanto, a direção do PSB optou por priorizar a filiação de “medalhões” para disputar a Presidência, como Aldo Rabelo e Joaquim Barbosa, em detrimento de socialistas históricos, como Beto Albuquerque (PSB-RS). Por sua vez, os ensaios de candidaturas fora da política, tipo Luciano Huck, indicavam a busca desesperada por algo novo, como também já indicavam crescente rejeição ao lulopetismo.
Um arranjo regional, então, foi determinante: a direção nacional do PSB, para garantir a reeleição do atual governador de Pernambuco, acordou com o PT que a retirada da candidatura da concorrente do PT-PE, uma neta do Arraes, seria recompensada pela retirada da candidatura do Marcio Lacerda (PSB), em Minas, além do apoio do PSB a Haddad. Com isso, o PSB retrocedeu no tempo, voltando a se vincular ao PT, na velha e sofrida linha auxiliar.
Sabe-se que a partir de 2019 o Brasil viverá anos difíceis, com enormes desafios, o que exigirá uma frente de oposição democrática, progressista e propositiva, sem o protagonismo do PT, por perda de credibilidade e falta de autocrítica. Se o PSB nacional não tivesse feito o “Acordão de PE” e, sobretudo, se tivesse escutado o clamor das ruas, hoje, o partido estaria credenciado para assumir a liderança da frente de oposição ao novo governo, que se coloca como de extrema-direita.
No nível estadual, o governador Casagrande, que teve a sabedoria de manter-se equidistante no segundo turno, em defesa dos interesses do Espírito Santo, deverá contribuir muito para a direção nacional do PSB se redimir, dar a volta por cima e assumir a liderança das forças progressistas, em prol de um Brasil melhor, para esta e para as futuras gerações.
*É engenheiro agrônomo e membro do PSB
 

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