A maior fabricante de reboques e semirreboques da América Latina, a Randon S.A. Implementos e Participações, bateu o martelo e vai construir uma planta industrial no município de Linhares. O grupo, que é de Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul, recebeu o aval do conselho da empresa para expandir seus negócios para o Espírito Santo.
Por enquanto, o assunto vem sendo guardado a sete chaves dentro da companhia. No governo do Estado e na Prefeitura de Linhares, o novo negócio também não é tratado oficialmente. O cuidado com a divulgação da informação é pelo fato de a Randon ser uma empresa de capital aberto e, portanto, é necessário ter algumas precauções junto a investidores. Mas nos bastidores, fontes ligadas às negociações confirmam o investimento.
Algumas pessoas com trânsito livre dentro do Palácio Anchieta contaram à coluna que o governador Paulo Hartung estava distribuindo sorrisos com o sucesso das negociações. “O governador ficou muito alegre. Os últimos pontos foram se alinhando nesta semana e hoje (ontem) de manhã ficou acertado o que faltava”, disse um técnico do governo.
A negociação entre os envolvidos já vem acontecendo há um tempo e no último um ano e meio se intensificou. Em outubro do ano passado, uma comitiva com o prefeito Guerino Zanon e o governador Paulo Hartung, além de secretários das duas administrações, chegou a visitar a sede da multinacional com o objetivo de viabilizar o investimento.
Na época, os empreendedores falaram com as autoridades capixabas que o interesse por Linhares estava ligado ao potencial da região e à proximidade com indústrias de mineração e com portos. Outro ponto destacado foi a organização fiscal e jurídica do Espírito Santo na comparação com outros entes da federação.
Agora, foi a vez de executivos da Randon virem ao Estado. Alguns representantes da companhia estiveram na última quarta-feira, 29, em Linhares, onde conheceram melhor o município e também as redes de saúde e educação, conforme revelou uma fonte da cidade.
O anúncio oficial sobre o investimento – da ordem de centenas de milhões, mas ainda não detalhado – deverá acontecer dentro de uma a duas semanas, quando também devem ser divulgadas as linhas que serão trabalhadas na unidade fabril e as oportunidades de emprego que vão ser criadas durante as obras e a operação.
A empresa, que está se enquadrando no Invest-ES – programa de incentivos fiscais do governo do Estado –, deverá se instalar às margens da BR 101, na região mais ao Norte de Linhares. O local tem sido o vetor de crescimento da cidade.
Aliás, Linhares vem recebendo a atenção de investidores nos últimos anos, seja com empresas de diferentes segmentos sondando rotineiramente a administração local para fincar bases, seja com projetos de expansão. Recentemente, por exemplo, a Brametal inaugurou uma nova fábrica em sua unidade no município voltada para a produção de torres metálicas monotubulares.
A chegada da Randon, além de impulsionar o desenvolvimento da região Norte, reforça o objetivo do Estado de diversificar a sua economia e de fortalecer a cadeia automotiva, iniciada com instalação da Volare/Marcopolo, que montou sua fábrica em São Mateus, em 2014.
A companhia gaúcha tem em seu portfólio produtos como implementos rodoviários, vagões ferroviários, carrocerias, peças e pneus. Entre os seus principais mercados externos estão Chile, Argentina e Paraguai.
Neste ano, a Randon tem apresentado resultados positivos, como o lucro líquido de R$ 74,6 milhões no primeiro semestre, valor superior aos R$ 20,6 milhões registrados no mesmo período de 2017.
A coluna tentou contato na noite de quinta-feira (30) com a empresa, mas devido ao horário não teve sucesso.

Ainda há muito a melhorar, mas o destaque do desempenho do ES na educação traz reflexos para outras áreas, como o mercado de trabalho, que passa a contar com uma mão de obra mais qualificada.

Empresários do Espírito Santo andam reclamando que nos últimos três a quatro anos grandes companhias, como a Vale e a ArcelorMittal, se distanciaram de empresas locais.
EM QUEDA
O Aeroporto de Vitória registrou queda de 3,5% no volume de embarques e desembarques nos 7 primeiros meses de 2018, na comparação com igual período de 2017. O terminal apresentou o 2º pior resultado entre os aeroportos administrados pela Infraero no país, atrás de Curitiba, com recuo de 7,3%.
MUITO AQUÉM
O Porto de Vitória ficou em 15º lugar no ranking dos terminais que mais movimentaram contêineres no 2º trimestre de 2018, com uma movimentação de 49.299 TEUs, segundo a Antaq. Só para se ter uma ideia, o Porto de Santos movimentou 16 vezes mais no mesmo período.