“Ele não”; “Ele sim”; “Eleição do ódio”; “Conflito de extremos”; “Voto envergonhado”. Várias foram as definições para o pleito eleitoral de amanhã. Independentemente do resultado, é uma eleição histórica.
A irrelevância da candidatura tucana demonstrou que as propagandas no rádio e na TV perderam sua eficácia. Geraldo Alckmin não teve a firmeza à altura do momento. Seu partido se perdeu nos escândalos que tanto dizia condenar. Não convenceu. Nem quando criticou os crimes do PT.
Ciro Gomes era a “terceira via”. Mas se queimou em polêmicas inúteis e em posturas que pareciam um “PT mascarado”. Indulto a Lula, limitação da Lava Jato e assistencialismo em larga escala rifaram suas possibilidades para o segundo turno.
Esse pleito, histórico, fotografa nossa deteriorização política. É também o resultado da radicalização ideológica dos últimos 13 anos
Marina, mais uma vez, não embalou. Sua adesão a temas centrais da esquerda e sua incapacidade de oferecer respostas a problemas econômicos de nossa complexa estrutura, a lançaram no ostracismo.
E o PT? A sala da Polícia Federal de Curitiba foi seu comitê de campanha. Semanalmente, Fernando Haddad foi beijar a mão de seu “Grande Líder”. Sua figura de “poste”, de “fantoche” do criminoso Lula ficou evidente. Reproduziu slogans partidários e decepcionou quem enxergava nele uma oxigenação da militância petista. Avesso às críticas, limitou-se ao “É Golpe!”, “Lula Livre!”. Confirmou o partido como sigla avessa à democracia.
Bolsonaro canalizou as insatisfações contra a corrupção do PT. Sua liderança não está fundamentada em suas possíveis qualidades, mas na ojeriza ao PT. Suas divergências com Paulo Guedes e o vice Mourão expuseram fragilidades, mas não barraram sua ascensão nas pesquisas. Embora com oito segundos na TV, sem verbas, conquistou o maior tempo de campanha na difamação dos adversários.
Esse pleito, histórico, fotografa nossa deteriorização política. É também o resultado da radicalização ideológica dos últimos 13 anos. Não há ideal, mas apenas o possível. Seja como for, como disse Millôr Fernandes, “o Brasil tem um grande passado pela frente”.