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Futebol brasileiro

Primeira auxiliar técnica na Série A, Nívia de Lima celebra chance, mas ainda destaca barreiras

Treinadora do Sub-20 da Chapecoense atuou como auxiliar no empate diante do Vitória-BA

Publicado em 12 de Maio de 2026 às 16:57

Agência FolhaPress

Publicado em 

12 mai 2026 às 16:57
Nívia de Lima
Tiago Meneghini/ACF
Nívia de Lima, 44, teve uma experiência marcante no mês passado. No empate por 1 a 1 da Chapecoense com o Vitória, na Arena Condá, em Chapecó, tornou-se a primeira mulher a atuar como auxiliar técnica em uma partida da primeira divisão masculina do Campeonato Brasileiro.
"O que passava na cabeça ali era aproveitar e desfrutar de tudo o que me levou até ali, tento não me resumir a esses momentos históricos, porque tenho uma trajetória dentro do futebol. O meu sentimento era que estava pronta. Procurei aproveitar da melhor forma e agradecer ao clube pela confiança no meu trabalho", afirmou.
A pernambucana de São Lourenço da Mata procurou tratar seu feito com naturalidade. Segundo ela, o tratamento recebido dentro do clube de Chapecó sempre foi positivo. 

"Nunca me julgaram por ser mulher, mas, sim, pela minha competência. Vejo isso na comissão e nos atletas", disse.
Ela tem consciência, porém, de que nem todos têm a mesma abertura. Já com uma longa estrada no futebol, a profissional observou um preconceito enraizado e barreiras estruturais que ainda tornam difícil a vida de uma mulher no futebol, especialmente o masculino.
Não é por falta de capacidade que só tenha havido na história uma auxiliar técnica na Série A, e por um jogo. Na ocasião, Nívia, que atua na base da Chapecoense, foi chamada para compor uma comissão técnica interina entre a demissão de um técnico (Gilmar Dal Pozzo) e a chegada de outro (Fábio Matias).
"Quando um homem erra, isso é visto como uma decisão equivocada. Quando é uma mulher, muitas vezes o julgamento é pelo gênero. Já ouvi comentários como ‘o que ela está fazendo aí?’ ou ‘vai lavar louça’. Muitas vezes, não me associam a uma função técnica", observou.
Nívia de Lima
Carla Cenci/ACF/ND
Nívia trabalha no futebol desde 2012 e construiu toda a carreira nos times de base da Chapecoense. Ela atuou como assistente em diferentes categorias, e notou que muitos tinham dificuldade para aceitar sua presença, até atingir a posição de comandante da formação sub-20.
A pernambucana foi promovida oficialmente ao cargo em 2024. Em 2025, chegou à final do Campeonato Catarinense da categoria e dirigiu a equipe profissional alternativa usada na Copa Santa Catarina. Neste ano, tornou-se a primeira mulher com uma vitória como técnica principal na tradicional Copa São Paulo de juniores, a Copinha.
Após a breve experiência no Campeonato Brasileiro, na qual trabalhou como auxiliar de Celso Rodrigues, Nívia retornou ao time sub-20. E tem também atuado como assistente de Celso no grupo alternativo que disputa a Copa Sul-Sudeste, enquanto os principais atletas estão no Brasileiro.
Dados da CBF (Confederação Brasileira de Futebol) mostram que há mais mulheres formando-se treinadoras. Em 2019, 62 participaram de cursos da CBF Academy, braço da confederação que oferece qualificação e certificação aos técnicos e técnicas. O número subiu para 318 em 2020 e chegou a 420 em 2021, com aumento também na participação proporcional.
A Fifa (Federação Internacional de Futebol) anunciou medidas para ampliar a presença feminina. A partir desta temporada, equipes de competições femininas organizadas pela entidade devem ter ao menos duas mulheres no banco de reservas, sendo uma delas técnica principal ou assistente.
De acordo com a federação internacional, a exigência –que valerá para a Copa do Mundo de 2027, que ocorrerá no Brasil– será acompanhada de investimentos em formação e desenvolvimento profissional. No Mundial feminino de 2023, apenas 12 das 32 seleções eram comandadas por mulheres.
No cenário nacional, a presença também é limitada. Quando teve início a atual edição do Campeonato Brasileiro, só 2 dos 16 times tinham treinadoras. Se é assim na disputa feminina, não fica difícil imaginar como se desenha a situação nas equipes masculinas.
"Existem muitas mulheres capacitadas, mas o sistema ainda precisa abrir mais espaço. Sem oportunidade na base do futebol masculino, é difícil chegar a cargos mais altos. Há a ideia de que a mulher deve trabalhar apenas com equipes femininas, mas podemos atuar em qualquer área para a qual estejamos preparadas", afirmou Nívia. 

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