Não tem como fugir do senso comum. Quem passa pela experiência de ser avó ou avô sentencia: "é ser pai ou mãe pela segunda vez". O carinho é duplicado, o tempo disponível e a atenção dispensada aos netos também costumam ser maiores nessa época da vida. Eles adoram mimar a cria dos seus filhos, o que vem sempre acompanhado de um segundo jargão super conhecido "na casa dos avós pode tudo". Mas não é bem assim, existem limites que os vovôs e as vovós devem seguir, que vão desde a educação das crianças até os cuidados com a própria saúde.
- Dia dos Avós - a receita da harmonia está no limite bem definido entre ser avós e ser pais - CBNGAZ - 1.27s - 26-07-15.mp3
O marceneiro Zilmar Antônio Comarela, 69 anos, tem três netos. Dois deles já com 20 anos e o mais novo com 9 anos, o pequeno Nicolas, que é o seu xodó. Ele conta que desde que o mais novo nasceu, a vida mudou. Nicolas é filho de pais separados e passa a maior parte do tempo com o avô. E cabe ao Zilmar educar a criança. "Eu acho que sou muito responsável, porque ele fica muito comigo. E ele me atende mais que todo mundo. Eu converso muito com ele. Brigo pouco, converso muito", contou.
As atividades desenvolvidas pelos dois são das mais diversas. Nicolas acompanha o avô na oficina, eles passeiam na praça do bairro onde moram e aos domingos realizam atividades de pesca, como relata Zilmar. "É mais que ser pai pela segunda vez. A gente dá muito mais atenção, tem mais tempo. Antes eu só trabalhava. Nem aos meus filhos eu dava tanta atenção como dou para o meu neto", contou.
Outro que não desgruda do neto é o motorista José Pereira, 52 anos. A família, aos fins de semana, trabalha unida em um carrinho de água de coco. O pequeno José Octávio não sai do colo do avô. "Você é pai, depois avô. Você tem mais carinho com ele do que com o filho da gente. A gente brinca mais com ele. O que eu não brincava com o meu filho, eu brinco com ele. Tinha que trabalhar para cuidar, e com ele já é diferente", afirma.
Mas, quando os pequenos voltam para suas casas, é que a situação se torna complexa. Muitos avós costumam sentir solidão. A psicóloga e psicoterapeuta Débora Monteiro Coelho explica que, ao se tornar avós, as pessoas precisam cuidar da saúde física e emocional e, principalmente, ter uma rotina própria para não se tornarem tão dependentes da presença dos netos.
"Eles têm que aprender a curtir o momento que estão com os netos, mas entender, na verdade, que terão as visitas mas vão ter a vida deles. Eles têm que ter uma rotina, outros lazeres, outros interesses e atividades, para não sentirem esse vazio na vida", aconselhou.
Outro desafio quando se é avô ou avó é quanto a educação. A psicóloga frisa que precisa haver um limite bem definido entre ser avós e ser pais. Os avós não podem nunca tirar a autoridade dos pais diante da criança. "Eles tem que entender um pouco como é a relação dos pais com os filhos e tentar manter aquelas mesmas regras, aqueles mesmos princípios.
Grande desafio também é não interferir demais na educação dos netos, sabendo que são avós, estão ali para orientar, aconselhar. Muita vezes falamos "avó estraga", porque há uma tendência de colocar menos regras. Poder se manter distante o suficiente, mas ao mesmo tempo próximo suficiente para curtir os netos e ser uma figura importante na vida deles", afirma.
Neste contexto, os avós nunca devem chamar atenção sobre a forma que os pais educam os filhos, ou algo que achou errado, na frente das crianças. Outra dica é, se o pai proibir os filhos de fazerem alguma coisa, os avós não podem permitir que a regra seja alterada. Os avós devem assumir o papel de conselheiros dos pais, segundo a psicóloga.