“Minha mãe é boa, mas não me dá brinquedo porque o dinheiro do Bolsa Família não sobra”. Esse é o trecho da carta de uma criança de 7 anos endereçada ao Papai Noel dos Correios, no Espírito Santo. O interesse do pequeno foi um simples carrinho e uma mochila de rodinhas, porém a campanha possui pedidos inusitados, como material escolar, tênis, óculos de grau e até emprego para os pais.
Os pedidos são de estudantes de escolas e creches da rede pública e de instituições como creches, abrigos, orfanatos e núcleos socioeducativos. No Estado, 12 mil crianças escreveram para o "Bom Velhinho". As cartas ficaram disponíveis nas agências dos Correios para serem adotadas por pessoas comuns.
Para quem tem interesse em adotar uma cartinha, ainda dá tempo de ajudar. A campanha, que terminaria nesta sexta-feira (29), foi prorrogada e é possível participar até este domingo (1º). Neste sábado (30) e domingo, as cartinhas estarão disponíveis no ponto de adoção dos Papai Noel dos Correios, localizado no Shopping Vitória, na Capital. Também é possível adotar umas das cartas indo à agência dos Correios do Shopping Mestre Álvaro, na Serra, das 10h às 15h, neste sábado.
PEDIDOS
Nas cartas escritas pelas crianças, está a dura realidade social. Um estudante de sete anos de idade escreveu: “Minha mãe está desempregada e queria muito que o senhor arrumasse um trabalho para ela. Está muito triste essa situação. Meu pai foi embora de casa e ficamos com minha mãe”, descreveu o garoto, que ainda quer ganhar material escolar, um carrinho e um slime, que é uma massinha borrachuda.
Ainda há pedidos relacionados à saúde. Um dos garotos quer ganhar um óculos de grau, pois sua professora notou sua dificuldade de leitura. Ele vai além, pede carrinho, mochila e ainda, se der, um tênis número 32. São itens que ele não possui em casa.
Em outra carta, um menino se identifica como uma pessoa estudiosa para justificar o mérito do pedido, já que o "Bom Velhinho” só presenteia quem se comportou durante o ano. Ele descreve que mora com a mãe e a irmãzinha em uma casa de dois cômodos, e relata que eles se sustentam com o dinheiro do Bolsa Família. O pequeno diz, ainda, que a orientação passada pela mãe indica os presentes que ele deveria pedir, mas ele também acrescenta um outro presente que deseja receber.
“Sou estudioso e estou aprendendo a ler. Moro com minha mãe e minha irmãzinha em uma casa de dois cômodos. Minha mãe vive com Bolsa Família e não tem dinheiro para comprar brinquedo, nem muita comida, nem picolé, nem roupa. Minha mãe me mandou pedir roupa tamanho 6 ou 8. Não sei. Tenho 7 anos, mas sou magro. Mandou pedir sábado tênis número 32 e uma mochila. Mas eu queria ganhar mesmo um caminhão cheio de carrinhos na carroceria”
A coordenadora da Campanha Natal dos Correios, Juliana Bourguignon Vogas, explica que a carta para o Papai Noel é um momento de expressão das crianças, para que elas se sintam à vontade para escrever o que querem, o que inclui coisas boas e ruins.
Juliana descreve ainda que outro ponto importante da campanha é o resgate dos sonhos da infância. “A gente considera que levar o lúdico, levar a magia do Natal a essas crianças é levar um pouco a vida infantil que elas não deveriam perder. Às vezes, as crianças amadurecem muito cedo. Elas se preocupam com a parte financeira desde cedo. Deveríamos manter nossas crianças mais tempo na infância e o Papai Noel dos Correios apresenta isso”, disse.