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Eleições 2026

RicarNaro e PazoLula: cidades do ES que não votaram no mesmo grupo político

A votação para o governo do Espírito Santo e a Presidência da República nem sempre considera as alianças dos candidatos

Publicado em 14 de Outubro de 2026 às 08:02

Aline Nunes

Publicado em 

14 out 2026 às 08:02
Ricardo Ferraço (MDB) e Flávio Bolsonaro (PL) resultam no voto RicarNaro, enquanto Lorenzo Pazolini (Republicanos) e Lula (PT) formam o PazoLula
Ricardo Ferraço (MDB) e Flávio Bolsonaro (PL) resultam no voto RicarNaro, enquanto Lorenzo Pazolini (Republicanos) e Lula (PT) formam o PazoLula Arquivo AG

As disputas para o governo do Espírito Santo e a Presidência da República são separadas, mas é de se esperar que o eleitor faça a sua escolha para cada um dos cargos levando em consideração as alianças e apoios entre os candidatos. No entanto, nem sempre é assim. No primeiro turno de votação no Estado, combinações de candidaturas fugiram a essa lógica, resultando no voto RicarNaro e PazoLula.


Os municípios de São Mateus e Boa Esperança, por exemplo, deram vitória ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na corrida eleitoral pela reeleição. Ele tinha como candidato ao governo do Espírito Santo o deputado federal Helder Salomão (PT). Contudo, não foi o parlamentar quem ganhou nessas duas cidades. A maioria dos eleitores optou por Lorenzo Pazolini (Republicanos), que é apoiado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL), principal oponente do presidente. Temos, então, o PazoLula.  


Agora, apesar do apoio de Flávio a Pazolini, formalizado na coligação PL e Republicanos, em 17 cidades capixabas, como Alegre, Laranja da Terra e Piúma, eleitores que desejam o senador na presidência decidiram votar no governador Ricardo Ferraço (MDB), que é candidato à reeleição. Assim, saiu o voto RicarNaro. 


O emedebista, que optou por não declarar voto a nenhum dos candidatos à Presidência, tentando evitar a nacionalização da disputa, também garantiu votos em 13 municípios onde Lula saiu vitorioso, a exemplo de Pedro Canário e Montanha. 

Votação na Grande Vitória

Nos bairros da Grande Vitória, situação semelhante também foi observada. Na Capital, onde Pazolini venceu em todas as localidades com seção eleitoral, Lula ganhou em 19. Todo o município de Vila Velha também registrou preferência pelo candidato republicano no governo do Estado e, em sete bairros, pelo petista. 


Na Serra, 19 bairros tiveram a combinação PazoLula e, em Cariacica, foram oito localidades, das 13 em que Lula venceu. Em outras duas, ficou a dobradinha Ricardo-Lula e, em três, seguiu a lógica do presidente com Helder — o ex-candidato do PT ao governo. 

O que está por trás dessas votações

Embora possa causar estranhamento,  essa não é uma conduta incomum do "brasileiro médio" (cidadão que resume o comportamento e opiniões mais comuns atribuídos à população do país), observa o cientista político João Victor dos Santos.


"São vários fatores que determinam o voto. É óbvio que, no Brasíl, existem grupos muito bem definidos, tanto à esquerda quanto à direita, mas o brasileiro médio, que costuma se preocupar com a política só em dia de eleição, compreende a política e os políticos muito pelos benefícios que pode conquistar com determinado voto", pontua. 


João Victor reforça que existem grupos muito bem formados ideologicamente, mas o que decide é aquele eleitor chamado de pendular, que não pende nem para um lado nem para o outro.


"É ele quem decide de fato a eleição, e as preocupações dele não são ideológicas. Não é a crise da China, nos Estados Unidos, no Irã. São questões muito mais pragmáticas, do dia a dia, ou de afinidade pessoal. Então, o voto não passa pelo arranjo ideológico de alianças que as candidaturas apresentam", sustenta o cientista político. 


Para João Victor, ainda que combinações de voto como RicarNaro e PazoLula possam parecer incoerentes, é a maior expressão de que quem decide o próprio voto é o eleitor. 


"Mesmo que exista uma aliança programática ou pragmática entre partidos, nem sempre o eleitor obedece às alianças que estão colocadas ou às lógicas partidárias", conclui. 

Leia mais sobre Eleições: 

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