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Aliados defendem ex-juiz

Para oposição, mensagens divulgadas mostram Moro 'acusador'

Os diálogos indicam que o ministro sugeriu à Procuradoria data para fases da Lava Jato, além de cobrar a realização de novas operações, dar conselhos e antecipar ao menos uma decisão judicial

Publicado em 05 de Julho de 2019 às 21:14

Publicado em 

05 jul 2019 às 21:14
Sérgio Moro, ministro da Justiça e Segurança Pública Crédito: André Coelho
Líderes da oposição disseram nesta sexta-feira (05) que as novas mensagens obtidas pelo site The Intercept Brasil e divulgadas pela revista Veja mostram que o ex-juiz e atual ministro Sergio Moro (Justiça) tinha um lado na Lava Jato e atuava como acusador, ajudando a planejar as ações do Ministério Público Federal.
Já aliados do governo Jair Bolsonaro (PSL) reiteraram o apoio ao ex-magistrado, justificando que os vazamentos são parte de uma ação para beneficiar os atingidos pelas investigações da força-tarefa em Curitiba.
Os diálogos, pelo Telegram, indicam que o ministro sugeriu à Procuradoria data para fases da Lava Jato, além de cobrar a realização de novas operações, dar conselhos e antecipar ao menos uma decisão judicial.
Moro chamou ainda a atenção de procuradores da Lava Jato para a inclusão de prova que ele considerava importante na denúncia de um réu da operação.
O deputado federal Ivan Valente, líder do PSOL na Câmara, afirmou que as mensagens aprofundam a visão de parcialidade e parceria de Moro com o coordenador da força-tarefa, Deltan Dallagnol. "Mostra que ele tinha interesse muito específico. Ele queria atingir mais claramente um lado. Isso é mais dele do que dos procuradores, porque as fitas estão demonstrando que os procuradores queriam passar uma imagem de isenção", afirma.
O parlamentar também acusa Moro de ter preferências claras pelos processos. "A relação dele com o papel acusatório é muito forte. Ele é um juiz acusador. E isso não é prerrogativa de magistrado."
Valente vê o ministro como comandante da força-tarefa. "E isso vai ficando claro a cada divulgação de texto. É óbvio que foi uma articulação muito planejada", afirma.
Líder da minoria na Câmara, a deputada Jandira Feghali (PC do B-RJ) avalia que Moro teve "comportamento criminoso contra o Estado democrático de Direito e o devido processo legal", conforme publicou em uma rede social. Ela diz que houve ilegalidades atrás de ilegalidades.
Já a deputada Gleisi Hoffmann (PR), presidente nacional do PT, acusa Moro e "seu pelotão de procuradores" de forjarem provas, mentirem para o STF (Supremo Tribunal Federal), combinarem prazos e escreverem as denúncias. "Assim montaram a maior farsa judicial da história para prender Lula", escreveu em rede social.
Integrantes da base do governo, no entanto, reiteraram o apoio ao ministro Sergio Moro. A deputada Carla Zambelli (PSL-SP) escreveu numa rede social: "Estamos com o Sr!!!! (sic)".
O líder do Podemos na Câmara, deputado José Nelto (GO), mantém o apoio a Moro. "Até que me provem o contrário, eu acredito e confio nas palavras do ministro Moro."
Para ele, ainda não há documentos que comprovem a veracidade das reportagens. "São vazamentos de uma organização criminosa que ele desbaratou, então eles querem desmoralizar a operação", diz.
Nelto defende ainda o papel de Moro no combate à corrupção. "Sem ele, não teria a operação Lava Jato e o dinheiro do povo brasileiro continuaria na mão de um grupo de corruptos, tanto políticos, aí falo senadores, governadores, deputados e empreiteiras, e partidos políticos", afirma.

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