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Luto na política

Multidão acompanhou despedida a Gerson Camata

Ex-governador do Estado, morto com um tiro no ombro na Praia do Canto, foi sepultado na Serra com honrarias

Publicado em 28 de Dezembro de 2018 às 02:06

Redação de A Gazeta

Publicado em 

28 dez 2018 às 02:06
O caixão de Gerson Camata é carregado por policiais militares. Ex-governador recebeu honras de chefe de Estado Crédito: Fábio Vicentini
O velório e o sepultamento, momentos em que são prestadas as últimas homenagens a quem se vai, são, invariavelmente, marcados por emoção. A despedida ao ex-governador e ex-senador Gerson Camata (MDB), realizada nesta quinta-feira (27), quanto a este quesito não foi diferente.
Mas o adeus a uma figura singular da política capixaba, que aos 77 anos contava causos e colecionava amigos, teve suas peculiaridades. A começar pelo velório, que foi o primeiro da história realizado no Palácio Anchieta, a sede do governo do Estado.
Lá, estiveram 5 mil pessoas. Entre elas, políticos de diferentes matizes ideológicas ou separados por circunstâncias eleitorais, como o atual governador do Estado, Paulo Hartung (sem partido), o governador eleito Renato Casagrande (PSB) e o ex-governador Max Mauro (sem partido). Mas, sobretudo, compareceram capixabas anônimos, populares que fizeram questão de prestar homenagens, surpreendidos por um "crime brutal", como Dom Geraldo Lyrio Rocha, arcebispo emérito de Mariana, descreveu durante o sepultamento, no cemitério Jardim da Paz, na Serra.
Gerson Camata foi assassinado, na última quarta-feira (26), na Praia do Canto, em Vitória, com um tiro disparado por um ex-assessor. Marcos Venicio Moreira Andrade – conhecido como Marquinhos –, de 66 anos, foi preso logo após o crime.
Ainda antes da abertura do velório ao público, o que ocorreu às 10h, já havia pessoas em fila aguardando para entrar. "Recebi essa notícia com consternação total. Parece algo impensável, um homem tão simples, que andava na rua, que sempre procurou fazer o bem, e teve a vida ceifada", disse Dom Décio Zandonade, bispo emérito da Diocese de Colatina, em frente à sede do governo. Ele esteve no velório inclusive nos momentos restritos aos familiares do ex-governador.
CORTEJO
Entre o Palácio Anchieta, localizado na Cidade Alta, na Capital, e o cemitério, foi realizado um cortejo. O caixão, cercado por inúmeras coroas de flores e coberto com as bandeiras do Espírito Santo e do Brasil, foi levado por um caminhão do Corpo de Bombeiros, escoltado pela Polícia Militar e pela Polícia Rodoviária Federal. Ônibus foram disponibilizados pelo governo do Estado para transportar quem quisesse se deslocar até o cemitério.
A ex-deputada Rita Camata, viúva de Gerson Camata, é amparada na saída do cemitério Crédito: Fábio Vicentini
No percurso, populares nas ruas direcionavam olhares curiosos e aplausos. Um homem chegou a exibir uma bandeira do Brasil para homenagear Camata. O cortejo passou pelas avenidas Beira-Mar, Adalberto Simão Nader, Dante Michelini e ainda pela Reta do Aeroporto, pela BR 101 e pelas avenidas Eudes Scherrer e Civit até chegar ao Jardim da Paz.
Na Prefeitura de Vitória, populares deixaram o prédio para acompanhar, brevemente, a passagem do comboio. Pessoas que estavam em uma agência bancária na Dante Michelini fizeram o mesmo.
Gerson Camata foi assassinado na Praia do Canto Crédito: Marcelo Prest
O ex-governador foi sepultado com honras de chefe de Estado. O caixão foi carregado por policiais militares, com direito à execução de uma salva de três tiros. As bandeiras retiradas do caixão foram repassadas a Hartung, que as entregou, com o auxílio de Casagrande, à ex-deputada federal Rita Camata (PSDB), esposa de Gerson Camata.
A cerimônia contou com orações de Dom Geraldo, que destacou o crime trágico que abalou o Estado do Espírito Santo e repercute no cenário nacional.
O sacerdote e o ex-governador conviveram no Seminário Nossa Senhora da Penha, em Vitória, ainda na década de 1950, quando Camata iniciou estudos para ser padre. Ele escolheria, no entanto, como se sabe, outra carreira.
POLÍTICA
De radialista popular, Gerson Camata passou à política. Foi vereador, deputado estadual, deputado federal, governador e senador. Pelo segundo dia consecutivo, autoridades do Estado relembraram o tom conciliador e alegre do ex-governador e sua atuação destacada na redemocratização. Tudo isso reconhecido, inclusive, por outros que também chefiaram o Executivo estadual.
"O governo dele foi um governo em que o Espírito Santo teve um crescimento importante. Foi um dos políticos mais importantes dos últimos 50 anos aqui no Espírito Santo", afirmou o ex-governador Vitor Buaiz.
O também ex-governador Max Mauro, emocionado, acrescentou: "Lutamos juntos pela redemocratização do país, tivemos esse papel histórico. Ele nos representou muito bem em seus mandatos e foi assassinado covardemente".
O sepultamento ocorreu às 16h21, sob o som do toque de silêncio executado por um músico da Polícia Militar.

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