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José Antunes Sobrinho

Moreira Franco ajudou a pensar em formato de propina, diz delator

Segundo a delação premiada, Sobrinho fez uma engenharia com outra empresa e mandou R$ 1 milhão para o partido naquele ano

Publicado em 

21 mar 2019 às 19:44

Publicado em 21 de Março de 2019 às 19:44

José Antunes Sobrinho, um dos donos da Engevix Crédito: José Cruz/ABr
O delator José Antunes Sobrinho, da Engevix, afirmou à Polícia Federal que o ex-ministro Moreira Franco ajudou a pensar em um formato para viabilizar repasses ilícitos para o MDB na campanha de 2014.
Segundo a delação premiada, Sobrinho fez uma engenharia com outra empresa e mandou R$ 1 milhão para o partido naquele ano.
De acordo com o executivo, o coronel João Batista Lima Filho, amigo de Michel Temer, e Moreira levaram a ele o assunto da necessidade de contribuição eleitoral.
Sobrinho disse que duas ideias foram formuladas para viabilizar o dinheiro, que para os investigadores é propina.
O delator afirmou que pensou em dois projetos que poderiam justificar internamente em sua empresa a necessidade de investimento. Ambos envolviam contratos com o poder público e licitações. Os processos chegaram a começar, mas não terminaram.
"Nessa situação, eu desenvolvi uma ideia, que o Lima era bastante ciente, e ele foi acompanhando. Eu disse: olha, Lima, desses contratos que temos aqui, não tenho como fazer, mas se você espera uma contribuição nossa, a gente tem ideias de novos serviços, que podem justificar internamente a gente fazer doações", disse o executivo à PF.
"Pensamos, então, com Moreira Franco, em dois contratos que gerariam serviços para empresas do grupo. E pensamos também em uma ordem de grandeza de R$ 5 milhões a R$ 6 milhões para o MDB, quando ocorre o primeiro e o segundo turno das eleições", completou.
O delegado Cleyber Malta, que tomou o depoimento do delator, reforçou a pergunta, então, de se essa engenharia estava sendo pensada para viabilizar o repasse e Sobrinho respondeu: "perfeitamente".
O executivo ainda afirmou que o coronel amigo de Temer cobrava muito o andamento dos dois projetos, para que o dinheiro saísse logo.
"Ele cobrava muito. Acho que mandava alguns recados, do vice-presidente, para o Moreira Franco, de que os processos tinham que andar".
As duas ideias, no entanto, não deram certo. De acordo com o colaborador, a solução, então, foi pedir a uma empresa envolvida em um projeto no aeroporto de Brasília para que fizesse o repasse de R$ 1 milhão, o que foi feito, segundo o delator.
Sobrinho afirmou que Lima e Moreira encabeçavam as discussões sobre o dinheiro para eleição.
"Ele [Lima] trás o assunto, mas o Moreira também [de ajudar na eleição]. Tanto que ele [Moreira] me levou para almoçar com o presidente, para falar de aeroportos, mas no fundo, era uma empresa que prestava importantes trabalhos em uma área que o MDB tinha o controle", disse.

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