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Magno Malta

Comissão pode votar nesta quarta-feira ampliação da Lei Antiterrorismo

Projeto de Magno Malta abre a possibilidade de enquadrar ações de movimentos sociais

Publicado em 

31 out 2018 às 11:48

Publicado em 31 de Outubro de 2018 às 11:48

Em pronunciamento, senador Magno Malta Crédito: Waldemir Barreto/Agência Senado
Na esteira do discurso do presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), contra o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), o senador Magno Malta (PR-ES) quer votar nesta quarta-feira (31) na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado o projeto que abre a possibilidade de enquadrar ações de movimentos sociais como atos de terrorismo. O texto já está na pauta da comissão.
A proposta de Malta altera a Lei Antiterrorismo, sancionada em 2016, e inclui na definição desse crime atos para "coagir governo" a "fazer ou deixar de fazer alguma coisa, por motivação política, ideológica ou social". Parte dos trechos adicionados havia sido vetada pela ex-presidente Dilma Rousseff, justamente para evitar criminalizar manifestantes.
O senador capixaba, aliado próximo a Bolsonaro, é relator da proposta, apresentada pelo senador Lasier Martins (PSD-RS). Entre os atos condenados como terrorismo, o senador ainda adiciona: "Incendiar, depredar, saquear, destruir ou explodir meios de transporte ou qualquer bem público ou privado" e "interferir, sabotar ou danificar sistemas de informática ou bancos de dados". As penas previstas na lei variam. Os atos que "atentam contra a vida ou a integridade física de pessoa" são punidos com prisão de 12 a 30 anos.
Está na pauta da CCJ e nós vamos votar. Estou trabalhando para isso. Eles estão com medo porque o que eles fazem é terrorismo mesmo e têm de ser punidos
Magno Malta, em referência ao MST
APELO CONTRA PROJETO
Nesta terça-feira (30), integrantes do MST estiveram no Senado e apelaram a parlamentares para barrar a votação do projeto. O texto é uma das 23 propostas na pauta da CCJ. Se for aprovado, o projeto vai para a Câmara e, caso também passe entre os deputados, seguirá para sanção presidencial.
Durante a campanha, Bolsonaro fez críticas recorrentes aos sem-terra. Na noite de segunda-feira, durante entrevista a emissoras de TV, disse que não vai dialogar com o movimento.
"Eu vou fazer a faxina. A faxina será em cima dos que não respeitam a lei, como o pessoal do MST."
A proposta defendida por Malta deve enfrentar resistências na própria CCJ. O senador Randolfe Rodrigues (Rede) já apresentou um voto separado em que julga o texto inconstitucional. O senador cita nota assinada por dez entidades ligadas à defesa dos direitos humanos, como Instituto Terra, Trabalho e Cidadania e a Rede Justiça Criminal.
A coordenação do MST começou a debater ontem qual será a estratégia do movimento em relação ao governo Bolsonaro. Um dos coordenadores nacionais do MST, João Paulo Rodrigues diz que a repressão é a maior preocupação.
"O MST já passou por repressão muito grande, muito parecida com essa promessa que se desenha, no governo do Fernando Collor, e no final do governo Fernando Henrique Cardoso, depois do massacre do Eldorado do Carajás. E o MST sobreviveu", lembrou Rodrigues, ao criticar o novo governo.
"Há, agora, uma mistura muito delicada que é um governo completamente liberal, sem compromisso com pobres, especialmente do campo. Estamos preocupados com corte de políticas públicas. E também que veem o movimento como inimigo", disse.
A procuradora dos Direitos do Cidadão, Deborah Duprat, afirma que a lei antiterrorismo não pode inibir liberdades:
Sociedades democráticas têm que conviver com manifestações, reuniões e protestos. O que exceder as chamadas liberdades expressivas e eventualmente configurar crime deve ser tratado no âmbito do direito penal. Convém lembrar que a Constituição trata o terrorismo no mesmo artigo que trata dos direitos fundamentais (artigo 5º). Significa dizer que leis que tratam de terrorismo jamais podem ter o efeito inibidor das liberdades de manifestação, reunião, associação e protesto
Deborah Duprat, procuradora dos Direitos do Cidadão
Também nesta quarta-feira (31), na Câmara, integrantes de uma comissão especial vão tentar à tarde aprovar o projeto batizado de "Escola sem Partido", que proíbe o termo "gênero" ou "orientação sexual" no ambiente escolar e veda conteúdos e práticas que "tendam a aplicar a ideologia de gênero".

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