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Governo Bolsonaro

Brasil boicota eventos da ONU sobre mudança do clima e preservação

O governo Bolsonaro tem feito reiteradas críticas ao Acordo de Paris, e vários membros de seu governo refutam ou minimizam as mudanças climáticas, apesar do consenso científico

Publicado em 13 de Maio de 2019 às 23:01

Publicado em 

13 mai 2019 às 23:01
O presidente Jair Bolsonaro Crédito: Valter Campanato/Agência Brasil | Arquivo

Em novos sinais de que não está disposto a participar do esforço global contra mudanças climáticas, o governo Jair Bolsonaro cancelou um encontro regional da ONU sobre o assunto que aconteceria em Salvador e não enviou representantes ao Peru para uma conferência sobre gestão florestal e agricultura organizada pelo Pnud (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento).

O evento Semana Climática América Latina e Caribe estava marcado para os dias 19 e 23 de agosto na capital baiana e seria realizado sob o marco da Convenção da ONU sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC).

Trata-se de um dos encontros preparatórios para a COP-25, a Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas. O encontro seria realizado no Brasil por iniciativo do governo Michel Temer, mas, ainda como presidente eleito, Bolsonaro se recusou a sediar o encontro, que acabou transferido para o Chile e será em dezembro deste ano.

"A UNFCCC lamenta o anúncio do governo brasileiro. Estamos agora procurando opções na região e esperamos ter novidades a tempo de nossa conversa mais tarde nesta semana", diz uma comunicação interna dos organizadores.

Questionado sobre o motivo do cancelamento, o Ministério do Meio Ambiente afirmou, via assessoria de imprensa: "O evento foi concebido pela gestão anterior, em momento em que o Brasil sediaria a COP-25, condição não mais presente."

O governo Bolsonaro tem feito reiteradas críticas ao Acordo de Paris, e vários membros de seu governo refutam ou minimizam as mudanças climáticas, apesar do consenso científico. O chanceler Ernesto Araújo diz que se trata de um "dogma marxista", enquanto o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, afirma que o tema não é prioritário.

Apesar de abrigar mais da metade da bacia amazônica, o governo brasileiro não aceitou o convite para participar da Conferência do Bom Crescimento, que começou nesta segunda-feira (13) em Lima.

O objetivo é discutir alternativas ao desmatamento da Amazônia por meio de cultivos em pequena escala de produtos como cacau e café, envolvendo principalmente indígenas e outras comunidades tradicionais.

O Pnud convidou dois diretores do Ministério do Meio Ambiente, Ana Paula Prates, do departamento de Ecossistemas, e Jair Schmitt, do departamento de Florestas. Ambos foram exonerados de seus cargos recentemente, mas ninguém foi nomeado até agora para substituí-los.

Participaram da abertura o presidente peruano, Martín Vizcarra, e ministros de Meio Ambiente e de Agricultura do país anfitrião e do Equador. "Há decisões que temos tomar com países vizinhos porque o problema das mudanças climáticas não termina na fronteira", discursou o mandatário.

Representantes da Colômbia também não aceitaram o convite, mas por motivos diferentes: na semana passada, Bogotá sediou a reunião anual da Aliança das Florestas Tropicais (TFA), com uma agenda semelhante à de Lima. O presidente Ivan Duque participou desse evento.

Sobre a falta de representantes em Lima, Ministério do Meio Ambiente afirmou: "Quando o convite chegou, os gestores especializados no tema já tinham outros compromissos nesta data, o que impediu o envio de representação".

Uma das principais participantes do encontro, a presidente do Fundo para o Meio Ambiente Mundial (GEF), Naoko Ishii, disse estar preocupada com a guinada do Brasil desde janeiro, mas que ainda é cedo para uma avaliação mais profunda.

"Se Bolsonaro fizer o que diz, é um risco", disse a ex-vice-ministra de Finança do Japão. Por meio de doações de países ricos, o GEF distribui cerca de US$ 1 bilhão ao ano para projetos que lidam com problemas ambientais.

O repórter Fabiano Maisonnave viajou a Lima a convite do Pnud (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento).

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