Uma história desprendida da realidade, mas contada durante 30 anos, poderia morrer como verdade não fossem o grande acervo documental disponível na Justiça Militar e o minucioso trabalho jornalístico. Em “O cadete e o capitão - A vida de Jair Bolsonaro no quartel”, o jornalista Luiz Maklouf Carvalho coloca luz no período anterior à carreira política do agora presidente da República.
O livro é um recorte dos cerca de 15 anos em que Bolsonaro integrou o Exército, mais especificamente sobre os últimos conturbados anos da carreira militar dele. O jornalista baseou-se em farta documentação e no áudio da sessão secreta de cinco horas do Superior Tribunal Militar (STM) em que o capitão foi absolvido da acusação de planejar bombas em quartéis.
O período turbulento começou em 1986, quando Bolsonaro publicou um artigo na revista Veja, no qual reclamava dos baixos salários dos militares. Pegou 15 dias de prisão disciplinar. Um ano depois, a mesma publicação revelou o plano que tinha até croquis com o planejamento das explosões.
Considerado culpado pelo conselho de Justificação do Exército, foi absolvido no STM. Para Maklouf, Bolsonaro foi favorecido pelo corporativismo em sessão secreta na qual provas de autoria da ameaça foram desconsideradas. O desfecho lhe abriria portas à política.