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Apreensão no Estado

Novas drogas vendidas como Ecstasy e LSD preocupam a polícia no ES

De acordo com a Polícia Civil, as drogas falsas podem causar problemas ainda piores

Publicado em 07 de Fevereiro de 2019 às 14:48

Publicado em 

07 fev 2019 às 14:48
Divulgação Crédito: Divulgação
A Polícia Civil prendeu dois homens suspeitos de tráfico de drogas sintéticas em Vila Velha. Com eles, estavam 1.115 micropontos vendidos como LSD, além de 383 comprimidos, repassados como ecstasy. Na verdade, as drogas tinham outras substâncias, até mais fortes e mais prejudiciais à saúde e agora a investigação procura saber de onde surgiu os entorpecentes.
A operação foi feita pelo Departamento Especializado em Narcóticos (Denarc) e é vista como a maior apreensão de drogas sintéticas da Polícia Civil no Estado. Erick Souza Cunha, de 25 anos, e Diego Renato Gravel Vieira, de 21 anos, foram presos.
Os investigadores chegaram primeiro a Erick. Na casa dele, em Coqueiral de Itaparica, em Vila Velha, parte da droga foi encontrada. A polícia entrou na casa sem nenhuma resistência e encontrou as substâncias dentro de alguns sapatos. O rapaz declarou que trabalhava como garçom e para a Polícia Civil essa é uma das formas que ele tinha para despistar e não chamar a atenção para a comercialização de entorpecentes.
Por meio dele, os investigadores chegaram a Diego, que também trabalhava, segundo ele, como motorista de aplicativo. No momento da prisão, ele estava em uma praça de Santa Mônica, no mesmo município, onde a polícia acredita que ele estava comercializando a droga.
Tanto Erick quanto Diego negaram ser traficantes. Erick disse que a droga estava apenas guardada com ele. Já Diego afirmou que o material encontrado com ele era para consumo próprio, algo que não convenceu o Denarc.
DROGA MAIS PERIGOSA
Segundo um dos peritos responsáveis por identificar as drogas na Polícia Civil, Fabrício Pelição, os micropontos, vendidos como LSD, são na verdade NBOMe, uma droga nova e que causa efeitos similares. Já os comprimidos, repassados como ecstasy, também são réplicas, com efeitos parecidos.
Segundo a Polícia Civil, um dos objetivos dos criminosos é evitar serem enquadrados como traficantes com a criação de novas drogas, já que algumas substâncias não estão listadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
“É uma droga perigosa por ser desconhecida. Não foram feitos testes por humanos ou outros testes como feitos em drogas clássicas. Em caso de intoxicação, o médico não sabe do que se trata e não pode dar o melhor tratamento”, explicou Fabrício.
Segundo o perito, as drogas falsas podem causar problemas ainda piores. Quem produz os entorpecentes usa princípios ativos que causam efeitos iguais ou similares. Os entorpecentes podem causar doenças e alucinações graves.
“Há vários relatos de mortes causadas pelas drogas. Tanto pela intoxicação aguda - tomou a droga e se sentiu mal, com problemas como um infarto ou AVC, ou pode acontecer mortes e danos sérios pelo efeitos das drogas. A pessoa pode ter uma alucinação, imagina uma situação que não é real e de algo que não existe, até se jogando de um prédio ou atravessando uma rua movimentada”, explicou.
A suspeita é de que as drogas seriam vendidas em festas raves e casas noturnas do Espírito Santo, já que o público que consome esse tipo de entorpecente tem um poder aquisitivo maior, segundo a polícia. Cada cartela tinha 25 micropontos. Destes, cada um era vendido por R$ 30,00. Já os comprimidos custavam R$ 50,00 cada.
O delegado-geral da Polícia Civil, José Darcy Arruda, declarou que a cada dia no mundo novas drogas são criadas, para burlar as portarias, mesmo vendidas como substâncias conhecidas. “Os traficantes estão cada vez elaborando mais drogas novas, procurando burlar essa portaria da Anvisa, criando outros princípios ativos, mas vendendo como drogas conhecidas. Essa apreensão vai impactar o tráfico de drogas sintéticas”, ponderou.
Com informações de Mayra Bandeira 
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