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Lista de crimes

Mortes em janeiro: medo e execuções sem hora nem lugar para acontecer

O Gazeta Online reuniu casos de violência na Grande Vitória, que englobam inocentes assassinados, feridos em ataques e crimes em locais de grande movimentação

Publicado em 29 de Janeiro de 2019 às 14:50

Publicado em

29 jan 2019 às 14:50
A guerra do tráfico de drogas, com vinganças e disputas por espaço, já vivenciada de perto por moradores de bairros de periferia, se espalhou pelas ruas da Grande Vitória nos últimos dias. O final de semana foi de terror e, até o dia 27 deste mês, 85 pessoas foram assassinadas no Estado, como publicou o colunista de A GAZETA Leonel Ximenes. Apesar da violência tão próxima, em comparação com o mês de janeiro de 2018, quando ocorreram 115 assassinatos, o número até o momento é inferior.
Para a polícia, ainda não se pode dizer que todos os casos têm conexão com o tráfico, mas, em alguns crimes, essa ligação é comprovada, como o que ocorreu em Vila Velha no início da manhã de domingo (27). 
Dois homens morreram e mais de 10 pessoas acabaram feridas após um ataque em uma festa a céu aberto em Vila Velha. Segundo informações da polícia, algumas vítimas e um autor têm relação direta com o tráfico de drogas em bairros de Vitória.
Um dos suspeitos de cometer o ataque, Haryel Costa Vicente, 20 anos, é apontado como gerente do tráfico no Morro do Macaco, na Capital. Ele foi baleado por alguém que participava do baile e que revidou os tiros. Haryel foi levado para o hospital e acabou preso em flagrante. Já Jamerson Silva Souza, 25, um dos mortos no baile funk, é apontado como gerente do tráfico e o segundo da hierarquia da facção criminosa que comanda o bairro de Andorinhas.
Cerca de uma hora depois, às 7h19, um jovem foi executado em um estacionamento de hospital particular, em Itararé, Vitória. Ele morava na esquina com a Rua Marins Alvarino, muito próximo ao hospital. O crime no estacionamento teria sido uma retaliação ao ocorrido no baile funk, de acordo com a polícia, porque a facção que comanda o Bairro da Penha seria aliada do grupo que matou dois e feriu outras pessoas na festa clandestina.
SEGUNDA-FEIRA
A onda de violência não parou. Logo no início desta segunda-feira (28), uma idosa de 60 anos foi morta a caminho do trabalho e mais três pessoas foram baleadas em um ponto de ônibus na Serra. Horas depois, um homem foi assassinado no bairro Dom João Batista e, ainda na manhã, outro corpo foi encontrado na Glória, bairro vizinho, ambos em Vila Velha.
MEDO EM VILA VELHA
Ao falar de Vila Velha, é impossível não citar o medo sentido pelos moradores nos últimos dias. Mensagens com toque de recolher em bairros como Glória, Aribiri e Dom João Batista circulam na internet desde a semana passada.
Sem falar nas pessoas expulsas por traficantes de suas casas na região conhecida como Cidade de Deus, que fica perto desses bairros, e da quantidade de mortos e baleados recentemente. Somente até o dia 27 deste mês, 10 pessoas foram assassinadas no município. Mas esse número já está maior, porque pelo menos mais três mortes foram registradas entre segunda e terça na cidade. Em todo janeiro passado, foram nove mortes.
SECRETÁRIO DE SEGURANÇA
Em entrevista ao Gazeta Online, na manhã desta terça-feira (29), o secretário estadual de Segurança Pública, Roberto Sá, afirmou não poder afirmar ainda que há uma relação direta entre a guerra do tráfico e os demais crimes em Vila Velha neste mês.
O que a gente tem percebido que são execuções. A maioria, nem todas. A grávida baleada não era o alvo. Mas são características de execução. O que está levando a essas execuções é o que a gente precisa saber. Mas não dá para associá-las, ainda. Pode ser que mais à frente esse resultado aconteça. Mas como ainda se busca a autoria desses crimes isoladamente, para depois tentar entender o contexto, no momento, não dá para dizer
Roberto Sá, secretário estadual de Segurança
O secretário também falou sobre os crimes em morros. "Agora o que está acontecendo dentro das comunidades, aí sim em sua a maior parte tem a ver com a questão do tráfico de drogas. Mas essa execução da rua tem questões passionais, por dívidas, desavenças pessoais. Uma série de hipóteses e, em investigação, a gente não descarta nada até estar com a possibilidade de representar pela prisão tipificando e individualizando a conduta".
Perguntado se o Primeiro Comando da Capital (PCC) atua no Estado, respondeu:
A gente sabe que esses grupos têm relação comercial. Alguém vende droga para o Espírito Santo. Não quero enaltecer esses criminosos nem ficar dando ibope para eles. Mas relação comercial tem, mas atuação física com fuzil na esquina de um beco são grupos daqui, pessoas daqui que, infelizmente, acabam entrando para o crime. É tudo muito dinâmico. Hoje está assim, amanhã pode estar diferente
Roberto Sá, secretário estadual de Segurança

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