Semelhante a açúcar, aparentemente inofensiva, mas com alto poder viciante e destruidor. A droga metanfetamina cristal foi apreendida na última quarta-feira (21) com um traficante de 30 anos, morador de Jardim Camburi, em Vitória, que fazia a distribuição de drogas consideradas diferenciadas e caras em festas de classe média e alta, além de cidades do litoral do Estado. Entre os entorpecentes, o cristal chamou atenção por ser pouco conhecida, além de ter alto valor no mercado. Mas, afinal, o que é o cristal?
De acordo com o delegado Fabrício Dutra, chefe do Departamento Especializado de Narcóticos (Denarc), que realizou a operação, essa é a segunda vez na história da Polícia Civil capixaba que o cristal é apreendido. A primeira vez aconteceu em julho de 2011, em Itapoã, Vila Velha.
"Apesar de ser uma droga pouco conhecida no Brasil, não significa que seja pouco consumida. Nossas investigações mostram que o mercado do cristal já pode ser superior ao de outras drogas. O efeito viciante dela é altamente destrutivo", afirmou.
O cristal também é conhecido por ser uma droga cara, normalmente utilizada por pessoas de classe média e alta. Uma grama tem o valor de R$ 200. Nessa operação, apreendemos 77 gramas
MAS AFINAL, O QUE É CRISTAL?
O médico especialista em dependência química João Chequer explica que o cristal é uma droga metanfetamina que causa dependência com muita facilidade, podendo ser comparada ao crack quando trata-se de poder viciante. Outra forte característica do entorpecente são quadros de alucinação e delírio, que pode levar o usuário ao suicídio, picos de violência e até homicídio.
"As alucinações podem durar de 8 a 12 horas, fazendo com que os usuários fiquem extremamente violentos e tenham as atitudes mais bizarras. Aqui no Brasil o cristal ainda não é popular, mas nos Estados Unidos sim, principalmente na região Norte e fronteira do Canadá. A droga, semelhante a um açúcar cristal, pode ser fumada e injetada, mas a forma mais comum é vaporizar e aspirar. Dessa forma o usuário destrói o nariz, danifica os olhos, a gengiva, os dentes... No Brasil, é comum que as pessoas usem colocando o cristal na língua", explica.
O médico completa que no Brasil outras drogas metanfetaminas são comuns como inibidores de apetite e rebite, muito utilizada por motoristas na tentativa de inibir o sono.
"Na minha experiência como médico, não recebi muitos casos de uso de cristal. Mas lembro de um paciente que usou a droga em São Paulo e quando ele entrou avião para retornar a Vitória ele teve uma crise de loucura total dentro na aeronave. Quando ele chegou aqui, a polícia já o esperava para prestar esclarecimentos. Esse usuário fez tratamento comigo e deixou de ser dependente", conta.
Mas quando a pessoa está em meio à alucinação do cristal, ninguém consegue segurá-la. Até pessoas pequenas e magras ficam extremamente fortes e agressivas, sendo necessário o uso da força de várias pessoas para contê-las
João Chequer completou que em casos de usuários mais sensíveis ou que fazem um grande consumo da droga, o cristal pode elevar a frequência cardíaca e a pressão arterial, além de causar aumento da temperatura corporal e tensão muscular, destruição de neurotransmissores, tremores, sudorese, vômitos, dor de cabeça, bruxismo, náuseas, hiperatividade, psicose alucinações e ataques de pânico.