Em meio a polêmica da ordem presidencial para que batalhões do exército em todo o Brasil comemorem, no próximo domingo, os 55 anos da instauração do golpe militar, um levantamento feito por A GAZETA apontou que, no Espírito Santo, seis ruas recebem o nome de 31 de Março, ao que tudo indica, uma homenagem ao regime que o país viveu por 21 anos.
Neste período não houve eleição direta para presidente e o Congresso Nacional chegou a ser fechado, com mandatos cassados. Além disso, 20 mil pessoas foram torturadas e outras 434 foram mortas ou desapareceram. Os dados são do Human Rights Watch (HRW).
A grafia do nome varia e é possível encontrar 31 de março ou Trinta e Um de março. No bairro Itacibá, em Cariacica, a Rua 31 de Março, segundo moradores, recebeu esse nome há cerca de 30 anos, quando ela ainda era de terra. Atualmente, a via é asfaltada e abriga o bar do comerciante Marcos Rogério dos Santos, 52 anos. Ele diz não saber o que aconteceu no dia que dá nome a rua e volta a pergunta para a reportagem. Ao saber o que aconteceu no dia referido diz que a homenagem parece justa. “Toda homenagem tem um motivo. Essa também deve ter”, opinou.
Em Itacibá, a rua 1º de maio (Dia do Trabalhador) cruza com a 31 de março. Ainda no município, nos bairros Graúna, Alto Lage e Oriente, de acordo com os Correios há ruas com nome 31 de março. Em nota, a Prefeitura de Cariacica afirmou que “não há na legislação vigente nada que impeça que ruas, logradouros e monumentos públicos sejam denominados 31 de março, vide Lei Federal nº 6.454.”
A Lei citada, foi sancionada durante a ditadura militar e proíbe “atribuir nome de pessoa viva ou que tenha se notabilizado pela defesa ou exploração de mão de obra escrava, em qualquer modalidade, a bem público, de qualquer natureza, pertencente à União”
Em Viana, a rua com mesmo nome fica em Areinha. Já em Linhares, no Norte do estado, a rua fica no bairro Novo Horizonte. Em todo Brasil, há 132 locais, como avenidas, ruas, travessas, praças e viadutos, batizados em homenagem à ditadura militar.