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Pedreiros são as principais vítimas de acidentes graves no ES

Números de um levantamento feito pela Secretaria de Estado da Saúde apontam as profissões com mais mortes e acidentes graves de trabalho

Publicado em 03/04/2019 às 13h32
Pedreiros são as principais vítimas de acidentes de trabalho no Espírito Santo. Crédito: Luiz Costa/Arquivo
Pedreiros são as principais vítimas de acidentes de trabalho no Espírito Santo. Crédito: Luiz Costa/Arquivo

O pedreiro Laudemar Ferreira Lima morreu, em agosto de 2018, após cair do terceiro andar de uma obra onde trabalhava, no bairro Itararé, em Vitória. Laudemar é um exemplo entre os diversos trabalhadores da construção civil vítimas de graves acidentes de trabalho no Espírito Santo. Entre os mortos e feridos graves, foram 45 pedreiros acidentados em todo o estado. Os motoristas de caminhão ficaram na segunda posição entre os profissionais que se acidentam com gravidade. Em números totais, o estado teve 96 mortes e 336 ferimentos graves em decorrência dos acidentes de trabalho em 2018.

Esses números são monitorados, desde o ano passado, pelo Núcleo Especial de Vigilância à Saúde do Trabalhador do Espírito Santo, da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa). A intenção do levantamento é mapear os segmentos com mais acidentes e aumentar as possibilidade de prevenção. A pesquisa engloba trabalhadores segurados pela Previdência Social e também os informais, que não têm a Carteira de Trabalho assinada. 

Os dados do estudo apontam que 14 motoristas de caminhão morreram no estado. Além de Laudemar Ferreira Lima, outros 12 pedreiros também perderam a vida enquanto trabalhavam. As cidades de Cariacica, Vila Velha e Cachoeiro de Itapemirim foram as que tiveram mais vítimas fatais, com cinco óbitos em cada uma. Entre os 96 mortos, 22 deles eram trabalhadores informais, de acordo com os registros.

Entre os 336 acidentes graves, 33 deles foram com trabalhadores da construção civil e 16 com motoristas de caminhão. Os trabalhadores informais foram vítimas de 60 acidentes graves.

A chefe do Núcleo Especial de Vigilância à Saúde do Trabalhador, Liliane Graça Santana, destacou que os estudos serão importantes para combater o problema da falta de segurança no trabalho.

"A partir do momento que a gente toma ciência desses acidentes e principalmente dos óbitos, nós vamos até as empresas e vamos conversar com os empregadores e firmar termos de obrigação a cumprir, para que essas situações não ocorram, para melhorar a prevenção nesses ambientes de trabalho", disse a representante da Sesa.

MEDIDAS PARA AUMENTAR A SEGURANÇA DA CATEGORIA

Em relação aos diversos casos de acidentes e mortes na construção civil, a representante da Sesa destacou que ações para o aumento da fiscalização nas obras serão discutidas com o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Espírito Santo (Crea-ES) e também com sindicatos da categoria.

"Vamos buscar mecanismos junto com a prefeitura e com o Crea-ES, para saber como isso vai ser feito. Não podemos permitir que isso continue acontecendo. Precisamos buscar alternativas para esses trabalhadores informais que estão trabalhando sem regulamentação e sem medidas de segurança", avaliou Liliane.

MELHORA NA TIPIFICAÇÃO DOS ACIDENTES

O núcleo responsável pelo levantamento também quer aprimorar o sistema de reconhecimento dos tipos de acidente, para que alguns acidentes de trabalho não passem despercebidos. No caso de acidentes com motoboys, por exemplo, o caso deve ser classificado como um acidente de trabalho e não apenas como uma ocorrência de trânsito.

No acumulado de todos os tipos de acidentes de trabalho em 2017,o Espírito Santo teve 10.422 ocorrências - média de um acidente a cada 45 minutos. Os levantamentos de 2018 ainda não foram concluídos. 

ACIDENTES DE TRABALHO EM 2018 

Acidentes com mortes: 96

Acidentes graves: 336 

PROFISSÕES COM MAIS MORTES

Motorista de caminhão: 14 mortes

Pedreiro: 13 mortes

CIDADES COM MAIS MORTES

Vila Velha: 5 mortes

Cariacica: 5 mortes

Cachoeiro de Itapemirim: 5 mortes

PROFISSÕES COM MAIS ACIDENTES GRAVES

Pedreiro: 33 acidentes

Motorista de caminhão: 16 acidentes

Trabalhador da agropecuário em geral: 15 acidentes

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