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Entrevista

'O amor pelo meu filho me fez vencer o crack', diz ex-usuária da droga

Após ficar mergulhada no mundo das drogas, Elizabete se livrou do vício há 10 anos e trabalha como voluntária em casa de recuperação

Publicado em 12 de Dezembro de 2018 às 01:06

Redação de A Gazeta

Publicado em 

12 dez 2018 às 01:06
Elizabete Martins Rosa celebra a nova vida com fé Crédito: Vitor Jubini
Poder de superação e determinação de mudar marcam a história da Elizabete Martins Rosa, 50 anos. Entre 2003 e 2004, ela tinha loja, carro e casa própria, mas perdeu tudo ao se entregar ao vício em crack. Ela chegou a pensar em suicídio, foi ajudada pelas irmãs e se internou em uma clínica de recuperação. Meses depois, voltou para o vício. Daí em diante, a vida de Elizabete decaiu ainda mais.
Para sustentar o vício, chegou a se prostituir e acabou engravidando. Em 2007, ela voltou para uma clínica e viu sua vida mudar. Hoje, há mais de dez anos sem usar drogas, usa sua história como incentivo para quem ainda vive no mundo das drogas. Ela conta que ser mãe a fez ter forças. “O amor pelo meu filho me fez vencer o crack.”
Entre 2003 e 2004. Não sei as datas ao certo porque foi uma época da minha vida que me perdi completamente. Eu tinha carro, casa, uma loja grande. Aí, descobri que a minha companheira de anos me traía e me roubava para usar drogas. Fiquei emocionalmente abalada e comecei a beber muito, depois supostos amigos me apresentaram o crack. Foi amor ao primeiro trago. Só queria saber da droga.
Como sua vida mudou a partir disso?
Eu comecei a perder tudo. Eu não conseguia mais pagar as minhas contas, eu não conseguia mais viver. Foram quase quatro anos de vício. Eu não tinha consciência de que estava perdendo tudo. Quando me dei conta, eu estava fumando crack à luz de velas, porque não tinha mais nada dentro da minha casa. Na minha mente eu conseguia esconder o vício da minha família. O negócio deixa a gente tão cego, que achava que ninguém percebia.
Você pediu a ajuda?
Eu estava pronta para me matar. Aí, pedi a Deus para me tirar disso. Dormi e acordei com minhas irmãs querendo me ajudar. Fui para uma clínica, fiquei quatro meses lá e sai achando que estava bem. Minha família alugou e mobiliou uma casa para mim. Eu vendi tudo que tinha e voltei para as drogas. Eu cheguei a me prostituir em troca de umas pedras de crack. Fiquei grávida e, então, a ficha começou a cair.
E o que você fez?
Eu usei droga até o sexto mês de gestação. De novo voltei pra oração. Levantei e saí andando. Devo ter andando por umas três horas e parei em uma casa para pedir água. Eles me deram e descobri que o local é uma clínica de reabilitação. Pedi para ficar lá, planejando ganhar o bebê, deixar a criança lá e fugir.
E o que fez você mudar?
O nascimento do Samuel, hoje com 11 anos. Peguei ele no colo e senti que precisava me libertar disso. Foi o amor pelo meu filho que me fez sair do crack. Já estava há três meses sem drogas e fiquei mais três anos na clínica, porque não tinha pra onde ir. De lá, consegui emprego em uma fazenda em Linhares, com um casal de idosos. Fiquei com eles por três anos e voltamos para Vitória. Trabalhei como motorista particular, cobradora, e hoje sou motorista de ônibus. Estou há mais de dez anos sem usar drogas.
O que você sente quando olha pra sua história?
Eu sinto uma mistura de sentimentos. Alegria e vontade de chorar. Tem muita gente que acha que não tem jeito para o vício. Eu fico muito feliz por estar de pé e poder ajudar. Eu sou voluntária na casa de recuperação onde me curei. Tudo que eu passei, todas as vezes eu pensei em desistir, hoje eu uso para ajudar outras pessoas. Usuário de droga sempre foi marginalizado, mas ninguém usa droga porque quer, sempre tem uma história emocional por trás do vício.
 

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