Particularmente tive uma sensação de frustração ao ver o fechamento do Parque Gráfico, inaugurado há apenas 20 anos. Quando o inauguramos, o projetamos para uma ampliação. É triste ver uma máquina em perfeitas condições e profissionais tão preparados serem desligados. Isso me tocou muito. Como uma coisa pôde ficar obsoleta tão rápido? Isso foi muito impactante para mim. Mas, por outro lado, sempre tivemos em mente que esse projeto não é o fim de uma empresa, não entregamos os pontos. Este projeto é uma renovação para a Rede Gazeta. Uma empresa como a nossa tem, obrigatoriamente, que passar por transformações. Quando inauguramos a TV Gazeta, não entendíamos nada, não dominávamos a tecnologia. Na concepção do meu pai, em 1976, conseguir a concessão da TV era uma forma de preservar o jornal, e olha só onde chegamos! Ao olhar esse espectro de tempo, fica claro que foi preciso, sempre, fazer escolhas. E hoje não tenho dúvida alguma de que tomamos a decisão certa. Tomou muito do nosso tempo, tomou recursos, mas acredito que essa transformação é que garantirá a perpetuidade de A Gazeta por mais 20, 30, 40 anos ou mais. Vendo hoje sinto que fizemos os movimentos certos a favor do jornalismo e da nossa reputação. A Gazeta sai desta transformação sendo vista como corajosa, visionária. Isso é muito compensador. Não dá pra dizer que o dever está cumprido porque esta tarefa não termina nunca. Mas passamos por esta encruzilhada mais fortes e com um time preparado para o futuro. Nossos produtos estão mais aptos e próximos das novas gerações que estão vindo aí, e é isso que vai garantir que esta empresa dure mais muitas décadas.