Eles não têm asas, nem auréolas, mas ajudam, e muito, estrangeiros que vêm ao Estado para estudar na Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes). São os chamados “anjos” que, desde 2015, se tornam uma referência na vida dos estudantes gringos em terras brasileiras.
Mas esqueça aquela imagem de anfitrião que recebe o intercambista nos moldes de uma família. No programa “Anjos na Ufes”, os brasileiros voluntários têm a função principal de ajudar os novos alunos de fora do Brasil a se ambientarem, não só no espaço acadêmico, mas também na cidade em que vão morar. Essas pessoas fazem parte da comunidade da universidade – são alunos, professores ou funcionários administrativos.
“Ter a experiência em outro país faz a pessoa amadurecer. E ter esse suporte como o do ‘anjo’ é legal, pois sabemos que temos uma pessoa ao nosso lado”, diz a chilena Silvia Urra González, de 26 anos, que faz mestrado em Educação Física e é contemplada pelo programa.
A secretária de Relações Internacionais da Ufes, Patrícia Alcântara Cardoso, explica que os interessados em ser “anjos” preenchem um formulário na inscrição, que acontece em datas específicas, informando desde dados básicos até interesses e hobbies. O estudante de fora do país também preenche o documento e a secretaria faz uma análise de dados até que dê uma combinação entre um brasileiro e um estrangeiro.
É aí que começa a assistência: a partir do momento em que o “anjo” sabe quem vai acolher alguém, ele começa a passar informações básicas sobre, por exemplo, qual ônibus ou transporte o estrangeiro deve pegar ao sair do aeroporto e quais documentações são necessárias.
“Nós temos todas essas informações, estão no nosso guia para o estudante, mas é bem melhor ter o suporte vindo de alguém com quem você pode contar”, afirma Cardoso.
Desde 2015, 200 intercambistas já foram atendidos pelo programa e, atualmente, há 324 inscritos para ser “anjo”.
EXPERIÊNCIA
A estudante Amora Tandara Vieira, 23 anos, é “anjo” desde o ano passado. Ela quis fazer parte do projeto, entre outros motivos, porque gosta de ter contato com línguas estrangeiras.
“É ótimo para fazermos amizades, conhecer novas culturas. Quis participar do programa porque gosto de ter contato com outros idiomas, e também gosto de conhecer pessoas de outras culturas, principalmente latino-americanos”, justifica a estudante.
Quem vem de fora também aprova a ideia e os países de origem são os mais variados: vai desde nossos vizinhos da América Latina até mais os distantes, como alguns da Europa e da África.
O italiano Federico Lesca, 23 anos, por exemplo, veio estudar no mestrado de Engenharia de Produção e destaca que essa ajuda, além de apoio prático e com as burocracias, também é uma companhia. “Chegar a um país estranho e ter uma pessoa assim, como referência, ajuda para que não nos sintamos sozinhos”, avalia.