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Vila Velha

Como o boato da morte de empresário quase provoca tragédia no ES

Nesta terça-feira (04), começaram a espalhar uma notícia mentirosa sobre o assassinato do empresário Helicelio de Souza, conhecido como Celim, que é dono de um famoso botequim em Vila Velha

Publicado em 05 de Junho de 2019 às 13:43

Laila Magesk

Publicado em 

05 jun 2019 às 13:43
Empresário Helicelio de Souza, vítima de boato em Vila Velha Crédito: Carlos Alberto Silva | GZ
Um boato quase causa uma tragédia nesta terça-feira (04), em Vila Velha, no Espírito Santo. No fim da tarde, a falsa informação de que o empresário Helicelio de Souza, 40 anos, mais conhecido como Celim, havia sido assassinado, se espalhou pela internet. Ao receber a notícia, familiares dele passaram mal e ficaram em estado de choque. A mentira ganhou tantos contornos que chegaram a falar que ele tinha se jogado da Terceira Ponte.
A notícia surgiu em áudios e foi amplamente compartilhada em grupos de WhatsApp. Com a voz de um homem, os áudios diziam que o Celim - proprietário de um famoso botequim -  tinha acabado de ser morto em Alvorada, bairro de Vila Velha, e que o corpo dele ainda estava no chão.
A filha de consideração do empresário, Larissa Pereira, de 28 anos, estava com o pai quando a mentira se espalhou. Nesta quarta-feira (05), ela conversou com a reportagem do Gazeta Online sobre o caso.
"A gente estava no escritório o dia todo trabalhando, porque a gente tem uma loja ao lado do bar. Por volta das 18h30, começou a chegar um monte de mensagens nos nossos grupos de promoters do botequim. Eles estavam preocupados com os áudios que tinham vazado na internet. O telefone deles não parava de tocar", diz Larissa. 
OUÇA OS ÁUDIOS
Com todos assustados e procurando saber se era verdade, Larissa tirou uma foto de Helicelio e postou no grupo dos promoters.
ESPOSA PASSOU MAL
Enquanto isso, sem saber que tudo não se passava de boato, a esposa do empresário passou mal ao ouvir as mensagens recebidas no celular.
"A minha mãe leva a minha irmã menor para o balé. No meio do caminho, ela recebe esse monte de áudio. Ela tentou ligar para ele e não conseguiu porque o telefone dele não parava de tocar. Esse monte de áudio, todo mundo ligando, ela entrou em estado de choque", conta a filha de consideração do casal.
Em determinado momento, a esposa, que já tinha deixado a filha no balé, conseguiu falar com o marido. "Estava em estado de choque, chorando muito, gritando. Não conseguia acreditar. Ela falou que o outro filho também estava passando mal, que era para ir atrás dele. Ele estava em casa, mas como não tinha ninguém, ele saiu para o meio da rua", diz Larissa.
Crédito: Carlos Alberto Silva | GZ
Segundo a filha, de tão abalada, a mãe não conseguia dizer em que local estava. Quando conseguiu, a família foi ao encontro dela.
"Fomos atrás dela. Pegamos o meu irmão no caminho, achamos ele. Acalmamos ele e fomos direto para onde ela estava, para acalmá-la. Chegamos lá, acho que era em Coqueiral, ela estava dentro do carro paralisada, em estado de choque." 
"Começamos a conversar com ela, meu pai a abraçou e ela foi acalmando. Não precisamos ir ao hospital. Era umas 19h5"
Larissa Pereira, filha de consideração do empresário - Cargo do Autor
PARENTES
Larissa conta que outros familiares também passaram mal por causa da mentira. Uma tia dele estava na academia e recebeu a notícia quando estava subindo a escada, quase caiu. A mãe dele estava na Serra e veio correndo para cá. Um transtorno emocional muito grande", desabafa.
TERCEIRA PONTE
A mentira cresceu e chegou à Terceira Ponte. "Não parava de chegar áudio falando que ele tinha falecido, que foi fora do bar, que o corpo estava no chão. Depois de tudo ainda falaram que ele foi para a ponte, que estava ventando muito e os bombeiros não conseguiram achar o corpo, só os documentos. Até isso! Esse outro comentário começou por volta das 19h30, 20h", lembra Larissa.
A filha enviou uma das mensagens. Veja abaixo a reprodução.
REDES SOCIAIS
A notícia falsa se espalhou com facilidade pelas redes sociais. Em uma das mensagens publicadas em um grupo com milhares de participantes no Facebook, uma mulher escreveu: "Gente, anunciaram o assassinato do Celim. Botequim do Celim em Alvorada. Alguém sabendo de detalhes?".
Para piorar a situação, a mentira era confirmada por outra pessoa, que comentou a postagem: "Parece que é verdade sim. Vizinhos confirmaram".
"TÔ AQUI VIVO", DIZ EMPRESÁRIO
Para esclarecer os fatos e mostrar que estava vivo, Celim gravou vídeos no Instagram, explicando o que aconteceu. "Bom, gente. Hoje essa notícia que falaram que mataram é mentira. Tô aqui vivo, tá vendo. Não me mataram. Não passou de uma brincadeira de mau gosto de uma pessoa que mora aqui no meu bairro, no bairro Alvorada. Diz que é meu amigo, mas de amigo não tem nada porque isso não é coisa de amigo", lamentou. 
Segundo o comerciante, a mentira gerou problemas. 
"sso me trouxe um transtorno grande. Minha mulher estava na rua, recebeu a notícia no carro, passou mal. Tivemos que sair atrás dela, para resgatá-la no meio do trânsito. Ela ficou em pânico. Meu filho também ficou em pânico, saiu de casa me procurando nas ruas, porque falaram que o meu corpo estava jogado na ru"
Celinho, empresário em rede social - Cargo do Autor
Por fim, tranquilizou os amigos e clientes. "Não passou de uma brincadeira de muito mau gosto. Isso não se faz. Agradecer a todo mundo, meus amigos, meus clientes que se preocuparam comigo".
O QUE DIZ A POLÍCIA 
No caso do boato envolvendo o empresário, o titular da Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Cibernéticos, Brenno Andrade, explica que não se enquadra como um crime, mas cabe um processo na Justiça. "Depende de cada caso concreto. Tem que ver se esse boato se insere em alguma questão criminal ou não. No caso do empresário, no meu entendimento, não há crime. Porque não vejo como ofensa à honra, divulgando uma mentira de que ele teria sido morto", disse. 
Se a vítima é caluniada, como cita o exemplo do delegado, o boato pode se tornar um crime. "Um exemplo mesmo é falar que uma determinada pessoa é um estuprador. Nesses casos, o boato é espalhado, sendo ele não é. O responsável pelo boato responderia por calúnia, e também está cometendo o crime de injúria a alguém, ai sim esse boato se tornaria um crime". 
Mas o delegado reforça que, caso a família se sinta prejudicada, e o responsável por espalhar a notícia falsa seja identificado, a vítima pode acionar Justiça. "Ela pode registrar uma ocorrência na delegacia, trazer os prints da conversa e a gente vai analisar se ali cabe um crime ou se cabe uma ação por dano moral", explicou.
TODO CUIDADO É POUCO
O delegado orienta que, ao receber uma notícia duvidosa, é necessário que a pessoa apure a informação antes de repassar o conteúdo. "A gente percebe que os boatos são espalhados com a justificativa de "apenas repassei", "apenas quis orientar outras pessoas", mas a gente sempre diz para as pessoas verificarem na internet se esse boato, se essa conversa, essa notícia, realmente é verdadeira. Fazer uma pesquisa no navegador de busca para ver se tem fundamento. Não repassar por repassar, porque ao invés de estar ajudando alguém você pode estar prejudicando outra pessoa. Então não repasse sem você confirmar a fonte da informação", finalizou.  
 

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