Livros de histórias nas estantes, painéis lúdicos e bem coloridos, atividades sobre as mesas e professor passando conteúdo. O cenário de sala de aula poderia estar em qualquer escola, mas fica no Hospital Infantil de Vitória. É nela que crianças e adolescentes internados no local têm aulas das matérias previstas no currículo escolar. No Estado, o número total de alunos em hospitais varia entre 250 e 300.
Esse dado torna o Espírito Santo uma das unidades federação no país em que o ensino em hospitais mais acontece.
Os dados são da Secretaria de Estado da Educação (Sedu). Para se ter uma ideia, nas escolas da rede estadual são 260 mil estudantes matriculados.
A idade dos alunos em hospitais varia: há estudantes-pacientes de 4 a 17 anos. Os estudantes em tratamento são atendidas pelo projeto Classe Hospitalar uma parceria das secretarias estaduais de Educação e Saúde que oferece aulas a quem está internado nos hospitais infantis de Vitória e Vila Velha, no Dório Silva, na Serra.
Da ortopedia para a Classe Hospitalar, Hyan Vinícius de Souza Berger, 11, diz que o que mais gosta na sala de aula do hospital são os livros e é durante os encontros com o professor que ele vê o tédio ir embora.
É a coisa que mais alegra a gente no hospital, afirma o menino que, aos 5 anos, foi alfabetizado no Hospital Infantil de Vitória.
Se Hyan já conhece as aulas no hospital, também há espaço para quem acabou de chegar. É o caso de Mariana Bonadiman, de 15 anos, que também é paciente da ortopedia. Ela, que gosta de Português, começou as aulas esta semana. É ainda algo novo para mim, diz.
Os alunos apresentam diferentes problemas de saúde, mas que não os impedem de aproveitar as aulas. O professor Rodrigo Gomes que leciona Geografia e História e afirma que alguns estudantes até sentem falta.
Os alunos gostam muito das aulas. A gente sabe de alguns deles que não gostam tanto da escola, mas curtem as aulas no hospital, revela o professor.
RESULTADOS
Antes de passar o conteúdo para os pacientes, os professores fazem contato com a escola de origem do estudante, colhendo informações sobre o nível de ensino de cada aluno.
E, se engana quem pensa que os pacientes reclamam de ter aulas enquanto estão internadas. A assistente social do Hospital Infantil de Vitória Tânia Britti afirma que os pacientes ficam animados com as atividades e isso afeta positivamente o tratamento
Quando a gente oferece para o paciente uma luz no fim do túnel, é uma coisa a que ele se apega, explica Tânia, ressaltando que aulas favorecem diretamente a autoestima dos estudantes.
Ela comemora que atualmente já se vê alunos que passaram pelo Classe Hospitalar se formando em cursos superiores. Já aplicamos prova do Enem aqui e já formamos a primeira leva de alunos, comemora a assistente social.
NÍVEL NACIONAL
Dados do Inep revelam que o Brasil registrou crescimento na taxa de matrículas em hospitais, entre 2013 e 2017. No ano passado, elas somavam 20,6 mil, de um total de quase 54 milhões de inscritos em todos os níveis de escolaridade básica, que vai da educação infantil ao ensino médio e técnico, incluindo Educação de Jovens e Adultos (EJA).
Desde 2013 até o ano passado, o número de matriculados para aulas em hospitais saltou de 9.996 para 20.607, enquanto o total de matrículas no Brasil teve uma pequena queda, de 55,4 milhões para 53,9 milhões. Com isso, a taxa de alunos tendo aulas em hospitais no país também aumentou, chegando a 38 para cada 100 mil.
DADOS DAS MATRÍCULAS
Espírito Santo
São entre 250 a 300 estudantes em três hospitais da Grande Vitória
Brasil
A nível nacional elas somam 20,6 mil, de um total de quase 54 milhões de inscritos em todos os níveis de escolaridade básica, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep),
2013 a 2017
Em 2013 eram 18 matrículas com aula em hospitais para cada 100 mil matrículas. Hoje são, em média, 38,2 a cada 100 mil.
Fontes: Secretaria de Estado da Educação e Inep