O Espírito Santo tem uma situação fiscal invejável, que traz confiança, mas ainda tem um grande gargalo que trava investimentos privados: a infraestrutura. Essa é a avaliação de empresários capixabas, que se mostraram otimistas com a recuperação da economia nacional, mas pediram um olhar mais atento do poder público, sobretudo do governo federal, para problemas de infraestrutura locais.
Entre os desafios, eles pontuaram a necessidade de melhoria das nossas rodovias, portos mais eficientes e também a ferrovia que ligará Vitória ao Rio.
Durante o 14º Encontro de Lideranças Pedra Azul, realizado neste final de semana, representantes do setor produtivo capixaba também falaram da importância de avançar no debate de uma reforma da Previdência estadual e, em nível nacional, na aprovação de uma reforma tributária que simplifique o sistema.
Veja as principais declarações dos líderes empresariais durante o encontro
"Há uma agenda pilotada pelo Ministério da Infraestrutura bastante assertiva, com resultados que já colhemos esse ano, e expectativa forte para o próximo ano, inclusive ações aqui no Espírito Santo, como a concessão da BR 262, a privatização ou concessão da Codesa, infraestrutura, novos leilões de petróleo, juro baixo, reformas sendo enfrentadas, tudo isso é muita potência para termos um bom 2020. Meu otimismo decorre desses fatos. "
"A gente vê um governo tentando implementar uma série de medidas para tornar a estrutura estatal mais leve e desburocratizar as empresas, mas isso ainda está em um processo muito lento. Tem que mudar a mentalidade política do país para abrir as portas para investimentos. Independentemente de onde venha, investimento gera emprego e riqueza. No Espírito Santo é preciso manter o cuidado fiscal. Hoje o Estado está classificado como nota A na gestão fiscal. Mas se ele não adotar medidas para fazer reforma na Previdência do governo e dos municípios em pouco tempo nosso Estado passará a ser deficitário. "
"Nós criamos uma expectativa grande para 2019. Não conseguimos todas as metas que estavam previstas, mas estamos muito otimistas com os sinais de reformas e medidas que vem aí. Precisamos agora consolidar essas reformas nacionais para avançar mais. Tem também a questão do petróleo vazado no mar, agora, que precisamos enfrentar."
"O Estado tem uma pendência muito grande de infraestrutura. A gente tem um problema de rodovias, com necessidade de investimentos nessa área, projetos na área de ferrovias para saírem do papel. Isso tudo ajuda a ancorar investimentos. O Estado como um todo vai bem, tem uma pontuação muito boa por ter disciplina fiscal, ele precisa de um pouquinho mais de apoio do governo federal para mostrar o que pode fazer, e isso sobretudo na infraestrutura."
"Estamos bem otimistas para 2020 porque a sociedade está conscientizada que precisamos avançar nas reformas que vão ser muito importantes para atrair investimentos no país e também no nosso Estado. Nós estamos muito confiantes com a responsabilidade das autoridades do Espírito Santo. Acredito que se não houver avanços nesta emenda da reforma da Previdência no nosso Estado, já vamos poder discutir a reforma aqui para continuar tendo essa condição favorável no ambiente fiscal e também que a gente consiga avançar na melhoria do ambiente de negócios que contribua para os avanços de obras de infraestrutura tão necessárias para o Espírito Santo."
"A gente inicia o ano com cautela por causa do cenário econômico. Agora com aprovação da reforma da Previdência a gente consegue ter um cenário de mais otimismo para o país e a gente acredita nisso, no potencial do Brasil. Estamos confiantes que o cenário internacional melhore também e que tenhamos um ano melhor para o nosso setor de celulose."
"A gente entra em 2020 com muito otimismo após a aprovação da reforma da Previdência e já iniciando a discussão de uma reforma Tributária, que é importante. Acho que o mercado doméstico vai começar a se ajustar ao longo dos meses. Com isso, o ano deve gerar um cenário positivo de consumo no país, que está com a inflação dominada e juros baixos. A questão é, vamos ter produtos para entregar?"
"Na opinião do cooperativismo o ano poderia ter sido melhor e as reformas poderiam ter sido realizadas de forma mais ágil. Agora ficamos na expectativa pela aprovação da minirreforma Tributária e também a reforma do Estado. Precisamos também destravar as reformas nacionais para crescer no Espírito Santo e continuar de olho no ajuste fiscal. Julgamos ser muito importante que o governador mantenha responsabilidade herdada do governo anterior, que já está mantendo. Investimento sim, mas preocupado com o custeio. Se seguir na linha de aumentar investimento, sobretudo em infraestrutura, e reduzir custeio temos uma expectativa muito positiva."
"A reforma Tributária é essencial para o setor de varejo. Como o governador disse, as multas têm função de educar e não arrecadar. E esperamos que isso mude. Hoje nós temos mais de 10% da nossa equipe de escritório para dar conta das obrigações, atender a legislação e burocracia. E isso torna o produto mais caro para o consumidor. Estamos trabalhando e esperamos que a reforma simplifique isso. Para o Espírito Santo, o projeto que muda as multas que foi enviado pelo governo para a Assembleia é uma preocupação do setor e que também vai dar mais segurança para novos investimentos no Estado."
"Nós do setor de café temos o sonho de ter um porto eficiente, de águas profundas, que possa levar o nosso café daqui para o destino final: Europa, EUA e Ásia. E para isso precisamos de um porto assim. Temos alguns projetos assim no Estado e cremos que brevemente teremos algum com a pedra fundamental mesmo, e se tornando realidade em 3 ou 4 anos. Em infraestrutura, também tem as rodovias, como a BR 262, que liga o Estado a Minas Gerais, o maior produtor de café do Brasil. A produção de café de Minas poderia escoar por aqui e exportar por aqui, mas falta boa rodovia e um porto mais eficiente."