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Publicado em 31 de janeiro de 2023 às 18:34
Com uma dívida milionária que chega a quase R$ 150 milhões, a empresa Metropolitana Transporte e Serviços foi excluída da prestação de serviços para o Sistema Transcol. Junto com a Viação Tabuazeiro, que faz parte do grupo, elas ingressaram na Justiça estadual no final do ano passado com um pedido de recuperação judicial, que ainda não foi aceito. >
É o segundo grupo de transporte que presta serviços para o Sistema Transcol, do governo do Estado, que entrou em colapso e apresentou pedido de recuperação judicial. >
O mesmo ocorreu com a Viação Grande Vitória, que apresentou sua solicitação em dezembro do ano passado, com dívida superior a R$ 99 milhões, e em janeiro deste ano a Justiça estadual aceitou a sua recuperação judicial.>
À Vara Especializada de Recuperação Judicial e Falência da Comarca de Vitória do Espírito Santo, as duas empresas (Metropolitana e Tabuazeiro), com sede em Vila Velha, informaram uma dívida de R$ 149.913.213,84. >
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A Metropolitana fazia parte do Consórcio Atlântico Sul, que reúne um conjunto de empresas que operam o Sistema Transcol. Ela foi excluída dos quadros em 12 de setembro do ano passado, mas, desde o dia 28 de agosto de 2022, já estava com as suas atividades paralisadas, segundo informou o consórcio em processo que tramita na Justiça.>
No documento, a que A Gazeta teve acesso, é informado que a exclusão da empresa se deu não somente pela perda de sua idoneidade financeira. “Lastreou-se exclusivamente na irremediável perda de sua condição de regularidade fiscal e previdenciária”, é dito no texto.>
É explicado ainda que a permanência da Metropolitana no consórcio, nas condições em que se encontra, colocaria em risco não só o emprego de seus 250 funcionários, mas também os de outros 3.300 que trabalham para as demais cinco empresas do mesmo consórcio.>
É relatado ainda que se a Metropolitana não houvesse sido excluída, teria significativa parte de sua operação reduzida para o ano de 2023, pois 29 de seus 54 veículos operantes seriam descadastrados do Sistema Transcol, por não atenderem as condições de idade máxima previstas no contrato de concessão.>
“Das 11 empresas integrantes dos 2 Consórcios operadores do Sistema Transcol (Atlântico Sul e Sudoeste), expostas aos mesmos desafios e restrições na operação dos serviços concedidos, a Metropolitana é a única que não realizou as renovações de frota previstas contratualmente e que possui substanciosos débitos trabalhistas, tributários e previdenciários”, é explicado no documento.>
A Metropolitana chegou a obter uma liminar (decisão precária) na Justiça estadual para permanecer no consórcio, mas foi derrubada no final do ano passado, sendo mantida a sua exclusão.>
No pedido de recuperação judicial enviado à Justiça, a que A Gazeta teve acesso, é informado que as duas empresas do grupo possuem um “entrelaçamento” e que o patrimônio da Metropolitana vem sendo afetado por decisões judiciais trabalhistas propostas contra a Tabuazeiro. Em função disso, é solicitado que o processo seja único para as duas empresas.>
“Há o risco inevitável de a decretação da quebra de uma delas acarretar, por arrastamento, a quebra da outra”, é informado no documento.>
Entre os motivos que levaram o grupo à atual condição, foram declaradas as seguintes situações:>
Pandemia de Covid - Uma das principais fontes de receita do grupo empresarial advém da bilhetagem eletrônica gerida pelo GVBus (sindicato das empresas de ônibus) e que, segundo a empresa, foi drasticamente afetada pela pandemia com a redução de circulação de pessoas nos espaços públicos e, por consequência, o uso de transporte público. Embora a situação da pandemia tenha se revertido nos meses seguintes, “o déficit acumulado ainda persiste nas contas da empresa”, é informado.>
Manutenção da frota e dos empregos - Segundo o grupo empresarial, mesmo com a redução da arrecadação, foi necessário manter cinco empregados por ônibus da frota. “Os quais estavam parados, sem gerar faturamento, mas exigiam a manutenção das obrigações ordinárias, a saber: salários, despesas fixas e variáveis”.>
Subsídios governamentais - A segunda fonte de renda da Metropolitana advém dos subsídios governamentais destinados ao transporte público. Mas ela alega enfrentar dificuldades em receber o repasse dos recursos em decorrência de passivos trabalhistas da Viação Tabuazeiro, a qual acaba sendo responsável por integrar o mesmo grupo empresarial. >
“A não liberação dos subsídios, a um só tempo, impede que a Metropolitana arque com as obrigações da Tabuazeiro, a ela redirecionadas por força de determinação judicial, e impede que a Metropolitana cumpra, ao tempo e modo devidos, suas próprias obrigações, fazendo com que ela se veja acionada em juízo por outras dívidas em relação às quais não consegue fazer face”, foi informado à Justiça.>
Acrescentam ainda que, em decorrência do problema, a Metropolitana “passa a encontrar dificuldades para a gestão do pagamento inclusive de sua folha salarial e despesas fixas”. E cita o comprometimento mensal com bancos e sindicato que “não é possível ser satisfeito”.>
Integração de Vitória ao Transcol - É dito no documento apresentado à Justiça que, a partir de 2021, a situação para a Viação Tabuazeiro, que prestava serviço de transportes em Vitória, se agravou com a integração das linhas da Capital ao Sistema Transcol. Com isso, a Tabuazeiro teve suas linhas realocadas para a Metropolitana e ela perdeu seu faturamento advindo da atividade. Sua fonte de renda passou a ser o arrendamento e/ou aluguel de seus ônibus para empresas do setor de transporte coletivo urbano.>
“A herança nefasta de passivos proveniente da pandemia (comprometimento financeiro) atrelada à perda de sua principal fonte de renda (prestação de serviço de transporte urbano) cria para a Tabuazeiro cenário devastador, o que vem afetando, indiretamente, a condição da Metropolitana”, é dito no documento a que A Gazeta teve acesso, acrescentando que as duas empresas necessitam da recuperação “para compor suas energias e honrar seus compromissos sem chegar à quebra”.>
À Justiça, o grupo informa que, sem a Metropolitana, a realidade da Viação Tabuazeiro seria de “entrar em estado pré-falimentar”. “A única fonte de receita de que atualmente dispõe a Tabuazeiro não é suficiente o bastante para fazer face ao pagamento do passivo que possui". >
Ao explicar a necessidade de que o pedido de recuperação judicial seja aceito para as duas empresas, é informado que a sobrevivência de uma depende da outra.>
“Sem o auxílio da Metropolitana, o caso da Tabuazeiro seria o de decretação da falência. Lado outro, a decretação da quebra da Tabuazeiro leva a Metropolitana, por arrastamento, à condição de insolvente, com sua consequente quebra”, é dito no documento.>
A Metropolitana atua em transporte coletivo desde o ano de 2009 e operava no Sistema Transcol pelo Consórcio Atlântico Sul. No documento à Justiça informa que oferecia 200 postos de trabalho ativos. Foi excluída e deixou de operar em 12 de setembro de 2022.>
A Viação Grande Vitória atuou no transporte coletivo urbano de Vitória de 1972 a 2021, quando as linhas foram incorporadas ao Sistema Transcol.>
Por nota, o GVBus informa que “não sabe como está a situação da Metropolitana”, considerando que ela deixou de operar no Sistema Transcol em setembro de 2022. >
“O sindicato reitera que o serviço vem sendo prestado normalmente à população pelas demais empresas operadoras desde então. Com relação à Tabuazeiro, ressalta-se que a empresa nunca fez parte do Sistema Transcol ou do GVBus”, é dito em nota do GVBus.>
Já a Secretaria de Estado de Mobilidade e Infraestrutura (Semobi), gestora do contrato de concessão do Transcol, informa que “não possui contrato com a empresa Metropolitana e, sim, com o consórcio Atlântico Sul”.>
Acrescenta que, em setembro do último ano, o consórcio realizou um processo administrativo interno que resultou na exclusão da empresa Metropolitana. “Portanto, a mesma não opera mais no Sistema Transcol. A partir de então, as outras empresas do consórcio assumiram a operação, com o devido atendimento aos requisitos técnicos, operacionais e legais, sem comprometer a prestação do serviço aos usuários do sistema”, é dito na nota.>
Acrescenta ainda que o governo do Estado “está regular com todas as obrigações de pagamento referente aos subsídios, não cabendo nenhuma justificativa sobre atraso de pagamentos”. E reforça que a situação do grupo empresarial Metropolitana/ Tabuazeiro “não afeta a operação do Sistema Transcol e o atendimento à população”.>
Em contato com a reportagem, a defesa do grupo Metropolitana/Tabuazeiro disse que não vai se manifestar sobre a tramitação do processo na Justiça estadual. >
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