Sair
Assine
Entrar

Entre para receber conteúdo exclusivo.
ou
Crie sua conta A Gazeta
Recuperar senha

Preencha o campo abaixo com seu email.

Freepik
Educação na pandemia

Estratégias para pais e professores reforçarem aprendizado em 2021

Novas formas de sintetizar conteúdos e a maior participação da família no processo de ensino serão fundamentais para auxiliar os estudantes

Elis Carvalho

Repórter de Cotidiano

Publicado em 03 de Janeiro de 2021 às 12:55

Publicado em

03 jan 2021 às 12:55
aula -aluno - ensino - distancia - escola - curso
Envolvimento da família no processo de aprendizado é essencial, mesmo que os pais não tenham conhecimento sobre o conteúdo Crédito: Freepik
A pandemia do novo coronavírus (Covid-19), mudou rotina e hábitos da população 2020, independente da faixa etária. Mas entre crianças e jovens, as mudanças mais significativas foram na área da Educação, com o fechamento de escolas e a adesão às aulas remotas, forçando uma rapidamente alteração no modelo educacional tradicional. 
Para 2021, o desafio dos estudantes será recuperar o tempo perdido e os conteúdos que não puderam ser bem assimilados no formato digital, enquanto aprendem novas disciplinas e tentam se adaptar às novas regras de convivência, com uso de máscara e distanciamento, para evitar a disseminação do vírus.
Mas especialistas em Educação destacam que o momento será desafiador também para pais e professores, que terão a missão de reforçar o aprendizado das crianças e adolescentes, dentro do modelo de educação híbrido, com aulas presenciais e remotas, alternadas. Veja as estratégias apontadas pelos especialistas.  

1) PARTICIPAÇÃO DA FAMÍLIA É ESSENCIAL

Se em um passado não muito distante a responsabilidade pelo aprendizado acadêmico era quase que exclusivo do corpo docente, em tempos de pandemia essa realidade mudou por completo. Agora, a participação direta da família é essencial para o sucesso do estudante.
E mesmo que pais e responsáveis não sejam escolarizados ou independente da classe social que tenham, só o fato de incentivarem o aluno, tentando possibilitar um ambiente adequado para os estudos, já faz grande diferença. Para Gilda Cardoso, doutora em Educação e professora da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), em um momento tão difícil é importante demonstrar interesse e passar a confiança de que o estudante vai superar as dificuldades.
"Mesmo que os responsáveis não consigam entender a matéria, atitudes como desenvolver um cantinho dos estudos, olhar o caderno e fazer elogios já é um reforço positivo. As dificuldades do conteúdo devem ser sanadas com os professores. Para isso, deve-se incentivar o aluno a nunca ter receio de expor o que não entendeu. Muitos pais se veem desesperados com a ideia de que precisam ajudar os filhos nos conteúdos, mas os pais não são professores. Vale muito mais a valorização e incentivo do estudo do que a tentativa de se colocar no lugar do professor", conta.
"Em 2021 vamos precisar de uma corrente do bem pela educação, pois estamos em um prejuízo muito grande nessa área. A sociedade, de modo geral, responsabiliza muito a escola por todo processo de aprendizagem. A pandemia mostrou que é necessária uma parceria com a família. Mesmo que os responsáveis não façam esse acompanhamento, é importante que um irmão mais velho ou outro parente ajude nessa direção"
Gilda Cardoso - Doutora em Educação e professora da Ufes
Em meio a um contexto que já gera uma angústia que impacta diretamente a qualidade dos estudos, a doutora em Educação e professora da Ufes, Cleonara Schwartz, afirma que os alunos vão precisar de apoio familiar para que conseguiam seguir persistentes, perseverantes, tendo paciência e calma, para fazer aquilo que é possível dentro das condições limitantes de cada um.
"O estudante não pode ser responsabilizado sozinho. Ele precisa de ajuda e mediação de educadores e familiares, seja para trabalhar a ansiedade ou para ter a organização necessária desse novo modelo de aprendizagem. O jovem pode desistir facilmente ao enfrentar obstáculos e vai precisar ter ajuda qualificada, acolhimento e apoio emocional para seguir. Não vai ser um ano fácil. Principalmente para aqueles que não possuem condições de ter uma organização, porque essa organização é dependente de situações objetivas, sociais e econômicas de cada família. Como pedir organização para um estudante que sequer tem uma mesa para comer e, se tem, precisa dividir as ferramentas com uma família grande, com todos transitando naquele ambiente?", indaga.

2) INCLUSÃO DIGITAL DEVE SER REAL E PARA TODOS

E não é possível pensar em recuperar o tempo perdido na Educação sem falarmos de uma inclusão digital real para todos. Muitos estudantes acabaram com os estudos prejudicados por não terem acesso a uma internet de qualidade durante as aulas remotas. Para especialistas em educação, essa foi uma das grandes amostras da desigualdade social no país durante a pandemia e, para que 2021 seja diferente, é fundamental um esforço em disponibilizar recursos adequados aos alunos.
Jovem assistindo aula no notebook - videoaula
Modelo de ensino vai mesclar aulas remotas e presenciais Crédito: Freepik
A especialista em Educação e professora da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj) Maria Celi Chaves Vasconcelos conta que ainda há uma quantidade enorme de alunos sem acesso aos meios tecnológicos para aprendizagem.
"Algo precisa ser feito em 2021 para dar acesso aos milhares de alunos que estão completamente fora do ensino remoto, seja porque não possuem acesso a computadores ou a internet de qualidade. O grande movimento do próximo ano deve ser de inclusão digital da população, pois muito provavelmente iremos permanecer em um modelo remoto, mesmo que aliado à atividade presencial em alguns momentos. Essa deve ser uma pauta prioritária. Não dá para seguir com o ensino remoto normalmente se sabemos que só uma parcela da população tem acesso", afirma.
Quem concorda com essa necessidade é a professora Cleonara Schwartz. Ela acrescenta que o ano de 2021 precisa se programado para atender políticas democráticas de aceso às ferramentas tecnológicas e à própria internet. Para a especialista, isso vai requerer que a escola seja sensível ao fazer um diagnóstico aprofundado para que possa atender essa demanda emergencial.
"As desigualdades em termos de condições de acesso, principalmente à internet, mostrou que em um contexto como esse - onde é preciso fazer o uso remoto - grande parcela da população ficou prejudicada. E não falo apenas da classe mais pobre, mas a classe média também. Isso porque nem todo mundo tem acesso à internet de qualidade, de fibra óptica e banda larga. É algo que precisa ser melhorado. Não se faz nenhum tipo de transformação sem ter uma política mais democrática como de acesso à rede de internet. Isso virou condição básica. Acredito que 2021 vai precisar de um trabalho cada vez mais coletivo no interior das escolas, para uma reorganização que possa dar conta de que alunos tenham condições de acompanhar o que vai ser trabalhado".
"O trabalho remoto em 2020 foi feito em um contexto de muita desigualdade. Em 2021 temos que gerar uma demanda para que se construam novas formas de se trabalhar e dar conta dessas diferenças de acesso. Muitos alunos foram impedidos de ter condições de estudo que a escola possibilitava antes da pandemia, com todos tendo acesso igualmente às tecnologia e metodologias ensino. Isso é muito triste"
Cleonara Schwartz - Doutora em Educação e professora da Ufes

3) SINTETIZAR CONTEÚDOS SEM PERDER A QUALIDADE

Para retomar o estudos em 2021 com qualidade, não podemos ignorar o contexto da pandemia em 2020. Ou seja, não dá para seguir com o conteúdo do próximo ano como se nada tivesse acontecido nos últimos meses. As escolas terão que fazer uma escolha daquilo que realmente é essencial nas disciplinas. Para essa definição, é necessário um planejamento profundo e criativo, de acordo com especialistas.
"Praticamente, teremos dois anos em um. Então, os conteúdos essenciais devem ser beneficiados. O próprio Conselho Nacional de Educação recomenda que haja algumas modificações, sintetizando o currículo escolar, sem perder a qualidade. Não são escolhas fáceis e devem ser realizadas de forma criteriosa, com engajamento de alunos e a família também. Por exemplo, disciplinas como Geografia e Filosofia podem ser trabalhadas juntas em um conteúdo de Português. É possível aprender sobre república e democracia, por exemplo, analisando diferentes formas textuais a partir de artigos de jornais sobre a pandemia. É possível estudar interpretação texto e, ao mesmo tempo História, analisando as desigualdades na pandemia", explicou Gilda Cardoso.
A professora completa que não é possível seguir uma cartilha como se a Covid-19 nunca tivesse existido. O tema, aliás, precisa ser abordado nas disciplinas para que o conteúdo faça sentido para o aluno, que já está passando por um turbilhão de emoções devido à pandemia.
"É preciso fazer escolhas inteligentes e criteriosas para ensinar de forma sintetizada, sem perder a qualidade. As escolas têm uma reponsabilidade muito grande ao elaborarem a proposta pedagógica do ano que vem e acho, como especialista na área, que não dá para retornar uma apostila reformulada antes da pandemia como se nada tivesse acontecido. A Covid-19 é global e não podemos voltar as aulas distanciando essa realidade. Os números da doença, por exemplo, podem ser usados em Matemática, com estatísticas. Os alunos podem entrevistar profissionais da saúde e jornalistas. Esse é um aprendizado que não vamos encontrar nas apostilas. Os docentes vão precisar ser criativos, além de contar com o envolvimento de responsáveis e alunos".
Para chegar nessa sintetização de conteúdos, criatividade no modelo das aulas e envolvimento de responsáveis e alunos, Cleonara Schwartz afirma que não há uma receita de bolo. Mas indica que será necessária uma programação a partir daquilo que estava previsto para 2020, analisando o que foi possível ser feito e aquilo que precisou ser deixado para trás.
"Não adianta começar ano de 2021 como se o que foi feito em 2020 tenha sido completamente satisfatório. Em termos de aprendizagem, houve um impacto muito grande em cada estudante em função da pandemia. Isso precisa ser retomado a partir de uma reprogramação, com diagnósticos e análises, além de um acompanhamento inicial do que foi possível ser aprendido. E, a partir dessas avaliações, traçar novos caminhos, elegendo conhecimentos básicos necessários para que os alunos possam acompanhar o ano 2021. É necessário haver planos pedagógicos que definam o que ensinar e como ensinar, sempre nessa integração entre escola e família", diz.
O objetivo do Encontro de Pais e Mestres é refletir sobre as novas formas de ensino e propor soluções para os desafios enfrentados na educação
Alunos terão de se adaptarem a novas regras de convívio para evita disseminação do coronavírus Crédito: Freepik
Embora a prioridade seja incluir os alunos que não tiveram acesso as aulas remotas, de acordo com a educadora Maria Celi Chaves Vasconcelos, trabalhar os conteúdos de uma forma mais abrangente será fundamental para a qualidade do ensino em 2021.
"A gente vai ter que reforçar toda estrutura curricular, fazendo, sim, escolhas nas disciplinas. Mas, especialmente, priorizando aquilo que de fato tem possibilidade de se trabalhar de uma forma mais abrangente e transdisciplinar. Ou seja, envolvendo os alunos em projetos maiores que abordem várias matérias ao mesmo tempo. Assim, à medida que o conteúdo for entregue, essas perdas serão minimizadas"
Maria Celi Chaves Vasconcelos - Especialista em Educação e professora da UERJ

A Gazeta integra o

Saiba mais
Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados