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Em 2020

ES registra o menor número de divórcios dos últimos 13 anos

Dados do Estado estão na contramão do restante do país, que teve aumento no volume de separações no ano passado em meio à pandemia

Publicado em 09 de Fevereiro de 2021 às 13:46

Aline Nunes

Publicado em 

09 fev 2021 às 13:46
Divórcio; separação; rompimento; relacionamento
O maior volume de separações no Espírito Santo em 2020 ocorreu no último trimestre  Crédito: Freepik
Em um movimento diferente do registrado no país, o Espírito Santo teve queda no número de divórcios em 2020. Foram 8.479 casos, o menor volume em 13 anos, quando foi iniciada a série histórica. A redução foi de cerca de 34% em comparação a 2019, ano em que o Estado teve 12.919 separações em cartório. 
Desde 2012, o Espírito Santo está oscilando entre descidas e subidas no indicador de divórcios, mas nos três últimos anos o Estado registrou apenas queda na quantidade de dissoluções de casamentos. Antes de 2020, o menor nível havia sido em 2009, quando foram registrados 10.052 casos. O levantamento é do Sindicato dos Notários e Registradores do Estado do Espírito Santo (Sinoreg-ES). 
Em 2020, a maioria dos registros no Espírito Santo se concentrou no final do ano. Entre outubro e dezembro, foram 3.039 divórcios, o que representou quase 36% das dissoluções do ano. Nesse período, já estava em vigor um novo provimento do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) que autoriza o divórcio virtual, desde que a separação seja consensual e não haja filhos menores envolvidos.
O conselho federal do Colégio Notarial do Brasil, por sua vez, revela que o segundo semestre de 2020 teve o maior número de divórcios no país desde 2007, e a variação em relação a 2019 chegou a 15%, bem superior à média histórica anual de 2%.
No Espírito Santo, o número de casamentos também foi menor em 2020, passando de 23.041 para 19.459 em comparação ao período de janeiro a dezembro anterior. 

PANDEMIA

Em um ano atípico como 2020 devido à crise da Covid-19, a queda na quantidade de uniões era esperada devido às restrições para realização de festas, ao mesmo tempo em que o confinamento e a convivência prolongada contribuíram para o término de algumas relações já consolidadas. 
"Primeiro devemos pensar que a pandemia pegou todos de surpresa. Algo imprevisível, que obrigou as pessoas a fazer um movimento para dentro de casa, sem uma preparação e de forma muito abrupta", pontua a psicóloga Adriana Müller, comentarista da CBN Vitória. 
A imprevisibilidade e a rápida necessidade de mudança, associadas à falta convívio social,  foram determinantes para a separação de muitos casais. Adriana destaca que, antes do confinamento, cada um podia usufruir um pouco de sua individualidade, fosse nas relações de trabalho, fosse num ambiente acadêmico. Sem contar os momentos de lazer que foram suprimidos do dia a dia pelos riscos de contágio. 
"Antes, os casais acordavam e cada um fazia a sua atividade. Tinham o movimento de sair para atividades físicas, de lazer, cursos, trabalho, e só então voltavam para casa. Esse movimento acabou, e toda família ficou em casa, não tinha mais a válvula de escape, de encontrar outras pessoas, de mudar o foco do pensamento em outro ambiente, do contato social, o que ajuda a desestressar", analisa Adriana, sem considerar um eventual contexto de perda de emprego e renda.
A grande dificuldade para muitos foi o fato de os espaços conjugais e individuais se misturarem que, segundo Adriana, vários casais não conseguiram equilibrar. 
Questionada se o rompimento se tornou inevitável para aqueles que já tinham um desgaste na relação, a psicóloga ressalta que não se trata de uma regra, e cita como exemplo um casal que, a partir do momento que passou a ter uma convivência maior devido à pandemia, começou a reconhecer as dificuldades e desafios do trabalho do cônjuge, ressurgindo um olhar de admiração e valorização. 
"Para manter a parceria num cenário que é absolutamente diferente e imprevisível, é preciso retomar os espaços de diálogo, de escuta do outro, de busca constante do equilíbrio. Os casais que não conseguiram fazer isso, começaram a entrar num embate, a ter atitudes intolerantes, com pensamentos diferentes que, sem consenso, tiram esse olhar de admiração, criando o desgaste que pode levar à separação", conclui Adriana Müller. 

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