Em 470 anos, naturalmente Vitória se transformou ao longo do tempo e muito dessas mudanças puderam ser observadas nas últimas décadas. Para os que viram a história acontecer ou estão dando os primeiros passos na cidade, um sentimento em comum: o amor.
Exemplos de vitalidade, as moradoras Maria da Penha de Castro Pereira, de 102 anos, e Angela Rodrigues Amorim, 97, têm boas recordações do que já viveram na Capital.
Natural de Nova Almeida, Serra, Maria da Penha se mudou com o marido, Climério, e os quatro filhos para Vitória em 1957, morando, inicialmente, em Consolação. Em 1960, foram para a avenida Marechal Campos, na subida do Bonfim, e abriram uma mercearia. Quatro anos depois, inauguraram uma fábrica de picolés em Maruípe.
“Há algumas coisas que não me esqueço. A avenida Maruípe era chão puro, não tinha asfalto quando viemos para cá. Em Vitória, houve muito alagamento. Antigamente, a Praia do Canto e a Enseada do Suá tiveram que ser aterradas. Na década de 60, meus filhos e eu frequentávamos as praias de Camburi e Santa Helena. Também lembro muito dos trilhos no bondinho, no Centro e em Jucutuquara”, recorda a moradora centenária.
Para Angela Amorim, Vitória está bastante diferente. “Com 6 anos, comecei a estudar no Colégio do Carmo, no Centro. Vitória era beleza natural. Adorava a Vila Rubim e a Ilha do Príncipe. Mudou muito. Lembro do Saldanha da Gama, época que deixávamos os sapatos na porta e íamos dançar bolero e gafieira na adolescência. Quando voltei para Vitória, aos 45 anos, fui uma das primeiras moradoras de Jardim da Penha. Começamos a construir a igreja católica (São Francisco de Assis) no bairro, próximo ao Sesi. Fui uma das primeiras comerciantes do bairro também”, lembra.
As duas desejam prosperidade para Vitória e se conectam com os bons sentimentos das novas gerações, que valorizam as belezas da Capital e pedem, ainda, mais reconhecimento ao que o município oferece de bom.
Aos 15 anos, Fernanda Francisco Cruz Júlio da Silva, que nasceu em São Pedro e estuda na Ilha das Caieiras, tem orgulho de morar em Vitória.
“Qualquer ponto da nossa cidade é lindo. Amo ir às praias daqui, principalmente Curva da Jurema e Camburi. Gostaria muito que as pessoas valorizassem mais a nossa terra”, ressalta a adolescente que tem, entre as atividades que mais gosta de fazer, a participação nas aulas de dança na Fafi, no Centro.
Com um olhar doce, um sorriso tímido e uma vontade grande de vencer, a jovem Tauana Pereira Lima, de 17 anos, nasceu e cresceu na comunidade de Bonfim, onde brincou de casinha, se pendurou em árvores, correu e pulou muito na infância. Atualmente, estuda em uma escola municipal em Maruípe, destacando, inclusive, que é a única da família a chegar ao ensino médio.
“O mirante da minha comunidade é lindo. É o lugar que mais gosto aqui em Vitória, pena que poucas pessoas conhecem. Dá para ver vários pontos da cidade. Dá muita paz. Sentimos o vento bater, podemos pensar na vida, tudo calmo e sem barulho”, descreve Tauana, que conheceu vários atrativos de Vitória, como Parque Gruta da Onça, Camburi e Museu Capixaba do Negro (Mucane), por meio do ProJovem, um projeto da administração municipal voltado para esse público. “Eu amei conhecer esses lugares”.