O presidente da Assembleia Legislativa, Erick Musso (PMDB, por enquanto), está nos planos eleitorais do Democratas. A coluna apurou que o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM), reforçou o convite para que ele se filie ao partido, durante reunião a portas fechadas com o governador Paulo Hartung (PMDB) e outros aliados na manhã desta quarta-feira (10), no Palácio Anchieta.
Musso pretende mesmo sair do PMDB na próxima janela de transferências partidárias, em março. A filiação dele ao DEM tem sido costurada pelo secretário-chefe da Casa Civil de Hartung, José Carlos da Fonseca Junior (PSD). Além de ser grande aliado de Musso, Fonseca Junior militou por muitos anos no DEM (então PFL) e ainda é bem articulado com os caciques nacionais do partido.
Visita a ACM Neto
Bem sintonizado com ACM Neto – até pela juventude de ambos –, Musso planeja realizar uma visita institucional ao prefeito de Salvador depois do carnaval, para conhecer de perto o seu "modelo de gestão". Deve levar ainda outros deputados estaduais do Espírito Santo. Se concretizada, essa visita pode ser mais um passo do presidente da Assembleia em direção ao DEM.
90 minutos de política
Formada por Rodrigo Maia, ACM Neto e o ministro da Educação, Mendonça Filho, a comitiva nacional do DEM desembarcou no aeroporto de Vitória por volta das 7h50 desta quarta-feira (10). Os três foram buscados no aeroporto pelo chefe da Casa Militar, Coronel Ferrari, e seguiram diretamente para o Palácio, em um comboio de três carros. Chegaram à sede do governo por volta das 8h30, e o evento oficial só começou às 10h. Ou seja, os líderes do DEM tiveram uma hora e meia para conversar sobre política a portas fechadas com Hartung.
Quem participou?
Além do governador, de Musso, de Fonseca Junior e dos três demistas de fora do Espírito Santo, também participaram da conversa o vice-governador César Colnago (PSDB) e o secretário estadual de Desenvolvimento Urbano e presidente licenciado do DEM no Estado, Rodney Miranda

A presença do prefeito de Salvador foi a prova maior de que os líderes nacionais do DEM não vieram a Vitória apenas para tratar de recursos para a Educação (pauta oficial do encontro, anunciada pela assessoria do governo). Em primeiro lugar, a pauta oficial do evento era completamente estranha ao prefeito de uma capital de outro Estado. Além disso, ACM Neto ficou menos de quatro horas no Estado, discursou por menos de dez minutos, fez os elogios mais incisivos ao governador Paulo Hartung e partiu bem antes do fim do evento, pois tinha que correr para pegar o voo de volta a Salvador.
Desmentido
No mais, parece ter havido certa tentativa de ocultar a vinda de ACM Neto. Indagada ontem (9) pela coluna, a assessoria de gabinete dele negou que ele viesse a Vitória, apesar de ter sido convidado. É, mas veio...
Portanto...
É óbvio que o prefeito soteropolitano só participou da agenda no Palácio Anchieta para representar o DEM, reforçar o movimento nacional de Maia para viabilizar candidatura ao Palácio a ajudar a azeitar a aliança do DEM com Paulo Hartung.
ACMN abraça o Paulo
De ACM Neto, sobre Hartung, em seu curto pronunciamento: "Busquei inspiração, referência e me espelhar também no trabalho realizado pelo governador Paulo Hartung. Um trabalho que ultrapassa as fronteiras do Espírito Santo, que serve de modelo e referência para todo o país. (...) Me inspirando um pouco nele, busquei acertar lá em Salvador". Em seguida, dirigindo-se a Hartung, entusiasmou-se ainda mais: "Vamos dar as mãos. E siga em frente como melhor governador do Brasil ou em outras missões que Deus lhe reserve". Dito isso, foi-se embora, de volta à sua missão de governar Salvador.
Salão Transcol
Fazia tempo que não se via o Salão São Tiago tão abarrotado de gente, inclusive dezenas de autoridades políticas do Estado. Estava menos respirável do que um ônibus do Transcol durante a greve dos rodoviários. O cerimonial do Palácio falou em 68 prefeitos. E, de tantos deputados presentes, o coordenador da bancada capixaba na Câmara, Marcus Vicente, até fez um gracejo com Maia: "Só aqui você já tem uns oito votos pela sua reeleição à presidência da Câmara".