Luiz Gustavo Genelhu*
O envelhecimento da população brasileira é uma realidade, constatada na pesquisa Características Gerais dos Domicílios e dos Moradores 2017 e divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em cinco anos (entre 2012 e 2017), a população idosa com 60 anos ou mais de idade cresceu 18,8%.
São muitos os desafios a serem enfrentados nessa fase da vida, que se iniciam com a dificuldade em manter seu convívio social, passando pela falta de acessibilidade aos portadores de limitações, além da dificuldade financeira, muito comum para quem é idoso no Brasil.
Infelizmente, esse cenário não vislumbra uma solução em curto prazo. A saída mais eficiente para proporcionar saúde e bem-estar a quem chegou à terceira idade é contar com a colaboração dos familiares.
Propiciar momentos de convivência e carinho em família (se necessário organizar uma escala para que todos participem), ajudar na organização das medicações e marcação das consultas médicas e estar atento ao calendário vacinal são medidas salutares.
Considerando que agregar qualidade aos anos adicionais de vida é mais importante do que simplesmente chegar à velhice, é essencial manter a independência e a vida ativa
Vale lembrar que, com o envelhecimento da população, cresce a incidência de doenças próprias da terceira idade e, com isso, torna-se necessária a implementação de ações para evitar que esse adoecimento tome maiores proporções. É importante que a família se informe e busque orientações com profissionais especializados.
Considerando que agregar qualidade aos anos adicionais de vida é mais importante do que simplesmente chegar à velhice, é essencial manter a independência e a vida ativa priorizando três pilares fundamentais: acompanhamento médico regular, bom convívio social e atividade física.
No Brasil, temos um excelente programa de vacinação e algumas ilhas de atendimento à terceira idade pelo país, porém, faltam serviços unificados, de atendimento multidisciplinar, que tenham um olhar macro e que atuem não só na saúde física, mas na psicossocial, familiar, financeira e espiritual dos nossos idosos.
*O autor é médico geriatra