Sair
Assine
Sair
Entrar

Recuperar senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Cadastrar nova senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Cinema

Silvero Pereira é um dos convidados do 26º Festival de Cinema de Vitória

O ator, que interpreta o vingador Lunga, no filme "Bacurau", conversou com o Gazeta Online sobre arte, censura, liberdade de expressão e sexualidade

Publicado em 19 de Setembro de 2019 às 11:21

Gustavo Cheluje

Publicado em 

19 set 2019 às 11:21
Silvero Pereira, ator Crédito: João Cotta/Rede Globo
Silvero Pereira (37) é um camaleão. Seja como Lunga, o matador raivoso e ensanguentado de "Bacurau", ou mesmo como a transformista Gisele Almodóvar, que conquistou o Festival de Cannes deste ano ao desfilar com um elogiado vestido multicolorido, é impossível ficar indiferente a esse ator cearense de personalidade forte, convicções políticas e inegável talento.
Revelado no teatro de vanguarda, especialmente após o sucesso da peça "BR-Trans" (que mostrava a dura realidade das travestis e transexuais no Brasil), o artista ficou conhecido do grande público com a transformista Elis Miranda, na novela "A Força do Querer" (2017). Oportunidade essa que ainda agradece à autora da trama, Glória Perez.
"Foi uma das primeiras chances de falar abertamente sobre transfobia, homossexualidade e identidade de gênero no horário nobre da TV aberta de forma séria, sem esbarrar na caricatura. O respeito que a sociedade brasileira precisa aprender versa sobre esse tipo de ação", opina o ator, em entrevista ao Gazeta Online. Silvero, inclusive, é um os convidados do 26º Festival de Cinema de Vitória, que acontece de terça (24) a domingo (29) com exibições de filmes, cursos, palestras, shows musicais e lançamentos de livros.
A ator será apresentador de uma das noites da mostra competitiva de longas e curtas-metragens, além de ministrar uma oficina de atuação.
Sempre bem humorado, com afiado senso crítico e conhecido defensor das causas LGBTQ+, Silvero Pereira confessa que a aceitação de sua sexualidade se deu por conta de injustiças que aconteceram durante sua infância.
"Sou de Mombaça, uma cidadezinha do sertão cearense marcada pelo coronelismo e machismo. Quando criança, tinha receio de chegar perto de uma travesti famosa do lugar, a Barbosinha. Sempre me falaram que 'isso' era uma doença e eu não poderia contraí-la. Hoje me arrependo dessa atitude. Muito do que sou e do que defendo se deve à coragem que ela teve de expor a sua sexualidade", desabafa, destacando seu  amadurecimento pessoal após decidir morar em Fortaleza e dedicar-se ao teatro, há cerca de 24 anos.
"Tive contato com pessoas que me ajudaram a formar a minha personalidade, seja como artista e cidadão politizado. Sempre digo que a arte é um instrumento que usamos para combater uma sociedade doente, marcada pelo preconceito e por ideias retrógradas”, dispara, complementando que a arte é "uma das poucas instituições que a política não conseguiu corromper".
VIOLÊNCIA
É impossível conversar com Silvero sem sentir sua paixão ao falar de Lunga, o justiceiro que ajuda os moradores de uma cidadezinha do interior de Pernambuco a vencer a violência e o abandono social em "Bacurau", filme de Kléber Mendonça e Juliano Dornelles que venceu o Prêmio do Júri no Festival de Cannes deste ano e vem fazendo sucesso de bilheteria nos cinemas do Brasil.
"É um personagem fascinante, que propõe uma ruptura com o estereótipo machista do homem do cangaço. Ele é híbrido, de atitudes másculas, decidido, mas que usa brincos e colares, com uma alma feminina", explica, complementando que a sexualidade do personagem importa bem menos do que o seu sentimento de justiça.
"É um filme que versa sobre o Brasil atual. Vejo o Lunga como um herói, um Robin Hood do Nordeste. Ele é vilão apenas para um sistema que tenta corromper e explorar o povo. E, no filme, a população responde a esse ataque com violência. Não à toa, que uma sequência de tiroteio começa na escola, com a educação, área muito afetada pelos desmandos do governo federal", critica, falando que a repercussão nacional e internacional do filme não seria tão grande se o Brasil vivesse uma situação política menos opressora.
EXPRESSÃO
Nem só de violência vive o imaginário de Silvero Pereira. Também sobra espaço para a ternura, especialmente na hora de falar do sucesso que a transformista Gisele Almodóvar fez no tapete vermelho de Cannes, durante o lançamento de "Bacurau". Acima, veja o trailer de "Bacurau".
"Ela é meu alterego, a chance que tenho de expressar a minha sexualidade sem amarras. Depois que decidi participar de Cannes travestido, muitas pessoas se interessaram pela minha carreira e pelo meu trabalho de mobilização em favor da comunidade LGBTQ+".
O ator, aliás, vê com preocupação a onda de conservadorismo que assola uma parte da sociedade atual. "Vivemos um momento de censura, seja nas artes, na educação e em relação à sexualidade. É preocupante a iniciativa do governo em impor restrições a produções que discutem a sexualidade e a identidade de gênero. Além de nos calar, isso traz desinformação, intolerância e mais violência", complementa. 
 
Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Trabalhadores morrem em deslizamento de terra em obra na Cariacica
Defesa Civil de Cariacica faz nova vistoria em obra onde quatro morreram soterrados
Dutos de distribuição de gás natural: ES Gás vai assumir distribuição no Estado
Moradores ficam sem gás após obra danificar rede em Colinas de Laranjeiras
A via foi interditada para o atendimento da ocorrência e liberada após a finalização dos trabalhos.
Colisão entre carreta e caminhão deixa um ferido na BR-101, em Linhares

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados