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Cinema

"Pantera Negra" é político sem esquecer o padrão Marvel de diversão

Filme transporta o espectador para o reino de Wakanda, um oásis de desenvolvimento e riquezas na África

Publicado em 14 de Fevereiro de 2018 às 20:25

Rafael Braz

Publicado em 

14 fev 2018 às 20:25
O ator Chadwick Boseman no filme
O ator Chadwick Boseman no filme "Pantera Negra" Crédito: Marvel Studios/Divulgação
Estamos em 2018 e provavelmente já nem é necessário dizer que representatividade importa. “Pantera Negra”, que chega hoje aos cinemas do Estado (houve pré-estreias durante a madrugada), leva ao universo cinematográfico Marvel uma história cheia de protagonistas fortes e talvez o melhor vilão dos 18 filmes que a Casa das Ideias produziu para os cinemas.
Quem acompanha o universo sabe quem é T’Challa (Chadwick Boseman), que apareceu em “Capitão América: Guerra Civil” (2016). “Pantera Negra” continua a história que teve início no filme de 2016, no qual tivemos um breve vislumbre de Wakanda. T’Challa retorna a seu país após a morte de seu pai e se prepara para assumir o trono. Logo ele descobre que há outras pessoas interessadas no posto, pessoas de seu ciclo, com suas próprias motivações.
Wakanda
Antes de mergulhar na trama de “Pantera Negra”, deve-se ressaltar Wakanda. Imagine um país africano que não tenha sofrido com o colonialismo e em que homens e mulheres sempre tiveram tratamento igualitário, o que possibilitou um avanço tecnológico de deixar potências como Japão e Coreia do Sul no chinelo. A Wakanda criada por Ryan Coogler para as telas é futurista, grandiosa, rica e cheia de sua própria cultura, uma vez que ela vive um isolamento do resto do mundo (uma questão importante para o filme). A fotografia, vale ressaltar, ficou a cargo de Rachel Morrison, indicada ao Oscar por seu trabalho em “Mudbound”.
Isso, porém, seria apenas um cenário bonito se o filme fosse vazio, o que não acontece. “Pantera Negra” tem um dos melhores elencos – talvez o melhor – dos filmes da Marvel. Boseman está seguro como o protagonista e os coadjuvantes brilham em tela. Lupita Nyong’o vive Nakia, uma espiã e interesse romântico de T’Challa, e Danai Gurria (“The Walking Dead”), é a general Okoye. A dupla ainda é acompanhada pela ótima Leticia Wright, que dá vida à irmã de T’Challa, Suri, uma das pessoas mais inteligente do mundo.
Neste universo de bons coadjuvantes, o antagonista também se destaca. Erik Killmonger (Michael B. Jordan) é um dos poucos vilões da Marvel com o qual o público pode se identificar – ele não é simplesmente mal, pelo contrário! Carismático e charmoso, ele apenas entende que Wakanda deveria seguir outro caminho. Killmonger acredita ser o herói e está para o Pantera Negra como Magneto está para os X-Men: é uma resposta violenta à mesma problematização. Para melhorar o personagem, Michael B. Jordan, que já trabalhou com Ryan Coogler em “Fruitvalle Station” (2013) e “Creed” (2015) ganha o espectador com facilidade.
Identidade
“Pantera Negra” segue a tendência mais “autoral” da Marvel, que já deu bons resultados nos dois “Guardiões da Galáxia” e no ótimo “Thor: Ragnarok”. Mesmo sendo mais político, não resta dúvidas de que se trata de um filme da empresa, com humor, aventura e grandiosas cenas de ação.
Há, ainda, a velha fórmula dos filmes de heróis: grandes poderes, grandes responsabilidades. T’Challa precisa entender seu papel como governante e herói de uma nação inteira. Aos interesses de quem, afinal, ele deve servir?
Apesar de começar devagar, trabalhando a ambientação e apresentação de personagens com calma, “Pantera Negra” engrena com facilidade no segundo ato. Os temas tratados por Ryan Coogler são tão relevantes que tornam o herói vestido com traje de vibranium um divertido bônus.

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