Idealizado por Stephen King, “Pet Sematary” ou “Cemitério Maldito” foi um livro lançado em 1983 que, mesmo não fazendo tanto sucesso como obras como “It – A Coisa”, “Carrie, a Estranha” e “O Iluminado”, o ajudou a ganhar o título de “mestre do terror”. A obra ganhou duas adaptações, respectivamente em 1989 e 1992, ambas de qualidade questionável. Agora, em 2019, o livro ganha uma repaginada para as telas no longa homônimo que chega aos cinemas no dia 9 de maio, prometendo ser mais fiel à obra original.
“Cemitério Maldito”, o livro, conta a história de uma família que se muda para uma casa no interior (tema comum nos livros de King), sem saber que a propriedade é localizada nos arredores de um antigo cemitério amaldiçoado, usado para enterrar animais. Com o tempo, acontecimentos bizarros passam a acontecer, fazendo com que os integrantes da família passem a questionar os limites entre a vida e a morte.
“Cemitério Maldito”, o filme, é superior às duas adaptações originais da obra literária – recomendo a você, leitor, a ficar longe dos trailers, pois todas as peças de divulgação entregam mais do que deveriam. Entretanto, o longa não é perfeito. Durante os cerca de 100 minutos de duração, alguns erros e falhas transparecem, principalmente na primeira metade da obra.
ERROS E ACERTOS
A primeira metade sofre com um roteiro inconsistente, com diálogos rasos sobre vida, morte, religião e ceticismo. Sorte que os atores conseguem segurar o público até nas cenas mais vazias. Outro problema são os flashbacks sem propósito, que se repetem constantemente, mesmo sem ajudar no avanço da história e no desenvolvimento dos personagens.
Um ponto de cisão na história ocorre por volta dos 50 minutos de produção. Deste momento em diante, o roteiro fica mais apurado, a tensão e a urgência ficam latentes e todos os problemas até aí são relevados. Uma inquietação aguda fica constantemente no ar, envolvendo o espectador na tensão da trama. Esse desconforto é ampliado pela violência gráfica e “gore” (nojeira) usados na quantidade precisa, deixando o público praticamente sem piscar.
BOM TERROR
Os diretores Kevin Kölsch e Dennis Widmyer, do também terror “Starry Eyes” (2014), sabem trabalhar bem o silêncio e o vazio das cenas, e quando não se rendem a um susto repentino barato, criam sequências realmente assustadoras.
No fim, “Cemitério Maldito” se sai bem. Não é um novo clássico do terror moderno, nem um filme perfeito, mas com seu elenco esforçado – composto por Jason Clarke e John Lithgow – e uma metade final envolvente, acaba sendo bem melhor do que a maioria dos longas de terror que tem estreado por aí.