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Cinema

Julianne Moore brilha em filme sobre a busca pelo amor maduro

"Gloria Bell", em cartaz Estado, é um remake do filme chileno de 2013, que revelou o cineasta Sebastián Lelio

Publicado em 24 de Abril de 2019 às 17:32

Gustavo Cheluje

Publicado em 

24 abr 2019 às 17:32
Gloria Bell Julianne Moore, John Turturro Filme Divulgação Crédito: Divulgação
Vencedor do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2018, com "Uma Mulher Fantástica", o chileno Sebastián Lelio tem pautado sua carreira em desnudar os dilemas de mulheres solitárias em busca da felicidade plena.
No longa citado, uma garota trans, rejeitada pela sociedade e pela família, anseia ser feliz após a perda do amor. Em “Desobediência” (2017), duas amigas “presas” nas tradições judaicas tentam viver uma relação marcada pelo desejo proibido. Por sua vez, “Gloria Bell” - seu novo projeto em cartaz no Estado - traz uma mulher de meia-idade que deseja viver intensamente sua sexualidade em encontros furtivos. Em comum, todas sofrem com o mal do século: a solidão.
Ao explorar a dor e o desamor (com um pé na melancolia e no intimismo), Sebastián Lelio se aproxima de mestres do cinema humanista, como John Cassavetes e Chantal Akerman. Da cineasta belga, vemos nos filmes de Lelio o “poder do feminino” e o naturalismo na busca pelos direitos da mulher em tom hiper-realista. De Cassavetes, por sua vez, há o domínio do corpo e as compulsões sexuais sem amarras.
Ramake de seu clássico de 2013, o realizador chileno decide apostar na fórmula “em time que está ganhando não se mexe”. “Glória Bell” é mais do que uma refilmagem. É um filme praticamente idêntico ao “Glória” original. Lelio regrava cenas quadro a quadro - sem exagero - e mostra a mesma história, só que agora falada em inglês e tendo Los Angeles como pano de fundo.
A opção pode causar estranheza aos fãs brasileiros (que cultuam “Glória”), mas surtiu um efeito positivo no mercado americano. Como a maioria do público que frequenta salas nos Estados Unidos não gosta de ver filmes legendados, a trama é “praticamente” inédita por lá. O “Glória” original é uma pequena obra-prima. Portanto, a versão americana não poderia ser menos do que um filme excelente. Não causa espanto a unanimidade de crítica e de público norte-americano e a louvação à excelente performance de Julianne Moore, como a personagem título. Muitos críticos já colocam a atriz na corrida pelas premiações de fim de ano.
BUSCANDO
Moore herda um papel irresistível, vivido magistralmente por Paulina Garcia no original: uma mulher divorciada que chega aos 50 anos reivindicando seu lugar em um mundo dominado pela juventude imediatista e por amores furtivos. Na pista de dança - seu habitat natural - e ao som de clássicos como “Never Can Say Goodbye”, de Gloria Gaynor, “September”, de Earth Wind and Fire e, claro, “Gloria”, de Laura Branigan, ela conhece o charmoso Arnold (John Turturro, canastrão como o papel exige), recém-divorciado e com problemas familiares.
A química entre Julianne Moore e John Turturro é deliciosa. A dupla transmite a sensualidade e a intimidade essenciais para o objetivo de Sebastián Lelio em seu remake: manter os principais ingredientes de uma fórmula que abrange solidão, dignidade e louvação aos pequenos prazeres da vida.
Gloria usa os relacionamentos, sejam certos ou errados, para vencer a frustração de ser ignorada pelos filhos (vividos sem muito brilho por Michael Cera e Caren Pistorius) e de ter um ex-marido que a trocou por uma mulher mais jovem.
Se há algo fora do tom em “Gloria Bell” é a necessidade de Sebastián Lelio em despolitizar o novo filme para satisfazer o padrão mediano do público americano. Sai a sociedade chilena que tenta se reconstruir e esquecer os traumas da ditadura Pinochet, e entra uma Los Angeles ensolarada e sem muitas preocupações sociais, mesmo entrando na Era Donald Trump. Nada, porém, que tire o prazer de se assistir a um filme que transmite vontade de viver em cada fotograma.
 

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