No livro “O filósofo e o imperador”, de Annabel Lyon, narrativa ficcionalizada sobre o período em que Aristóteles foi professor do jovem Alexandre da Macedônia, o grande conquistador de boa parte do mundo de sua época, está registrado, dentre os preciosos ensinamentos transmitidos pelo mestre ao discípulo: “-Você deve procurar o meio justo entre os extremos, um caminho do meio, o ponto de equilíbrio. Esse ponto varia de homem para homem, não há um padrão universal de virtude para cobrir todas as situações em todos os momentos. (...) Moderação e mediocridade não são a mesma coisa. Pense nos extremos como caricaturas. O meio, o que buscamos, é o que não é caricato”. (Obrigado, Jeanne Bilich, pela dica de leitura e pelo empréstimo do livro).
Pois é, caro leitor, estamos numa situação de escolha eleitoral extremamente delicada e perigosa, caricata, mesmo, pois o candidato de esquerda que, segundo as pesquisas eleitorais, detém o maior número de aprovação pelos eleitores está preso e condenado pela Justiça. Do outro lado, como reação prevista pela lei da física, cresce o apoio ao candidato da extrema direita, militar aposentado, reacionário, misógino, racista, que confunde as massas com seu discurso de ódio, fala em restabelecer a ordem à bala, com a mão direita no revólver e a esquerda na Bíblia. Ambos são tratados como mito por seus seguidores e é sobre isso que quero falar.
Mito, conforme o Houaiss, “é o relato fantástico de tradição oral, protagonizado por seres que encarnam, sob forma simbólica, as forças da natureza e os aspectos gerais da condição humana”, ou “construção mental de algo idealizado, sem comprovação prática, ideia, estereótipo”; também, “afirmação fantasiosa, inverídica, que é disseminada com fins de dominação, difamatórios, propagandísticos” e, finalmente, “afirmação inverídica, inventada, que é sintoma de distúrbio mental”. Todos esses conceitos estão registrados no Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, p. 1.936, primeira edição, no verbete “mito”.
Lula e sua outra metade, Bolsonaro, são mitos criados por seus adeptos e a crença de que são super-heróis que vieram para resolver os graves problemas sociais, econômicos e culturais por que passam o Brasil e os brasileiros é uma falácia. Aos que não conhecem o significado dessa palavra, recomendo consulta ao mesmo Houaiss: “falsidade”: “qualquer enunciado ou raciocínio falso que entretanto simula a veracidade” (conceito aristotélico). Caro leitor/eleitor: não sei qual o caminho do meio deverá ser escolhido.
Analisemos as propostas concretas de cada um e não nos deixemos levar pela emoção descontrolada que só nos levará ao caos, à guerra civil, a uma ditadura. Quem já viveu isso sabe o que é viver sob canhões.