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Tarcísio Bahia

Em crise, prefeituras precisam se inspirar em gestões bem-sucedidas

No Estado, 57 cidades recuaram no Índice Firjan de Desenvolvimento Municipal, um tema que deveria ser tratado com seriedade neste período eleitoral

Publicado em 21 de Agosto de 2018 às 14:35

Públicado em 

21 ago 2018 às 14:35
Tarcísio Bahia

Colunista

Tarcísio Bahia Tarcísio Bahia
Centro de Vitória Crédito: Bernardo Coutinho
Há poucas semanas saiu uma matéria no Gazeta Online que estranhamente deu pouca repercussão nos dias que se seguiram, o que, num período de intenso debate político e eleitoral, deveria ser tema tratado na agenda não só dos candidatos, mas de toda a sociedade preocupada tanto com o momento presente, mas também com o que virá.
Criado pela Firjan – Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro em 2008 e inspirado no IDH – Índice de Desenvolvimento Humano da ONU, o IFDM – Índice Firjan de Desenvolvimento Municipal é um parâmetro comparativo que permite medir a situação atual de cada município brasileiro, de modo a orientar as políticas públicas a serem adotadas pelas administrações locais. Tendo como base dados obrigatórios informados pelos próprios municípios e também os coletados junto aos ministérios do Trabalho, da Educação e da Saúde, o IFDM também permite o acompanhamento histórico do nível de desenvolvimento social em todos os municípios brasileiros. E a composição do índice leva justamente em conta os dados de emprego & renda, educação e saúde, deixando de fora os aspectos econômicos, tais como PIB, muito valorizados até então, ou seja, focando agora na questão social como matriz objetiva.
A última versão do IFDM, abordada na matéria do Gazeta Online, foi elaborada com dados de 2016, isto é, ele não apresenta o retrato da situação mais recente, seja em 2017 ou até mesmo a desse ano de 2018 em curso. Mas a publicação já faz referência a um dado preocupante: “entre 2015 e 2016, foram fechados quase 3 milhões de postos de trabalho formais no país.” Ocorre que, segundo o IBGE, o Brasil atingiu em 2018 mais de 13 milhões de desempregados, ou seja, trata-se de um indicador que só vem piorando.
Ao falar de Vitória, Luísa Torre informa que a capital do Espírito Santo “era a 100ª cidade mais desenvolvida do país (mas que) caiu para 211ª entre 2014 e 2016.” Na série histórica do IFDM, porém, os números de Vitória para educação e saúde sempre foram altos, enquanto que emprego & renda nunca passaram de moderados e, portanto, só vem se agravando. A questão é que a gestão da educação e saúde passa muito pelas esferas de governo, ao passo que emprego está mais relacionado com o setor privado, a partir de um ambiente econômico de negócios dinâmico.
De um total de 78 municípios que compõem o Espírito Santo, 57 deles recuaram no IFDM, um número significativo, afinal são mais de 70% de municípios capixabas que retrocederam.
E as perspectivas não são nada animadoras...
Mas o que fazer? No atual mundo globalizado e competitivo, as cidades começaram a disputar mercados entre si. É aqui que pode entrar uma ferramenta típica do meio empresarial: o benchmarking, isto é, um processo comparativo entre práticas na gestão. Considerado o injusto pacto federativo definido pela Constituição que concentra recursos no governo federal, o benchmarking é uma estratégia que pode mostrar às prefeituras novos caminhos além daqueles tradicionais no planejamento municipal. Estudar as experiências daqueles municípios que vem apresentando bons índices pode ser o início de uma nova etapa de desenvolvimento.

Tarcísio Bahia

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Arquiteto, professor da Ufes e diretor do IAB/ES. Cidades, inovação e mobilidade urbana têm destaque neste espaço

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