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Sistema americano

Eleições fora de hora é o início da guerra nas urnas

Disputa entre republicanos e democratas deverá crescer de intensidade nos dois próximos anos

Publicado em 14 de Dezembro de 2018 às 16:32

Públicado em 

14 dez 2018 às 16:32

Colunista

Congresso americano
José Vicente de Sá Pimentel*
O sistema eleitoral americano prevê a realização de eleições no meio do mandato presidencial. Nelas concorrem todos os deputados federais, um terço dos senadores e dois terços dos governos estaduais. O propósito é refletir sobre o estado do país e testar a capacidade de liderança do presidente.
Em 2018, além dos 435 deputados federais, 35 cadeiras senatoriais estavam em jogo, enquanto 36 Estados elegeram governadores. As eleições para a Câmara foram amplamente ganhas pelos democratas. Os republicanos, que detinham uma maioria de 23 cadeiras, perderam 41 delas e o controle da Câmara. Mas os democratas não terão o controle do Congresso, porque os republicanos aumentaram para 5 a sua maioria no Senado. Nas eleições para governador, os democratas ganharam em todos os 9 Estados que governavam e em mais 7. Totalizam agora 23 governadores.
Ter o controle da Câmara significa conquistar a “subpoena power”, ou capacidade de instaurar inquéritos sobre personagens notórios da Casa Branca, entre os quais integrantes da família presidencial. As finanças e os negócios do presidente também devem entrar na ordem do dia, junto com investigações sobre as interferências russas na eleição presidencial de 2016.
Manter o contole do Senado significa que os republicanos, na prática, comandarão as relações internacionais e poderão continuar a indicar ministros da Suprema Corte. A conquista de governos estaduais é um dos temas sobre os quais os analistas se debruçarão nos próximos meses, para saber se as vitórias democratas decorrem de situações locais ou se embutem uma tendência nacional.
As grande vencedoras foram as mulheres. As teses e as lideranças feministas ganharam notável visibilidade, consequência do ativismo anti-Trump, iniciado no dia seguinte à posse do presidente. As questões identitárias se reforçaram. Mulheres negras, indígenas, latinas e muçulmanas foram eleitas, inclusive, em redutos conservadores. Kyrsten Sinema, eleita pelo conservadoríssimo Estado do Arizona, é a primeira senadora abertamente bisexual da história americana.
Trump participou intensamente da campanha, mas não deu destaque a temas econômicos. Preferiu martelar na imigração. Há quem diga que a escolha decorre do diagnóstico de que, na batalha da reeleição, o melhor cabo eleitoral continuará a ser o medo, plataforma sob medida para os eleitores típicos de Trump: homens e mulheres brancos, atemorizados pela rápida evolução tecnológica, étnica e cultural no país, que anseiam por uma promessa de preservação do seu mundo. Esse “me engana que eu gosto” não é, porém, o sentimento predominante nos centros urbanos, onde democratas recuperaram disposição para lutar.
Em suma, a disputa entre republicanos e democratas deverá crescer de intensidade nos dois próximos anos. Hoje, é impossível prever o vencedor das eleições presidenciais de 2020.
*O autor é embaixador e diretor-presidente da Companhia de Desenvolvimento de Vitória (CDV)

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